Nem todo metroidvania precisa reinventar o gênero para chamar atenção, mas precisa, no mínimo, ter personalidade. E Possessor(s) tem isso de sobra. O novo jogo da Heart Machine chega cercado de expectativa, apostando em um visual bonito, combates intensos e uma atmosfera que prende desde os primeiros minutos. A pergunta é: isso basta para transformá-lo em uma experiência memorável?
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Uma história sobre sobrevivência
A premissa de Possessor(s) já é interessante por si só: Luca, uma jovem sobrevivente de um evento catastrófico, acaba dividindo o próprio corpo com uma entidade chamada Rhem. Não é uma parceria voluntária. Muito pelo contrário. É uma coexistência desconfortável entre duas consciências que precisam aprender a sobreviver juntas. E essa relação funciona muito bem.
Ao longo da campanha, o jogo constrói uma dinâmica interessante entre os dois. Luca é impulsiva, emocional, movida por dor e raiva. Rhem é calculista, racional e claramente esconde mais do que revela. Essa oposição gera bons diálogos e dá ao jogo um peso narrativo que vai além do combate.
O pano de fundo também ajuda. A cidade onde tudo acontece está em ruínas, tomada por entidades e objetos corrompidos, criando uma ambientação que mistura abandono, estranheza e constante sensação de perigo. É um mundo que dá vontade de explorar.
Como metroidvania, acerta no básico
Possessor(s) é um metroidvania funcional. Você desbloqueia habilidades, revisita áreas antigas, encontra segredos e abre novos caminhos. Tudo que se espera do gênero está presente. Mas quase nada surpreende.
A progressão é guiada, mesmo quando o mapa tenta sugerir liberdade. As habilidades de locomoção funcionam bem, porém são usadas de maneira previsível. E a exploração, embora prazerosa no começo, vai perdendo impacto com o passar das horas.
Os confrontos exigem leitura dos inimigos, domínio do tempo e uma boa dose de reflexo. Felizmente, o jogo responde muito bem aos comandos, o que faz toda diferença em um título desse estilo.
Os chefes merecem destaque especial. São os momentos em que o jogo mais brilha, exigindo aprendizado real e entregando aquela sensação clássica de recompensa depois de várias tentativas.
Não falta competência. Falta ambição. É aquele tipo de jogo que faz tudo certo… mas raramente faz algo memorável.
Direção de arte impecável
Se existe algo que ninguém pode tirar de Possessor(s) é sua personalidade visual. A Heart Machine continua mostrando que entende como poucas o poder da direção de arte. O contraste entre cenários tridimensionais e personagens em 2D cria uma estética própria, que faz o jogo ser reconhecível em segundos.
Tudo parece cuidadosamente desenhado para criar atmosfera. Mesmo nas áreas mais repetitivas, existe um cuidado visual que sustenta a experiência. A sensação constante é de estar explorando um mundo quebrado, mas ainda pulsante.
A trilha sonora acompanha esse sentimento. Ela não tenta roubar protagonismo, mas reforça muito bem a melancolia e a tensão da jornada.
Vale a pena?
Possessor(s) é um metroidvania estiloso, sólido e divertido, que acerta especialmente no combate e na construção de atmosfera. Falta ousadia em sua estrutura e criatividade maior na exploração, mas isso não impede que seja uma experiência muito recomendável para fãs do gênero.
Pontos positivos
- Combate rápido e satisfatório
- Excelente direção de arte
- Boa construção narrativa entre Luca e Rhem
- Chefes memoráveis
Pontos negativos
- Exploração previsível em alguns momentos
- Variedade limitada de inimigos
- Estrutura segura demais
- Poderia arriscar mais nas mecânicas