O Conto da Aia: 7 diferenças entre o livro e a série

04/07/2021 - POSTADO POR EM HQs/Livros
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A quarta temporada de The Handmaid’s Tale (2017 -) estreou em junho, e para comemorar o lançamento, a Rocco trouxe novas versões dos livros de O Conto da Aia (1985), que inspirou a série. Nós recebemos essas edições e hoje viemos aqui contar para vocês algumas das diferenças entre a icônica obra e sua adaptação.

O Conto da Aia é adaptado sumariamente para a primeira temporada da série, mas algumas passagens foram usadas também nos anos posteriores. Como adaptação, o seriado é bastante feliz, mas lendo o livro você percebe uma nítida diferença na personalidade da protagonista.

A obra é uma distopia da consagrada autora Margaret Atwood e retrata um mundo que sofreu uma grave queda na taxa de natalidade. Para resolver isso, foi criada a República de Gilead. Fundada sobre alguns preceitos religiosos, ela aposta em uma sociedade na qual muitas mulheres foram forçadas a se tornar barrigas de aluguel.

ATENÇÃO! O TEXTO A SEGUIR CONTÉM SPOILERS DA SÉRIE THE HANDMAID’S TALE.

1. Sem nome

Logo na primeira temporada da série, descobrimos que o nome da nossa protagonista é June, porém no livro isso nunca é falado. Os outros, e até ela mesma, só a referem como Offred. Esse nome significa “de Fred”, pois “of” é “de” em inglês e Fred o nome do seu Comandante, ou seja, eles estão afirmando que a aia agora é uma propriedade.

Durante a leitura do livro, o nome June é mencionado em um dos flashbacks de Offred, mas não existe a confirmação de que ele pertença à protagonista. Fica a cargo do leitor escolher usar esse ou não.

Imagem: Divulgação

2. Personalidade de Offred

Ao contrário do que acontece no seriado, no qual June se torna uma força ativa de resistência quase que desde o começo, no livro a personagem de Offred é bem mais passiva. Não que ela esteja “ok” com tudo que acontece, mas ela parece resistir bem menos ao regime.

Como a obra é narrada em primeira pessoa, nós acompanhamos todos os pensamentos da protagonista e o que ela acha daqueles que estão à sua volta. Parece uma trama bem mais introspectiva e contemplativa do que no seriado, mas talvez isso não ficasse bom na adaptação tendo em vista o que era planejado para as futuras temporadas.

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3. Relações exteriores

Na série, pudemos ver algumas relações diplomáticas estabelecidas por Gilead, que, mesmo sendo um regime ditatorial, não é autossuficiente. Vimos cenas como a visita da federação mexicana à casa em que June estava e também o casal Waterford indo até o Canadá. 

No livro não temos esse vislumbre, pois as aias quase nada ficam sabendo do que acontece no mundo exterior. Na TV é falado sobre a guerra com outros países, mas Offred acredita que é tudo manipulação. Existe também outro momento em que a aiaturistas japoneses visitando a cidade.

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4. Personagens da casa

A composição da casa onde Offred fica muda um pouco pela presença de outra Martha, Cora, que tende a ser mais gentil com a aia do que Rita, que no livro é mais velha do que no seriado. De funcionários também temos Nick, que se envolve da mesma maneira com a protagonista.

Serena Joy e o Comandante também tem uma aparência mais velha, o que só acentua a questão da infertilidade. Offred fica mais próxima do chefe da casa ao ser chamada em seu escritório, assim como acontece na série, mas no livro ele parece mais gentil e menos maniqueísta aos olhos dela, apesar de ela ainda ter noção do quão errada essa pessoa é.

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5. Mayday

No livro, o grupo de resistência Mayday acaba tendo uma participação menos ativa do que na série. Offred é muito perceptiva, então ela vê alguns elementos pela casa que podem ter saído de um mercado clandestino, e com isso acaba imaginando que também deve existir algum tipo de associação lutando contra o regime.

Em determinado momento, descobrimos que Ofglen, que é companheira de compras de Offred e na série foi identificada como Emily, também faz parte da resistência. Ela fornece algumas informações e tenta convencer a outra aia a participar do grupo, mas como dissemos antes, a personalidade da protagonista não pende para esse lado.

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6. Onde estão Luke e os outros?

Uma das principais vantagens oferecidas pela série de TV em relação à obra literária é a possibilidade de explorar os caminhos de outros personagens. Como é tudo narrado por Offred, não temos como saber o que aconteceu com Luke, Moira e os outros, a não ser que ela mesmo presencie ou seja informada.

Offred divaga muito sobre os destinos dessas pessoas, ela imagina várias histórias para Luke e sempre que pode vai ao Muro, onde são postos alguns mortos para servirem de exemplo, para ver se ele está lá. A aia ainda consegue um vislumbre de informação sobre sua filha e sobre Moira, mas é tudo bem limitado.

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7. O futuro de Gilead

Talvez uma das partes mais interessantes do livro seja o seu epílogo. Nele, presenciamos um simpósio acadêmico vários anos no futuro e que acontece bem depois da queda de Gilead. Ele é dedicado a discutir alguns fatos sobre o país, incluindo o relato que acabamos de ler. 

Neste capítulo temos acesso a várias informações do surgimento de Gilead, como estava o mundo naquela época e como foram construídos os seus fundamentos. Para os fãs que gostam de teorizar isso é um prato chato, principalmente porque serve para apontar alguns rumos que a série de TV ainda pode tomar.

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Bônus – As construções narrativas

O Conto da Aia é estritamente paralelo e diferente de sua adaptação televisiva ao mesmo tempo. Enquanto o seriado nos coloca no centro de uma história revoltante, mas ainda assim emocionante, o livro acaba levando a uma jornada bastante pessoal.

É difícil julgar Offred por não ser como a nossa June, porém basta se colocar no lugar dela por um minuto. Não temos como exigir de todas as pessoas que eles sejam heróis; alguns só buscam pela sobrevivência, o que em muitos casos já é difícil o suficiente.

Uma vantagem da edição nova da Rocco é que ela traz um posfácio escrito pela própria autora no ano de estreia da série. Nessas páginas, Margaret comenta um pouco sobre o processo de escrita do livro, assim como algumas perguntas comuns trazidas pelos fãs. Essa parte nos ajuda a refletir ainda mais sobre a história que acabamos de ler.

Se você é fã da série e ainda não leu o livro, aqui está a sua chance. Essa ainda é uma história que merece ser lida e apreciada por conta de todos os seus temas: maternidade compulsória, o papel da mulher na sociedade, sobrevivência em tempos de crise e resistência.

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