Veredito de O Príncipe Cruel

24/05/2021 - POSTADO POR EM HQs/Livros
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O Príncipe Cruel é o primeiro livro da trilogia O Povo do Ar, da autora Holly Black e lançado em 2018 nos Estados Unidos. Foi publicado pela Galera Record no Brasil no mesmo ano.

A editora irá lançar em julho deste ano um box com os três volumes da série, além do spin-off e conteúdos extras da saga. Por conta disso nós resolvemos falar pra vocês tudo sobre a obra que dá o pontapé inicial nesta história de fantasia. Confere aí!

A cruel verdade

Quando criança, Jude Duarte acreditava que iria viver uma vida comum ao lado de seus pais, sua irmã gêmea e sua meia-irmã (não tão comum assim). Até que um homem estranho lhe bateu à porta e assassinou seu pai e sua mãe bem na sua frente. 

Sem ter para onde ir, a garota acompanhou o verdadeiro pai de sua meia-irmã para o reino dos feéricos (fadas), e descobriu toda a cruel verdade que seus pais buscavam esconder de todos: fadas existem, e mesmo que elas não possam mentir, não quer dizer que sejam tão boas assim.

Anos se passam, e Jude já está familiarizada com aquela realidade à qual foi submetida. Contudo, ela continua sendo apenas uma humana dentro daquele reino, assim mesmo que saiba como evitar os pequenos truques que os feéricos tentam pregar nela e que seja protegida pelo general Madoc, não há uma forma de esquecer seu ressentimento. Principalmente quando se trata do jovem Príncipe Cardan e sua pequena corte. 

Então, Jude luta diariamente para se tornar uma cavaleira naquele reino e ter um lugar seu por conta própria, pena que isso não será dado a ela tão fácil. Até que a garota vê sua chance quando o irmão mais velho de seu pior inimigo lhe oferece uma oportunidade.

– Cansada do que, docinho? – pergunta a criatura.
Dou um suspiro e respondo com sinceridade pela primeira vez.
– De ser impotente.

O Príncipe Cruel, pág. 30.

Livre de influências

O Príncipe Dain, principal herdeiro da coroa, é quem parece enxergar os maiores trunfos que Jude possui: ser uma simples humana dentro do reino dos feéricos e a sua capacidade de mentir. Com isso, Dain a recruta para sua seleta Corte das Sombras como uma espiã, buscando receber informações promissoras de seu segundo irmão, o Príncipe Balekin, que ele tem certeza de querer usurpar seu lugar na linha sucessória.

Vendo essa chance como sua única forma de alcançar um espaço dentro da corte por conta própria, Jude aceita, mas com uma condição: o Príncipe deve conceder seu maior desejo e a deixar livre da influência dos feéricos. Aceitando seu pedido, Dain torna a jovem imune ao poder de fala das fadas, com exceção dele. E com isso, a protagonista se torna espiã de quem todos acreditam ser o próximo Rei de Elfhame.

Os planos parecem acontecer de forma esplêndida e mesmo sendo subestimada em casa, Jude parece focada em surpreender todos com seus planos. Até que o pior ocorre e ela entra em um jogo de adultos que ninguém imaginou que aconteceria.

Eu contei essa história toda errada. Tem coisas que eu deveria ter dito sobre crescer no Reino das Fadas.

O Príncipe Cruel, pág. 46.

Ganância vs Poder

O Príncipe Cruel tinha tudo para ser mais um simples livro de fantasia, mas o que muda nele é seu foco, que não é o romance e a magia, mas sim a ganância e o poder desde o início. O livro mostra uma protagonista que poderia sofrer com traumas pesados e levar isso em toda a narrativa, mas que toma a decisão de seguir em frente e lidar com essas questões de outra forma, e isso é inovador.

Além disso, temos uma humana como protagonista no meio de seres fantásticos e conseguindo lidar com situações difíceis, mostrando que muitas vezes a astúcia e lógica poderiam vencer vantagens impostas àqueles que tivessem a chance e ambição. Jude é uma protagonista que não quer ser uma feérica, mas sim ser aceita e fazer parte daquele mundo como ela é.

“Conhecimento é poder” também é outra ideia que se leva durante esse livro, e todos parecem querer de alguma forma isso… Menos Cardan, que já o teve a vida toda o gosto cruel de viver com o poder, e por isso abomina a Coroa. O jovem Príncipe não é um personagem fácil de se gostar, ou também a protagonista, e mesmo que haja aquela atração entre eles, o leitor fica confuso quanto ao que sentir por isso, tendo em vista todos os momentos trocados entre eles.

– Porque sua sorte é péssima e a minha é ótima. Faça o que eu mandar e vou adiar o prazer de machucar você.

O Príncipe Cruel, pág. 226.

Veredito

Nessa trilogia, os feéricos discutem muito o poder da verdade e das palavras. A autora decidiu manter o fato de que os seres não podem mentir, e adicionou a temática da “liberdade de expressão” e o quanto uma frase possui vários significados. Isso pode deixar os leitores confusos com a ordem de termos e até mesmo das ações que seguem posteriormente, por isso o livro exige concentração em diversos diálogos.

Outro ponto sobre a obra são os personagens secundários, que se dividem entre bem construídos e completamente descartáveis, não conseguindo às vezes encontrar o meio termo na narrativa. Ou você os ama ou os esquece completamente, e a história deles não traz tanta relevância para o livro em si, a não ser para se compreender melhor a interação dentro do mundo das fadas e dos seus poderes.

O Príncipe Cruel também é um romance ótimo para quem gosta de protagonistas fortes e empoderados e reinos mágicos ricos em detalhes. A narrativa é em primeira pessoa, e cria reviravoltas boas dentro desse primeiro livro, o suficiente para despertar a curiosidade dos leitores, além do gosto pelos personagens e pela forma de escrita.

Pontos positivos

  • Protagonista ambiciosa e empoderada
  • Narrativa rica e em primeira pessoa

Pontos negativos

  • Personagens secundários descartáveis

NOTA: 8