Veredito de O Homem do Norte

11/05/2022 - POSTADO POR EM Filmes
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Nesta quinta (12), finalmente chega aos cinemas brasileiros O Homem do Norte (2022). Lançado nos Estados Unidos em março de 2022, o novo filme de Robert Eggers, responsável por A Bruxa (2015) e O Farol (2019) estava sendo aguardado ansiosamente pelo público. Conferimos o longa em uma sessão especial e contamos as nossas impressões a seguir.

Enredo

Após o assassinato do rei Horvendill (Ethan Hawke) pelas mãos de seu próprio irmão, quem deveria assumir o trono era o seu filho Amelth (Alexander Skarsgård), mas o menino acaba fugindo para não ser morto. Durante vinte anos, o garoto sobrevive com um grupo de eslavos que saqueiam aldeias, até que ele decide voltar para finalmente colocar em prática seu plano de vingança.

O filme é baseado em uma obra de Shakespeare que já foi inúmeras vezes revisitada: Hamlet – porém dessa vez o roteiro mescla a história com a lenda escandinava de Amelth. Segundo ela, o tio envia o jovem Amelth para Inglaterra para que seja executado, porém o garoto consegue alterar a carta que ordena o seu destino fatal. Diferente da lenda, o príncipe não é mandado para lugar algum, mas precisa ser esperto o suficiente para conseguir sobreviver longe de onde cresceu.

O enredo do filme, apesar de interessante, deixa o espectador um pouco confuso, já que não consegue introduzir tão bem a trama. O primeiro ato acaba sendo muito corrido, o que deixa quem está assistindo se perguntando como é a dinâmica de Amelth e sua relação com os outros ao seu redor. O segundo ato é longo demais, chegando a ser até um pouco redundante, mas a ação consegue deixá-lo um tanto interessante.

Imagem: Divulgação

Fatores marcantes

O farto orçamento de O Homem do Norte gerou grandes expectativas no público. Foram gastos US $90 milhões de dólares no longa, enquanto O Farol, filme anterior do diretor, custou apenas 11 milhões e teve uma excelente recepção de público e crítica. Porém, apesar de um maior orçamento, alguns dos desejos de Eggers não foram atendidos, tendo sua visão criativa ligeiramente podada. Alguns elementos não puderam ser mostrados no filme (como a nudez parcialmente oculta durante algumas lutas), entretanto o filme ainda ostenta cenas de sexo e corpos despidos.

O filme também marca o retorno da cantora e atriz Björk depois de 22 anos afastada das telonas. A irlandesa vive uma espécie de vidente no longa, com visual bem diferente, mas que combina demais com sua personalidade. Os poucos minutos que Björk tem em tela são o suficiente para deixar os fãs da artista satisfeitos.

O protagonista Alexander Skarsgård sempre quis viver um viking no cinema. Em entrevistas, o ator sueco declarou que sempre gostou de assistir junto com o pai filmes dos anos 1960 que possuíam uma temática nórdica, o que contribuiu para que ele se sentisse confortável para viver Amelth. Além disso, ele não precisou sair tanto de sua zona de conforto em sua preparação física para o papel, já que ele já tinha um porte musculoso, precisando apenas ajustar a dieta e manter uma rotina de treino.

Imagem: Divulgação

Veredito

O Homem do Norte é com certeza um filme em que dá pra perceber o quanto um grande orçamento contribui para a fotografia e a direção de arte, porém não são só esses fatores que ajudam um longa a ser bem sucedido. E esse é o problema aqui. Enquanto visualmente tudo é espetacular, o conteúdo do roteiro deixa a desejar.

A premissa é sim bem interessante, mas por ter atos divididos de forma completamente desajeitada, o filme nos deixa com um sentimento de que algo está faltando. E realmente está. Falta um elo de ligação entre eles, o que ajudaria a história a ser mais fluída e traria uma conexão maior entre o público e os personagens. A trilha sonora é algo que também incomoda bastante. Ela parece estar ali só para cumprir tabela, ficando completamente desconexa do filme.

Quanto às atuações, não existe nenhum ponto negativo. Na verdade, é interessante notar como até aqueles que receberam pouquíssimo tempo de tela conseguiram entregar algo relevante. O destaque aqui vai para Nicole Kidman, que consegue tão bem dar vida à rainha Gudrún.

Pontos Positivos:

  • Atuação
  • Fotografia
  • Direção de arte

Pontos Negativos:

  • Trilha sonora
  • Roteiro

Nota: 7