Veredito de Pacto Brutal: O Assassinato de Daniella Perez

03/08/2022 - POSTADO POR EM Séries
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30 anos após o brutal assassinato de Daniella Perez, a HBO Max revive os dramas da época em uma minissérie documental de cinco episódios chamada Pacto Brutal: O Assassinato de Daniella Perez, estabelecendo ainda mais o true crime como um subgênero em ascensão nas produções brasileiras dos streamings. 

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Sem margem para dúvidas

A direção de Tatiana Issa e de Guto Barra opta pelo óbvio desde o começo, expondo os reais culpados, sem brechas para especulações sem nexo como as feitas na década de 90.

Não há o habitual embate de narrativas, com a defesa e a acusação equilibradas em força. Já nos primeiros minutos, é cristalino o envolvimento do casal Guilherme de Pádua e Paula Thomaz no crime, acarretando na tentativa do advogado de tumultuar o julgamento com brigas pessoais, como bem mostra o documentário. 

O leque enorme de relatos de amigos da família da vítima contribuem para fechar uma versão firme dos acontecimentos. Fábio Assunção, Cláudia Raia, Cristiana Oliveira, Maurício Mattar, Alexandre Frota, Marieta Severo, Wolf Maya, Eri Johnson e Roberto Carlos são algumas das várias entrevistas presentes na obra, sempre com aspas construtivas.

Imagem de divulgação de Pacto Brutal: O Assassinato de Daniella Perez

Escolha das peças

O 1º episódio é o mais fraco por tentar resumir coisa demais nos 20 minutos iniciais. Se apressa quando deveria ir com calma até chegar o momento de abordar os detalhes do crime.

De resto, são vários méritos: a pluralidade de personagens, a edição com bom timing emocional e habilidade de não deixar um julgamento de 66 horas chato e a ética jornalística. 

Um dos principais questionamentos à obra é por não trazer uma entrevista da Paula ou do Guilherme. Porém, nos 20 minutos finais, entendemos a opção da produção pela ausência dos assassinos: o famoso não dar palco para doido. Ainda mais se um deles é um pastor e a outra é advogada, o que é uma grande ironia, inclusive. 

Diferente do que fez, por exemplo, a Netflix com a minissérie sobre a Elize Matsunaga, dando um tempo de tela absurdo somente para um lado da história.

O caso de Daniella lembra o de Ângela Diniz, assassinada em 1976 no balneário de Búzios, em que seu algoz Doca Street virou celebridade após o crime e ganhou simpatia de muita gente. O retrato de um país doentio que pode ser melhor explicado no ótimo podcast Praia dos Ossos.

Imagem de divulgação de Pacto Brutal: O Assassinato de Daniella Perez

Veredito

A força da Glória Perez na época ao lutar por justiça e ainda hoje ao relembrar cada passo com firmeza é emocionante. A mãe é o fio condutor da história, capaz de mover milhões pelo país para mudar uma lei ultrapassada, enquadrando o homicídio qualificado como crime hediondo.

Pacto Brutal: O Assassinato de Daniella Perez não hesita em exibir imagens fortes da vítima, um pedido da própria Glória, e em omitir um lado da história que já provou em outras oportunidades desejar autopromoção. Somente depois da repercussão da minissérie é que Guilherme enfim pediu perdão aos familiares e admitiu arrependimento.

Um dos bons exemplos de documentários true crime responsáveis, com uma abordagem centrada no lado humano e não midiático e consciente do peso dos relatos escolhidos para o produto final.

Pontos positivos

  • Pluralidade de personagens entrevistados
  • Ética na abordagem mais pessoal e menos sensacionalista 

Pontos negativos

  • Ritmo muito apressado no episódio inicial

NOTA: 8,5