Veredito da 1ª temporada de House of The Dragon

24/10/2022 - POSTADO POR EM Séries
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Uma das séries mais esperadas deste ano finalizou sua primeira temporada deixando várias perguntas para os fãs e ainda a tristeza de que o seu segundo ano não chega tão cedo. Mas será que House of The Dragon cumpriu tudo o que prometeu? É sobre isso que falaremos agora.

Verdes e Negros

Baseada no livro Fogo & Sangue (2018) de George R. R. Martin, a série House of The Dragon narra eventos que aconteceram quase 200 anos antes de Game of Thrones (2011 – 2019). Trata-se de uma época em que os Targaryen estavam em guerra, envolvidos em um momento histórico conhecido como Dança dos Dragões.

No seriado acompanhamos desde a juventude de Rhaenyra Targaryen (Milly Alcock/Emma D’Arcy) e Alicent Hightower (Emily Carey/Olivia Cooke) até a sua fase adulta, pois a série usa e abusa de saltos temporais para focar nos eventos-chave que levaram à guerra.

Depois de ser nomeada como herdeira por seu pai, Viserys I (Paddy Considine), Rhaenyra passa por uma série de conflitos para assegurar o seu lugar no trono de ferro. Especialmente depois que sua amiga, Alicent, casa-se com o rei e produz um filho homem.

Imagem de divulgação de House of The Dragon

Saltos temporais

House of The Dragon conseguiu se manter mais ou menos consistente ao longo de seus 10 episódios, exibidos semanalmente pela HBO. Porém o seu maior problema, a meu ver, foi o uso excessivo de saltos temporais.

Alguns eram mais sutis, mostrando apenas meses de diferença, porém quando passaram a pular anos inteiros então ficou mais difícil de acompanhar. Além da confusão para se situar e preencher as lacunas do que aconteceu com os personagem nesse meio tempo, ainda há o problema das mortes.

Sim, a série não poupou os seus personagens de um fim trágico, uma tradição conhecida desde Game of Thrones. Porém, ao contrário da sua antecessora, House of The Dragon não consegue reproduzir o mesmo impacto quando vemos as mortes de pessoas com quem supostamente deveríamos nos importar. A passagem acelerada do tempo torna tudo muito fugaz e vemos figuras importantes caírem como se fossem nada, uma pena para os atores, que muitas vezes faziam o impossível para passar mais verdade a esses momentos.

Imagem de divulgação de House of The Dragon

Valor de produção

Agora que tiramos essa pedra do caminho podemos nos voltar para outras questões. Fora os saltos temporais é preciso admitir que a produção de House of The Dragon fez o possível para nos entregar a melhor experiência enquanto espectadores.

O seriado conseguiu transmitir muito bem toda a imponência da Casa Targaryen, o que não foi possível ver em Game of Thrones simplesmente por conta de toda a família estar quase extinta. Mas em HoTD isso está presente, os valirianos estão no poder e exibem isso o quanto podem, vide as cenas no Fosso dos Dragões.

O orçamento também ajuda, sendo de cerca de US$ 20 milhões por episódio. Tudo isso está refletido nos cenários, figurinos, ambientação e computação gráfica, especialmente dos nossos queridinhos, os dragões. Um outro ponto positivo, pois o investimento permitiu criar designs diferenciados para as feras, sendo um prato cheio para os olhos.

Imagem de divulgação de House of The Dragon

Conseguiu ser melhor do que Game of Thrones?

A fins de comparação entre primeiras temporadas a resposta é não. O novo seriado não consegue transmitir o mesmo apego emocional com os personagens. Me diga, quem nunca esqueceu a morte memorável de Ned Stark (Sean Bean)? Infelizmente não temos o mesmo efeito aqui, alguns protagonistas apresentados devem ser lembrados sim pelo seu fim, mas o impacto é bem menor.

Um grande culpado disso é, claramente, a quantidade incomoda de saltos temporais. Eu sinto que gostaria de passar mais tempo com aqueles personagens, mas a série não me permitiu, então ficamos com aquele eterno gostinho de quero mais. Provavelmente isso seria suprido se o primeiro ano fosse inteiro focado nas versões mais jovens, assim teríamos mais tempo de se apegar aos protagonistas.

No fim, o seriado consegue nos fazer simpatizar com quem parece realmente importar para fins narrativos: Alicent e Rhaenyra. Mas com um pouco mais de tempo de tela certamente poderíamos gostar de muitos outros.

Imagem de divulgação de House of The Dragon

Veredito

House of The Dragon nos entrega uma temporada instável, porém bem executada. Apenas dos tropeços com a linha narrativa confusa, no geral ela consegue preparar o terreno para a guerra que está por vir e, mesmo que não concordemos, é compreensível o que foi feito.

O valor de produção é inquestionável, transparecendo todo o esmero que tiveram em nos apresentar uma versão diferente desse mundo que já conhecemos. Espero que nas próximas temporadas possamos conhecer novos lugares, pois a falta de núcleos diferentes para acompanhar também faz falta.

Felizmente a série ganha pontos pela excelente direção e em trazer um olhar mais delicado para suas personagens femininas. Aqui não tivemos aquele excesso de cenas de nudez ou de sexo gratuitas, ganhando momentos mias pontuais e que contibuiam para a história. 

Agora só nos resta esperar pela segunda temporada e conhecer qual vai ser o desenrolar dessa guerra. E você, está do lado dos Verdes ou dos Negros?

Pontos negativos:

  • Excesso de saltos temporais
  • Narrativa com altos e baixo
  • Falta de impacto nas mortes

Pontos positivos:

  • Ótima produção
  • Boa direção
  • Bom desenvolvimentos das personagens femininas

NOTA: 8.5/10