Veredito de Jim Jones Profile: Massacre em Jonestown

03/11/2022 - POSTADO POR EM HQs/Livros
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Jim Jones Profile: Massacre em Jonestown é um dos novos lançamentos mais recentes da DarkSide. Dentro das categorias Biografia e Crime Scenes, o livro vai narrar, na percepção do jornalista Jeff Guinn, também responsável pela biografia de Charles Manson, o maior suicídio coletivo da História. Confira o que achamos da obra.

Indiana e a Guerra Nuclear

Iniciando pelo fim, o livro vai te apresentar a primeira visita ao campo de Jonestown, e o que lá foi testemunhado. Depois, se voltando para o início, a obra narra a origem de Jim, passando por sua juventude nebulosa, seu casamento com Marceline, as adoções que fez, sua “família arco-íris”, chegando até sua vida como um pastor carismático e já ambicioso.

As ideias socialistas de Jim Jones pareciam agradar uma parte da população, e seu foco na comunidade negra para fazer suas ambições reais, deixava a todos que ouviam intrigados. Principalmente por se tratar de uma época em que a divisão racial era tão explícita e a Guerra Fria estava apenas começando, e nela, seu maior medo: um ataque nuclear.

É interessante apontar como, mesmo que os membros tivessem entrado no Templo Popular (como era conhecida sua igreja) por conta das falas sociais de Jones, seu maior objetivo sempre foi agregar fiéis para si. Jim pregava para que os próprios chegassem a essa conclusão, sem que ele precisasse ser explícito, enquanto também fazia críticas ao Deus cristão aos seus membros mais próximos, inclusive, sua família. Marceline chegava a sofrer abusos por não acreditar na divindade do marido.

“Embora presa a um marido incapacitado e com idade para ser seu pai, Lynetts estava feliz por casar com um homem de família abastada. Pretendia ter uma vida mais digna, talvez alguns luxos. Ledo engano.”

Jim Jones Profile: Massacre em Jonestown, pág. 24.

Guiana

Focando em unir o seu poder de influência com a segurança de um ataque nuclear, Jones levou seus fiéis para a Guiana em 1977. Sua esposa, Marceline, ficou nos EUA para liderar o Templo Popular, enquanto seus filhos e a amante de Jim seguiram para a próxima etapa. Para o pastor, foi o momento certo. Uma dupla de jornalistas havia acabado de publicar tudo, não apenas sobre a igreja, mas sobre o passado de seu líder.

Chegando em Jonestown, os problemas só aumentaram. Antes da chegada de Jim, os habitantes que lá estavam para construir a cidade conseguiam viver de forma tranquila. Com a vinda do pastor, o número de moradores aumentou de forma preocupante, chegando a mais de 900. A maioria era obrigada a dividir casebres com até 12 pessoas, sendo papel higiênico um item de luxo, enquanto Jones e sua família gozavam de diversas regalias.

Não demorou para que houvesse desistências, o que fez a paranoia de Jim Jones aumentar de forma assustadora. Para ele, as pessoas precisavam acreditar que eles seriam invadidos pelos governos (dos EUA e Guiana) por suas crenças ideológicas e sociais, para que continuassem a também acreditar no lugar prometido e na sua divindade. Para piorar, o pastor estava sofrendo um processo de guarda pelo filho John Victor, com quem havia tido com sua amante na época, Grace, esposa do seu antigo advogado, Tim Stoen

Sua paranoia escalou até o ponto de que a única forma que Jones viu para não perder foi levar todos com ele, de um jeito ou de outro, e o maior suicídio em massa aconteceu numa noite de novembro.

” ‘Eu me apaixonei depressa por Jonestown’, revelou Laura Kohl. ‘A energia de lá era fantástica’. Mas então Jim Jones chegou, e tudo mudou.”

Jim Jones Profile: Massacre em Jonestown, pág 368.

Veredito

Essa foi uma das biografias mais densas e pesadas que já li. Aos aficionados por true crime não é possível desconhecer a história de Jim Jones, mas Jeff Guinn relata não apenas a história, como também informações tão precisas e depoimentos tão honestos, que a cada passo do livro – que, em seus vários capítulos, é dividido em três partes (além de um glossário) – o leitor se vê curioso e tenso.

Não há como negar que essa história é trágica em diversos pontos, e além de conhecimento, não há o que se tirar dela. Triste do começo ao fim, esse livro é direcionado a um público muito específico, e que sem dúvidas, vem para narrar de forma objetiva, um capítulo muito sombrio de uma narrativa com vários personagens.

Jim Jones Profile: Massacre em Jonestown ainda toca em vários pontos bastante sensíveis, como abuso físico, psicológico e sexual, além da própria questão do suicídio, então fica aqui o aviso de gatilho caso você se interesse em conhecer mais sobre o livro.

Pontos positivos:

  • Conhecimento
  • Escrita

Pontos negativos:

  • Temática densa, não é para todos
  • Gatilhos

NOTA: 9