Veredito de The Last of Us Part I

04/09/2022 - POSTADO POR EM Jogos
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Originalmente, The Last of Us foi lançado exclusivamente para PlayStation 3 lá em 2013, e ganhou sua versão remasterizada para PlayStation 4 em 2014. O título é sem sombra de dúvidas um dos maiores acertos da Sony e Naughty Dog, provocando uma grande revolução no mercado devido sua história envolvente e gameplay desafiador. 

Após muitos rumores, uma versão remake foi anunciada para PS5 (lançamento em 2 de setembro) e PC (sem data de lançamento) no Summer Game Fest, com a promessa de inúmeras melhorias nos gráficos e jogabilidade. A novidade não foi bem vista pelos fãs, que dispensaram um remake de um jogo lançado em 2013.

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Contexto para novatos

Se você não jogou nem o jogo original e nem o remaster, vamos deixar aqui uma breve sinopse para entender do que o título se trata: 

The Last of Us Part I conta a história de Joel, um sobrevivente abatido que perdeu a filha no início de uma pandemia devastadora que dizimou a população. Ele é contratado para tirar uma adolescente corajosa e madura de apenas 14 anos, chamada Ellie, de uma zona de quarentena militar. Nem tudo são flores e o que começa como um pequeno serviço se transforma em uma jornada brutal pelos Estados Unidos.

Imagem de divulgação de The Last of Us Parte I

História muda? 

Sempre quando falamos em remake, o medo assume o coração dos fãs. O receio de mudanças na narrativa é grande, já que vimos isso acontecer em Resident Evil 3 Remake (2020), onde tivemos diversas partes cortadas da obra original. Porém, pode ficar tranquilo que não temos esse problema na obra da Naughty Dog.

The Last of Us Parte I é exatamente o mesmo jogo de 2013. Nada mudou e tudo que fez sucesso continua bem (personagens, cutscenes etc), principalmente agora com gráficos e efeitos da nova geração de console. Talvez o maior pecado do estúdio tenha sido se ater apenas a isso, e não focou em trazer conteúdo extra de qualidade

Quando digo de qualidade, é porque até existe conteúdo extra, como skins, mas só são desbloqueados quando o jogador finaliza pela primeira vez. Pra mim, isso é bastante frustrante, pois partindo do pressuposto que muita gente já jogou a obra clássica, era melhor que o conteúdo extra estivesse disponível desde o início. 

Além disso, nada impediria que a Naughty Dog tivesse criado um novo conteúdo narrativo no mesmo modelo de Left Behind (DLC lançada em 2014). Poderia ser uma história tanto antes quanto depois dos acontecimentos de The Last of Us. Era uma boa oportunidade para deixar o jogo mais atrativo para quem era fã, mas infelizmente foi desperdiçada.

Por outro lado, se você é um novato na franquia, vale ressaltar que a história do jogo vai mudar sua vida. Tudo que você jogar de agora em diante terá The Last of Us como referência de qualidade, e poucos vão superar esse nível. É inquestionável que Joel e Ellie vão lhe conquistar com aquela relação de pai e filha, e você nunca vai esquecer essa narrativa apocalíptica

Imagem de divulgação de The Last of Us Parte I

Melhorias visuais e sonoras 

O ponto alto do jogo se resume aos recursos da nova geração do console. The Last of Us nunca esteve tão bonito, podemos até arriscar que está melhor que a Parte II (lançada em 2020). A Naughty Dog deu uma caprichada em tudo, dando um destaque mais que especial para os efeitos de iluminação. É assustador o quão belo é o reflexo da água, do sol ou de sirenes. Cada cenário tem suas propriedades únicas, mas o resultado sempre exibe gráficos surpreendentes. 

E só para deixar mais claro ainda: a versão remake é infinitamente mais bonita do que a versão remaster. Entendo até que a sua memória afetiva tenha uma lembrança mais bonita do jogo, mas quando colocado na prática, Parte I é realmente um primor gráfico e demonstra o trabalho dos desenvolvedores, que confirmaram em todo o material de divulgação que o jogo foi construído do zero para PS5.

Outro elemento importante é o som, que passou pelo processo de mixagem e masterização para entregar o Áudio 3D no PS5. Isso é bacana porque permite que o jogador tenha mais precisão sobre as posições dos adversários. Por exemplo: Agora, é muito mais fácil sentir de onde vem o som de um monstro do que na versão de 2013, sem que haja a necessidade de usar o botão R1. Então, basicamente, o Áudio 3D ajuda demais ao jogador se ambientar e garante uma experiência mais sólida e real. 

Porém, há um problema que persiste quando falamos de áudio e até agora não entendemos porque não foi devidamente corrigido no remake. Quando se joga na versão dublada em português, há um problema sério sobre o nivelamento do áudio. Na minha jornada, a fala de todos os personagens se manteve baixa demais, e tive que aumentar o volume da televisão para ter uma compreensão clara das vozes. O problema é porque os efeitos sonoros (como tiro) atuam normalmente. Ou seja, enquanto sua televisão está com o volume alto porque você não escuta as vozes, os sons de tiro saem muito alto. 

Imagem de divulgação de The Last of Us Parte I

Gameplay aprimorado

Quando joguei o remaster lá em 2017, nunca esqueci o quão duro e engessado era o Joel. Felizmente no remake não presenciei isso novamente. Agora, ficou muito mais leve e orgânico controlar o protagonista. Os gatilhos e efeitos do Dualsense também são implementados e deixam as coisas mais gostosas de jogar, e até mesmo matar (rsrs).

Também foram feitas algumas melhorias estéticas seguindo a linha de Parte II. Exemplo: temos o mesmo painel para construção de itens e também a mesma bancada de armas. Efetivamente, não é algo extraordinário que vá justificar a compra do jogo, mas é um ponto de perfumaria que deixa a experiência leve

Fora isso, o NPC está mais inteligente e desafiador. Vi muita gente falando que não mudou nada, mas pra mim mudou sim. Os embates são mais desafiadores, e as chances de morrer aumentam demais. Posso afirmar com toda a certeza que morri muito mais no remake do que no remaster. É perceptível que até mesmo a Ellie se esconde dos rivais com mais aptidão, sem causar aquela sensação que o NPC viu a garota, mas nada aconteceu. Agora, o NPC não vê a personagem e tudo segue com um clima de tensão

Imagem de divulgação de The Last of Us Parte I

Veredito 

The Last of Us Parte I é definitivamente o jogo que nenhum fã pediu, pois todos estavam satisfeitos com o remaster. Diante de tudo que vi e joguei, fica claro que o título foi criado para explorar o segmento de PC, que nunca teve a oportunidade de jogar legalmente na plataforma. A sensação que dá é: Como vou precisar criar uma versão para PC, vou aproveitar para lançar uma versão para PS5

O resultado do remake não é negativo e espero que não me entendam mal, mas não posso deixar de dizer que a Naughty Dog perdeu uma excelente oportunidade de trazer conteúdos extras de qualidade para a franquia. Como o jogo chegou ao preço cheio de R$ 349,90, nada justifica que o fã compre este título no lançamento, já que o melhor é esperar por uma promoção. Agora, para os novatos, o valor já apresenta um melhor custo-benefício e garante a versão definitiva de The Last Of Us, um dos jogos mais premiados da história. 

Pontos positivos

– Gráficos de nova geração

– Melhoria de gameplay

– História fiel ao original 

Pontos negativos

– Problemas no som na dublagem em português 

– Conteúdo extra pobre 

– Preço elevado 

NOTA: 8.5