Nenhum fã estava pronto quando Return to Monkey Island foi anunciado para Steam e Nintendo Switch. Há muito tempo que ninguém ouvia novidades da franquia, e agora os criadores Ron Gilbert e Dave Grossman se reuniram para produzir um novo capítulo da história do pirata Guybrush Threepwood.
O jogo foi publicado pela Devolver Digital, e retoma exatamente onde Monkey Island 2: LeChuck’s Revenge (1991) parou. Então, se você não conhece nada da franquia, é bom dar uma pesquisada na internet e se inteirar dos assuntos.
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História
Com cerca de 10 horas de duração, a campanha consegue envolver e instigar qualquer tipo de jogador. Para os novatos, o jogo consegue dar uma resumida nos principais acontecimentos dos títulos anteriores para que a pessoa não fique perdida. O resumo acaba pecando na ausência de algumas informações, mas cumpre o seu papel com eficiência, o que mostra uma certa atenção dos criadores em agradar novos públicos.
Para quem é fã da franquia, o jogo é um presente e tanto, pois consegue misturar elementos antigos com novos numa maestria impecável, não desmerecendo nada que foi construído no passado. Inclusive, personagens conhecidos estão de volta e fazem participações memoráveis, como Elaine Marley e LeChuck.
Não vamos entrar a fundo na história para não dar spoilers, porém o final pode deixar a desejar para algumas pessoas. Isso acontece porque os primeiros capítulos são bons, mas os últimos vão perdendo qualidade narrativa. É notável que o final deixa uma brecha para um novo jogo, mas só quem vai decidir se teremos ou não, será o sucesso de Return to Monkey Island.
É importante falar que o título está legendado em português brasileiro. O trabalho de tradução é louvável, pois consegue manter a qualidade até mesmo de piadas e brincadeiras nos diálogos dos personagens (que são muitos, viu).
Gameplay
Em Return to Monkey Island, o nosso desafio é encontrar as interações corretas para avançar na história. Não vai faltar personagens para conversar e nem desafios para solucionar. Quando você estiver próximo ao final do jogo, a sua cabeça já deve estar fritando de tanto desafio e puzzle que precisou resolver. Então, mesmo que os elementos visuais passem um tom de “jogo fácil” ou “infantil”, a experiência não é nada disso. Você vai precisar comer o pão que o diabo amassou para conseguir finalizar tudo.
Inclusive, uma coisa que gostei foi a implementação do livro especial. Nele, o jogador pode pegar dicas para se endireitar na história e conseguir resolver os mistérios. A mecânica é interessante porque não dá a resposta em si, mas sugere o caminho ou a pessoa que você possa falar para lhe ajudar. Fora que também não é “obrigatória” e você pode usar somente quando achar necessário.
De modo geral, a minha experiência foi positiva e o jogo funcionou bem no Nintendo Switch. Os comandos são simples e fáceis para que nenhum jogador tenha dificuldade. A regra é clara: Return to Monkey Island é acessível para crianças e adultos.
Gráficos e trilha sonora
Em uma aventura com piratas e mistérios, o que não pode faltar é uma boa trilha sonora. O título da Devolver Digital brilha nesse aspecto técnico e garante momentos únicos para quem decidir viver essa história.
Em relação aos gráficos, o jogo não faz feio e consegue entregar uma variedade de cenários e personagens únicos. É recompensador explorar cada um dos cantos, tanto pelo ganho de itens quanto pela jornada visual. Porém, preciso comentar que o gráfico pode incomodar pessoas mais críticas, já que os elementos 2D e 3D remetem a um estilo muito usado nos anos 2000, e se desvincula da proposta de Tales of Monkey Island (2009).
Veredito
Return to Monkey Island é um excelente surpresa para quem estava com saudades da franquia. O jogo da Devolver Digital sabe muito bem respeitar o passado e trazer novos artifícios para a história de Guybrush Threepwood, como personagens antigos e cenários inéditos. Os puzzles são divertidos e bastante desafiadores, o que deve render pelo menos 10 horas de campanha.
Para os marinheiros de primeira viagem, a jornada deve se tornar um pouco menos interessante, já que não terá a bagagem dos últimos jogos. Isso não quer dizer que o jogo será ruim para essas pessoas, mas certamente não será tão bom quanto quem acompanha desde os primórdios.
Pontos positivos:
- Enredo divertido
- Puzzle desafiador
- Localização em português brasileiro
- Trilha sonora marcante
Pontos negativos:
- Final não deve agradar a todos
- Arte um pouco “datada”
- Jogo pode deixar novatos perdidos na história
NOTA: 8.5/10