Veredito da 1ª temporada de The Last of Us

17/03/2023 - POSTADO POR https://roteironerd.com/868-cassino EM https://roteironerd.com/cassino-bons

A primeira temporada de The Last of Us chegou ao fim e a série deve ser retomada no final de 2024 ou em 2025, pois as novas gravações ainda não foram iniciadas.

Muito tempo para avaliar o que o ano inicial da produção entregou e quais as expectativas para continuar adaptando um dos jogos de maior sucesso dos últimos anos.

Antes de comentar sobre os episódios, já deixo claro: nunca joguei a obra original e mal assisti gameplay, então não vou cair no papo de “ah, mas no jogo esse momento foi melhor/pior por causa disso e daquilo”. São dois produtos bem diferentes e vou me ater mais aos elementos de linguagem audiovisual que ajudam a conduzir a história. 

Confira abaixo o veredito da primeira temporada de The Last of Us.

Menos é mais

A estrutura inicial era de apenas mais uma série de “zumbis”. Surto começa, pessoas muito queridas morrem, população obrigada a fugir e aflorar o instinto de sobrevivência no meio de um mundo pós-apocalíptico. Os episódios 1 e 2 seguem essa linha, porém, dando sinais de que o foco não seria no perigo dos infectados ou na força de Joel (Pedro Pascal). 

A prioridade não é a ação, mas sim os valores implícitos nos discursos e nas decisões de cada personagem. O roteiro não precisa verbalizar que Ellie (Bella Ramsey) se tornou mais que um serviço lucrativo para o protagonista. Basta deixá-los interagir por alguns minutos, sem muitos cortes, e observar a química dos atores transpondo para o sentimento de seus personagens. Acompanhar esse laço sendo desenvolvido supera qualquer massacre contra Estaladores ou Baiacus.

Se Joel virasse uma espécie de John Wick em todo episódio, “passando o rodo” em infectados e em humanos com os quais não compactua, o medo da perda de Ellie não seria o mesmo. É preciso cautela para não abusar de um artifício ao ponto de torná-lo ineficiente.

“Em um programa de televisão não há elementos de gameplay. Se estivéssemos constantemente matando as pessoas, isso se tornaria um pouco entediante; a violência deixa de ser significativa”, explicou o criador Craig Mazin em entrevista à SONY.

Imagem: Divulgação

Pontos de virada

The Last of Us reforçou essa proposta distinta ao apostar em capítulos que não façam a missão principal dos protagonistas progredir. O 3°, 6° e 7° estão mais preocupados em expandir o horizonte daquele microcosmo além do intervalo espaço-tempo típico de um jogo.

São pontos de fôlego e de reflexão que exigem um investimento do público pelo lado sentimental, ao invés das breves catarses que uma sequência de luta contra infectados pode render.

Uma vez que a série retorna ao núcleo de Joel e Ellie após essas pausas, o peso sobre a relação deles aumenta e a conexão emocional do espectador não é mais a mesma. 

Apesar disso, não há como negar que o salto do, por exemplo, quebrou o ritmo no meio de um fato marcante e possa causar mais ansiedade do que simpatia pela expansão do passado de Ellie.

Imagem: Divulgação

Veredito

A HBO garantiu mais uma galinha de ovos de ouro com essa adaptação. O sucesso de audiência e a recepção positiva do público mostra que a explosivas comunidades gamers e cinéfilas entraram em consenso.

O gancho para a temporada seguinte foi, de certa forma, anticlimático se compararmos ao nível dramático que a série apresentou. 

Porém, os dois últimos episódios confirmaram que Ali Abbasi (Holly Spider e Border) é uma potência na direção e merece mais oportunidades tanto no 2° ano quanto em filmes. A noção de campo pelos espaços, do ritmo de terror e da dinâmica entre as performances foram incríveis. 

A subversão do heroísmo de resistência para um egoísmo compensatório estabelecido tão naturalmente em só 9 episódios é mérito de pouquíssimas obras.

Fica a expectativa para a manutenção dessa eficiência discursiva voltada aos conflitos morais e da paciência para tratar uma história que é muito maior que qualquer jogo de pós-apocalipse.

Pontos negativos:

  • Momentos anticlímax nos episódios 7 e 9

Pontos positivos:

  • Química sensacional entre Pascal e Ramsey
  • Expansão narrativa além do núcleo principal 
  • Abordagem trabalhada no conflito moral dos protagonistas 

NOTA: 9/10