Veredito de Luca

23/06/2021 - POSTADO POR EM Filmes

Ir embora da sua cidade ou do seu país é um desejo que todos já tiveram, seja qual for o motivo. De toda forma, é um difícil processo de amadurecimento, ainda mais em um novo ambiente em que você não se encaixa com facilidade.

Luca, nova animação da Pixar lançada no Disney+, é o clássico exemplo de história de fuga e autodescobrimento que tanto conhecemos ao longo das obras da Disney. Confira nosso veredito.

Piacere, Luca

Uma vez superado o medo pelo desconhecido, a vontade de desbravá-lo só aumenta. Para Luca, um jovem monstro marinho que cuida do cardume de sua família, o ambiente inexplorado é a superfície. Porém, quando conhece Alberto, outro de sua espécie, é levado ao novo mundo, ainda com receios, mas com muitos sonhos.

A Pixar reforça ano após ano sua capacidade de humanizar o não-humano. Comentar sobre essa relação de empatia ou sobre a qualidade de animação sempre evoluindo é chover no molhado. 

Diferente de trabalhos recentes como Viva – a Vida é uma Festa (2017) e Dois Irmãos: Uma Jornada Fantástica (2020), pouco é mostrado da realidade marinha do protagonista, deixando a parte mística de lado para focar em sua experiência terrestre na cidade de Portorosso, na Riviera Italiana.

Foto: Divulgação

“Santa mozzarella!”

1º longa do diretor Enrico Casarosa, genovês conhecedor do litoral italiano, Luca é recheado de referências cinematográficas da Terra da Bota, de Mastroianni a Fellini. A direção também consegue transportar os ares de uma pequena cidade pesqueira à tela, embora por pouco tempo.

O ponto alto é a amizade entre Luca, Alberto e Giulia, filha de um pescador que ajuda os garotos – que estão escondendo suas reais identidades – em sua aventura em busca de uma Vespa. 

A adaptação à cidade e aos seus costumes típicos diverte mais em seu 2º ato do que o restante do filme, aproveitando o dia a dia em menor escala, compensando a falta de profundidade na vida dos monstros marinhos.

Foto: Divulgação

Veredito

A proposta de Luca não é encher os olhos do público com sua animação ou incitar reflexões existencialistas como Soul (2020) fez. A intenção é apenas reiterar a importância da amizade e da compreensão de diferenças entre grupos distintos

Apesar desse último ponto ser forçado na reta final da obra e resolvido em um piscar de olhos, sem justificativas aceitáveis ao que foi construído como base da história.

Dentro de suas limitações narrativas, o novo longa da Pixar se torna somente outra opção de confort movie, aquele que você assiste para passar o tempo enquanto faz outra atividade. E não há problema nisso, visto que nunca prometeu nada além.

Pontos positivos

  • Dinâmica entre os protagonistas

Pontos negativos

  • Misticismo pouco explorado
  • Resolução final fora da lógica interna do filme

NOTA: 6,5