Depois de Returnal, era impossível não criar expectativas para Saros, o novo exclusivo de PlayStation 5 desenvolvido pela Housemarque. O estúdio ficou conhecido por transformar o gênero roguelite em algo mais intenso, cinematográfico e viciante.
Mas a pergunta que realmente importa é: Saros vale a pena? Confira agora a nossa análise do jogo!
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História fragmentada
A história de Saros não entrega tudo de bandeja, e isso é ótimo. No controle de Arjun Devraj, um explorador enviado ao misterioso planeta Carcosa, a missão inicialmente parece simples. Mas rapidamente fica claro que aquele lugar esconde muito mais do que aparenta. Há ruínas, memórias fragmentadas, ecos de uma antiga civilização e um fenômeno recorrente que altera completamente a realidade do ambiente.
Carcosa não é apenas um cenário. Ele é um personagem. Cada nova área descoberta reforça a sensação de isolamento, estranheza e desconforto. Existe algo constantemente errado naquele lugar, e isso funciona muito bem para sustentar a narrativa.
O roteiro aposta em uma construção fragmentada, revelando detalhes aos poucos. É aquele tipo de história que exige atenção e recompensa quem observa. Em alguns momentos, porém, ele parece gostar demais de esconder suas cartas, deixando algumas respostas vagas demais. Não chega a frustrar, mas dá a sensação de que havia espaço para explorar melhor certos temas.
Roguelite não é para todo mundo
Se existe um gênero que exige insistência, é esse. E Saros não faz nenhum esforço para parecer acessível. Ele quer que você morra. Quer que você falhe. Quer que você volte ao início e tente de novo.
No começo, isso pode soar cruel. Depois de algumas horas, começa a fazer sentido. O loop é extremamente viciante: explorar, enfrentar ondas de inimigos, coletar melhorias, montar uma build promissora, avançar um pouco mais… e morrer para um erro bobo. Então você reinicia. E vai de novo.
A grande força do jogo está em fazer esse processo parecer recompensador, mesmo quando ele está te punindo. Mas é importante dizer: isso afasta muita gente. Quem não tem paciência para repetição ou não gosta de aprender por tentativa e erro provavelmente vai bater em uma parede logo cedo.
Combate intenso
Se a história é boa, o combate é excelente. Aqui está o grande motivo para continuar jogando. Tudo em Saros gira em torno de movimentação. Você está sempre correndo, desviando, reposicionando e buscando uma pequena janela para atacar. A sensação de controle é fantástica.
A esquiva continua sendo essencial, quase um reflexo automático depois de algumas horas, mas o jogo introduz novas ferramentas defensivas que ajudam a criar variedade nas estratégias. Não é só sobreviver, é aprender como sobreviver melhor.
O arsenal também impressiona. Cada arma muda completamente o ritmo da partida. Algumas favorecem precisão, outras pura agressividade. Algumas pedem distância; outras te obrigam a encarar o perigo de frente.
É um sistema que incentiva experimentação o tempo todo, e isso é fundamental em um roguelite.
Visual nem sempre impressionante
Artisticamente, o jogo é muito bonito. Carcosa é estranho, desconfortável e fascinante. Cada região transmite uma identidade visual própria, e isso ajuda muito na imersão. Tecnicamente, porém, ele não impressiona o tempo inteiro.
Há momentos em que o visual parece pronto para mostrar o poder do console, e outros em que ele parece menos caprichado do que deveria. Algumas texturas, alguns personagens secundários e pequenos problemas de performance quebram um pouco o encanto. Nada grave, mas dá para perceber.
Vale a pena?
Sim, mas depende de quem está segurando o controle. Saros não é um jogo que tenta agradar todo mundo, e talvez isso seja uma de suas maiores qualidades. Ele sabe exatamente o que quer ser: um roguelite intenso, desafiador e, às vezes, cruel.
Para quem gosta do gênero, é uma recomendação fácil. Para quem nunca experimentou algo assim, talvez seja um começo duro demais. Mas existe algo muito especial na forma como ele transforma frustração em recompensa. Poucos jogos conseguem fazer isso tão bem.
A Housemarque não reinventou sua fórmula, mas mostrou que ainda sabe aperfeiçoá-la, e isso já é mais do que suficiente.
Pontos positivos
- Combate frenético e satisfatório
- Ambientação forte e bem construída
- Ótima variedade de armas e builds
Pontos negativos
- Repetição pode cansar
- Curva de dificuldade agressiva
- Alguns problemas técnicos tiram parte do brilho
- Narrativa poderia amarrar melhor certas ideias