Veredito da 4ª temporada de The Handmaid’s Tale

21/06/2021 - POSTADO POR EM Séries

A quarta temporada de The Handmaid’s Tale acaba de chegar ao final. Exibidos pelo streaming Paramount+ aqui no Brasil, os episódios foram muito esperados pelos fãs que morriam de curiosidade para saber o que tinha acontecido com June (Elizabeth Moss) após a grande Fuga dos Anjos para o Canadá. Conferimos tudo e vamos contar nossas impressões. 

Caso você ainda não tenha assistido à temporada quatro e queira relembrar alguns dos pontos principais sobre esse universo, leia nosso guia da série.

ATENÇÃO! ESSE TEXTO CONTÉM SPOILERS DA QUARTA TEMPORADA.

De volta à resistência

Após organizar a fuga das 86 crianças de Gilead para o Canadá, June é baleada e chega até a fazenda de uma jovem esposa de 14 anos, Esther Keys (Mckenna Grace), onde conseguiu se curar e também articular novos planos juntos à resistência. Além disso, para as aias que fugiram com June, o local representava algo próximo de uma vida livre

Enquanto isso, Moira (Samira Wiley) e Luke (O. T. Fagbenle) se juntam à Rita (Amanda Burgel), recém-chegada ao Canadá, para conseguir apoio contra Gilead. A ex-Martha serve como testemunha dos absurdos que aconteciam no regime totalitário, para que assim eles possam arrecadar fundos para a ONG que ajuda no apoio aos refugiados. 

Serena Joy (Yvonne Strahovski) e Fred Waterford (Joseph Fiennes) estão também no Canadá, porém presos sob a acusação de vários crimes, entre eles estupro. Para surpresa do casal, Joy está grávida e disposta a fazer praticamente qualquer coisa para conseguir sair livre para criar seu filho.

Foto: Divulgação

Uma temporada forte

Quando a terceira temporada terminou, já sabíamos que viriam episódios mais emocionantes. A espera pelos novos episódios durou bem mais que o programado, já que as gravações foram adiadas, o que levou os fãs a criarem mil e uma teorias. Mesmo utilizando muito a imaginação, fomos surpreendidos logo no primeiro episódio, quando damos de cara com Esther, uma esposa de apenas 14 anos que já havia sofrido muitos abusos e queria vingança. É impossível não ficar chocado com sua história. 

June consegue finalmente sair de Gilead, porém ela não está nem um pouco feliz nessa temporada. Para falar a verdade, a ex-aia está com muita raiva e quer vingança a qualquer custo, mesmo que isso signifique até magoar aqueles que ama. 

É interessante observar que em todos os episódios que Elizabeth Moss dirigiu, ela fez questão de dar closes no rosto de sua personagem justamente para dar ênfase ao que ela estava sentido. Com destaque aqui para a primorosa cena do depoimento, na qual relembramos todo o seu sofrimento como aia e poderia até servir para embasar várias de suas ações questionáveis nessa temporada.

Foto: Divulgação

Personagens secundários

Outra coisa curiosa de acompanhar na temporada é o crescimento da personagem Janine (Traci Lind). Finalmente ficamos sabendo um pouco mais do passado da moça e, de certa forma, entendemos e paramos de justificar suas atitudes com relação à Tia Lydia (Ann Down), em outros momentos aos quais achamos que ela estava sendo infantil e tola. 

Talvez, o novo ano tenha servido também para demonstrar um pouco sobre a chamada Síndrome de Estocolmo (na qual a vítima tende a desenvolver uma relação de afeto com o seu “agressor”) que alguns personagens parecem ter. 

Podemos citar aqui não só exemplo de Janine, mas também entre June e Nick (Max Minghella). É só observar a maneira como a ex-aia parece se relacionar melhor com o agora Comandande Blaine do que com seu marido Luke ( O. T. Fagbenle), o que criou diversas situações estranhas entre eles ao longo dos episódios.

Foto: Divulgação

Veredito

A série desta vez apostou em apenas dez episódios, ao contrário dos treze dos dois anos anteriores. A escolha poderia não ter funcionado tendo em vista a quantidade de eventos a serem desenvolvidos, porém a temporada mais enxuta ajudou a trama a se tornar mais fluida e focar no que precisava. Podemos afirmar que 99% dos momentos mostrados foram importantíssimos para o andamento da narrativa.

As escolhas dos diretores também é um ponto de destaque. Elizabeth Moss já havia dirigido alguns episódios da série, mas nessa temporada ela tomou a direção da maior quantidade até então: três episódios. A condução das cenas ajudou o roteiro, que mais uma vez utilizou pontos tanto do romance homônimo de 1985, como da sequência Os Testamentos (2019), com maestria.

A trilha sonora continua a chamar a atenção, apesar de dessa vez ter escolhido músicas mais novas que aquelas das temporadas anteriores. Além disso, a letra de cada música cai como uma luva para a cena à qual foi designada. 

Não podemos também esquecer das atuações, que mais uma vez foram brilhantes. Elizabeth conseguiu com olhares transmitir tristeza e raiva, ela entregou uma June dilacerada e cheia de raiva. Não seria nenhuma surpresa vê-la mais uma vez indicada ao próximo Emmy

Com um final catártico, The Handmaid’s Tale nos entregou uma de suas melhores temporadas, fazendo a história de seus personagens progredirem e preparando o terreno para o que, esperamos, seja a finalização desta narrativa tão angustiante.

Pontos positivos

  • Cenas de tirar o fôlego
  • Roteiro fluído e cirúrgico
  • Atuações incríveis
  • Ótima trilha sonora

Pontos negativos

  • O último episódio poderia ser um pouco mais longo.

NOTA: 10