Veredito de O Telefone Preto

20/07/2022 - POSTADO POR EM Filmes
Post thumbnail

Finalmente chegará aos cinemas o novo filme da Blumhouse. Prometido para 2021, O Telefone Preto acabou sendo adiado várias vezes. O longa é dirigido por Scott Derrickson, mesmo diretor do terro/suspense A Entidade (2012). Conferimos o título e vamos contar nossas impressões.

Suspense cadenciado

Finney Shaw (Mason Thames) é um garoto de 13 anos que vive com seu pai e sua irmã mais nova Gwen (Madeleine McGraw). Eles moram em Denver, uma cidade norte-americana assombrada por sequestros em série. Um dia, voltando para casa após a escola, Finney é sequestrado Grabbler (Ethan Hawke), que o tranca em um porão onde há apenas um colchão e um velho telefone preto, o qual segundo o criminoso não funciona, mas ele acaba recebendo ligações um tanto suspeitas.

O roteiro do filme é bem enxuto, o que reflete na curta duração, apenas 1h43min. Dividido em três atos, o longa inicia mostrando um pouco de Finney e sua dinâmica familiar, depois o sequestro e os perigos que ele passa no cativeiro e, por fim, o desfecho. O filme tem pouquíssimos sustos, mas eles são bem elegantes, pois a trama consegue com maestria ir construindo uma aura de mistério de forma bem cirúrgica.

O sequestrador foi muito bem construído. Apesar de aparecer sem máscara apenas em duas ou três cenas, Ethan consegue imprimir uma aura imponente de medo e deixar o público nervoso e curioso a cada vez que ele aparece em cena. Aliás, quero deixar bem claro aqui que a máscara escolhida por si só já assusta bastante e ajuda a dar medo mesmo naqueles que dizem não se sentir assustados.

Imagem: Divulgação

Sequestros nos anos 1970

Se você curte histórias de crimes, sabe que na década de 1970 existiam inúmeras histórias de sequestros e serial killers. Um exemplo disso, e que voltou à tona recentemente, está no documentário O Caso Evandro (2021), disponível na Globoplay e criado pelo jornalista Ivan Mizanzuk.

Mesmo assim, o longa não é inspirado especificamente em um acontecimento real, sendo a adaptação de um conto publicado em 2004 por Joe Hill, filho de Stephen King. Mas de toda forma, o diretor acabou se inspirando em memórias de infância sobre várias histórias de violência no centro-oeste norte-americano. O fato é que essas lembranças ajudaram a dar um toque bem autoral e único ao filme.

Imagem: Divulgação

Veredito

O Telefone Preto é com toda certeza um filme bem elegante e instigante. Porém, para quem procura por um longa de sustos, essa não é uma boa pedida, já que estes são poucos. O terror e suspense são construídos de forma gradual e quando o espectador menos espera, voilà! 

O roteiro é inteligente ao trazer a adaptação de um conto toques pessoais e tentar dar à história uma certa dúvida se é real ou não o que estamos vendo em tela. Além disso, a trama consegue construir personagens interessantes e com uma personalidade única. Porém, um problema que vemos aqui é que o filme não se aprofunda tanto na dinâmica entre pai e filho.

A direção é dinâmica e toma decisões interessantes ao escolher o que será mostrado, além de não ser nenhum pouco cansativa. A escolha dos enquadramentos também ajuda muito na narrativa.

Pontos positivos

  • Direção
  • Atuação
  • Roteiro

Pontos negativos

  • Falta de aprofundamento na dinâmica entre pai e filho

NOTA: 10