Conheça Paper Girls, HQ que virou série no Prime Vídeo

04/08/2022 - POSTADO POR EM HQs/Livros
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Anos 80, bicicletas e coisas estranhas…não, não estamos falando de Stranger Things (2016 – ) e sim de Paper Girls, uma série de HQs do quadrinista Brian K. Vaughan e que recentemente foi adaptada para o formato seriado pelo Prime Vídeo.

Lançada nos EUA desde 2016 e no Brasil a partir de 2017, pela editora Devir, as HQs podem ser encontradas em um compilado de 6 volumes, juntando os seus 30 capítulos. E apesar do background pra lá de bizarro, o foco da história é principalmente no seu quarteto protagonista e os dilemas de cada garota.

Nós recebemos os 6 volumes e para você que ficou interessado na série do Prime Vídeo, vamos contar mais sobre de onde veio a inspiração para a história.  

Veja também:

>VEREDITO DA 1ª TEMPORADA DE PAPER GIRLS

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Sobre amadurecimento e viagens no tempo

No dia 1º de novembro de 1988 um grupo de quatro entregadoras de jornal (Erin, KJ, Mac e Tiff) saiu para fazer suas rotas, elas acabaram sendo roubadas por dois adolescentes estranhos, foram atrás deles em um porão e viajaram no tempo.

De uma forma muito resumida é assim que começa o primeiro volume de Paper Girls. Quatro garotas que mal se conhecem agora precisam sobreviver juntas a uma guerra geracional que vem sendo travada ao longo das décadas, literalmente.

Com isso, as meninas são obrigadas a cooperarem e fazerem de tudo para ficarem juntas, descobrindo mais sobre si mesmas no processo.

Imagem: Divulgação

Protagonistas

As HQs possuem um traço bonito, que não economiza nas bizarrices temporais, levando as protagonistas para eras diferentes, desde um passado remoto até um futuro inimaginável em que todos falam como se estivessem nas redes sociais (parabéns para o trabalho de tradução aqui).

É muito fácil se apegar às garotas, todas são ativas, espirituosas, inteligentes e de pensamento rápido. Talvez a única questão aqui é o fato de terem se adaptado tão bem às desventuras, ficando bem calmas na maioria das situações.

Porém isso não diminui os conflitos, que acontecem principalmente com a organização temporal que busca preservar a linha do tempo exatamente como ela é. De toda forma elas conseguem se sobressair usando de sua inteligência e astúcia

Embora todas tenham seu devido espaço, não há dúvida do destaque para Erin e Tiff nesse sentido, que parecem ser as mais integradas à situação e as que normalmente bolam uma saída. Para KJ e Mac são reservados os conflitos internos, nas quais conseguimos ver melhor o seu amadurecimento.

Imagem: Divulgação

Adaptação

Como já mencionamos, as HQs foram adaptadas em formato seriado pelo Prime Vídeo. Com oito episódios na sua primeira temporada, a série utiliza a premissa básica dos quadrinhos, mas escolhe seguir uma linha narrativa mais direta.

Isso significa que a HQ tende a expandir mais a ficção científica da trama, fazendo as garotas viajarem para diferentes eras, com uma grande gama de cenários e personagens. A série deixa tudo mais sucinto, principalmente por conta das limitações de uma adaptação.

Porém, um ponto positivo que a série consegue trazer é o conflito das garotas com suas contrapartes de outras épocas. Enquanto na adaptação vemos dramas decorrentes desses encontros, nas HQs eles servem mais como pontos de curiosidade para fazer a trama avançar, mas sem os momentos de reflexão pessoal que o seriado levanta.

Porém, se você gostou da série do Prime Vídeo recomendo demais que confira também a HQ, além de expandir tudo que foi colocado, os quadrinhos de Paper Girls devem trazer conceitos que não serão abordados na adaptação por conta de sua complexidade. E também os 6 volumes possuem um bonito encerramento, enquanto a série tem um gancho para a próxima temporada.

De toda forma fico feliz de ver essa HQ, que trata com tanta naturalidade temas do universo feminino como menstruação e sexualidade, vir à tona. É mais um excelente coming of age que está recebendo o devido reconhecimento por parte do grande público.