Veredito da 1ª Temporada de Anéis de Poder

16/10/2022 - POSTADO POR EM Séries
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O 1º ano de O Senhor dos Anéis: Os Anéis de Poder chegou ao fim e, tanto para os leitores de Tolkien quanto para quem não é próximo da mitologia, ficou a sensação de “legal, mas podia ser muito melhor”.

Será que a 1ª adaptação do universo da Terra-Média para a TV foi de um nível tão baixo assim? A próxima temporada já está sendo produzida pela Amazon, então vamos discutir aqui os lados positivos e negativos dos 8 episódios lançados, e o que podemos esperar daqui para frente.

Atenção: Este texto contém spoilers da 1ª Temporada da Série

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Remodelando a Segunda Era

Já era esperado que os principais eventos da Segunda Era da Terra-Média fossem condensados para que o ritmo da série não fosse um Game of Thrones em seus anos iniciais. 

Muitos personagens marcantes do Legendarium foram realocados temporalmente para se encaixar na linha do tempo de centenas de anos que, no final das contas, pareceu de apenas alguns anos. Para entender melhor esse contexto e o papel dos figurões, confira o Guia para Anéis de Poder que fizemos.

Essas e outras adaptações à história foram consideradas como afronta aos fãs mais frescos e desocupados, gerando uma onda de ódio desnecessária de quem não se esforçou para ler a obra original antes de falar besteira na internet. 

Imagem de divulgação de de Anéis de Poder
Imagem de divulgação de de Anéis de Poder

Os milhões valeram a pena

Anéis de Poder já tinha o status de série mais cara da história pelo estimado $1 bilhão de dólares investido pela Amazon na recriação do universo de Tolkien. De fato, tanto dinheiro rendeu o mundo de fantasia mais vivo e palpável já visto em uma tela, com cada episódio parecendo um épico de cinema.

Se na Trilogia do Hobbit o foco era em efeitos especiais para criação dos ambientes e criaturas, aqui não foi poupado orçamento para maquiagem, locação e efeitos práticos. 

Dos salões de Númenor às minas de Khazad-dum, a imensa dimensão dos textos de Tolkien foi honrada pelo design de produção maravilhoso, elevando o patamar de obras audiovisuais fantásticas para níveis inéditos.

Imagem de divulgação de de Anéis de Poder
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Desequilíbrio entre os núcleos

A falta de equilíbrio entre o tempo investido para cada núcleo da série foi uma das frequentes reclamações nas últimas semanas. 

Realmente, a expectativa sempre foi acompanhar como Sauron manipularia Celebrimbor e os Elfos a forjar os anéis. Esse fato, que demorou 300 anos na mitologia original, foi resumido em somente 3 meses na cronologia da série, totalizando cerca de 30 minutos do episódio final.

O ideal seria dar mais atenção na 2ª temporada ao núcleo de Eregion, o mais visto que influencia diretamente na Guerra dos Elfos contra Sauron, que ocorre anos depois.

O núcleo de Khazad-dum é um dos mais interessantes e o que menos foi abordado. A relação de Elrond com o divertido Durin foi talvez a melhor parte dessa temporada. Sem falar no visual deslumbrante das meninas dos anões. 

É compreensível que a produção queira fisgar o público com o núcleo dos Pés-Peludos por originarem os famosos Hobbits. A inserção do Estranho – praticamente confirmado como Gandalf – foi uma tática para tornar essa parte da história mais misteriosa e não somente como alívio cômico.

Agora, o desperdício de tempo com as Sacerdotisas/Espectros ao longo dos episódios finais só para reiterar o óbvio – a identidade do Estranho – e ainda tentar enganar o público foi decepcionante. Nem a emocionante cena que isso rendeu compensa.

Já o núcleo de Númenor promete bastante pela boa base política que deram ao seu povo e seus governantes. Para quem conhece o destino da Ilha, sua aproximação com Sauron abre ainda mais a curiosidade.

Quanto ao núcleo das Terras do Sul, não sobrou muito. Fica a dúvida de como vão relacionar os personagens exclusivos da série com a ascensão de Mordor e dos Uruk.

Imagem de divulgação de de Anéis de Poder
Imagem de divulgação de de Anéis de Poder

Veredito 

É cedo para afirmar que Anéis de Poder não entregou o que prometeu. As próximas quatro temporadas devem acelerar ainda mais o ritmo para encaixar tantos eventos em algumas horas.

A ingenuidade de certos personagens, principalmente de Galadriel, é um ponto que deve mudar. Afinal, milhares de anos separam a Elfa da Segunda Era daquela que foi apresentada nos filmes. Ela ainda tem muito o que aprender, como foi mostrado, e a crescer como líder não só por suas habilidades físicas, mas discursivas.

É difícil não comparar com A Casa do Dragão, outra série prequel sobre um universo de fantasia altamente popular. Nos últimos anos, o lado fantástico e colorido desse tipo de história deu lugar a tramas políticas cadenciadas com uma estética fria. E há muito mérito nisso, visto o sucesso de Game of Thrones.

Como drama, Casa do Dragão entretém melhor do que Anéis de Poder, por exemplo. Porém, como fantasia, é o inverso. É preciso reconhecer as reais propostas de cada uma e curtir o espetáculo que elas proporcionam sem misturar os gêneros.

Anéis de Poder pode não seguir à risca a cronologia canônica dos fatos, mas os adapta em prol de uma narrativa direta e executada de forma que agrade todos as audiências.

Pontos negativos:

  • Foco exagerado em núcleos menos importantes
  • Pressa em momentos-chave da mitologia

Pontos positivos:

  • Design de produção de excelência
  • Adaptação mais humana de certas relações entre protagonistas

NOTA: 8.0