Veredito de Free Guy: Assumindo o Controle

12/08/2021 - POSTADO POR EM Filmes
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Após meses de anúncios, trailers e adiamentos, finalmente Free Guy: Assumindo o Controle chega aos cinemas. Estrelado e produzido por Ryan Reynolds, o longa mistura ação e comédia de forma similar à franquia Deadpool, mas dessa vez numa imersão ao mundo dos videogames, com muitas referências e despido da violência gratuita. 

Dirigido por Shawn Levy (Uma Noite no Museu e Stranger Things), Free Guy: Assumindo o Controle tem estreia marcada no Brasil para o dia 19 de agosto. Conferimos o filme antes para saber se vale a pena dar Start nele ou não.

Um mundo de videogame

O bancário Guy (Ryan Reynolds) vive diariamente uma rotina programada e monótona numa cidade onde tiroteios, explosões, assaltos e demais crimes fazem parte do cenário. Toda essa realidade integra um jogo on-line de mundo aberto chamado Free City. Nesse mundo, Guy é um simples NPC (sigla em inglês para “personagem não-jogável”). 

Instigado por uma mudança, ele inverte sua função no jogo, sendo visto como herói. Mas seus dias de autonomia podem ter fim, pois o lançamento da continuação de Free City pode apagar todos os dados do jogo para sempre. Agora, está nas mãos de Guy salvar a cidade e os demais NPCs da extinção.

Imagem: Divulgação

Missão principal e missão secundária

É através da rotina de Guy que vemos seu dia a dia, a normalização coletiva do caos onde vive, a amizade com segurança Buddy (Lil Rel Howery) e os assaltos constantes no banco onde os dois trabalham. Sua transformação começa quando Guy rouba um óculos de um jogador (elemento que os diferenciam dos NPCs) e passamos a ver a cidade como ela é de fato. 

Tal atitude é motivada na paixão à primeira vista pela jogadora Molotov Girl, avatar da programadora Millie Risk (Jodie Comer). Ela tenta coletar provas de que o popular game é um plágio do seu jogo Life Itself, produzido em parceria com o também programador Walter “Keys” (Joe Kerry). Ele, entretanto, é funcionário do egocêntrico empresário Antwan (Taika Waititi), dono da produtora de Free City e suposto plagiador de Life Itself.

Nesses dois eventos, o filme segue por decisões convencionais de roteiro que pouco traz novidades ao longa. Por ter uma estrutura narrativa fartamente usada no cinema, já soa previsível toda a jornada do herói de Guy, cabendo para Millie e Keys a trama necessária para engatar os conflitos que podem ser prejudiciais ao protagonista.

Os méritos estão no propósito do filme em entreter. Reynolds habilmente conduz o humor e ação, trazendo autenticidade na sua performance graças ao conhecimento prévio de como a cultura gamer funciona. O ator até emula as falas artificiais tão comuns em NPCs de jogos em mundo aberto, como Grand Theft Auto e Saints Row (franquias inspiradoras para o filme). 

Ainda no quesito humor, vemos que nos demais personagens essa qualidade se desenvolve de forma às vezes espontânea, às vezes forçada – o que é o caso dos personagens de Waititi e Lil Rey, com diálogos e expressões caricatas demais.

O romance entre Guy e Molotov, embora inicialmente conveniente, mais à frente demonstra ser revelador para os planos de Millie e Keys. O que falha na construção desse enredo são as comodidades que impedem um segmento narrativo mais urgente e conflituoso. A trajetória soa suave demais, entregando mais comédia, tendo perigo na ação apenas no final.

Imagem: Divulgação

Uma explosão de referências

No decorrer do filme, vemos que Free Guy: Assumindo o Controle tenta captar a atenção do público através das referências pop que traz. Não só de forma casual, mas como construção de roteiro. 

O homem de rotina cotidiana que descobre a irrealidade de sua vida (Show de Truman), a imersão num mundo digital (Neuromancer e Jogador Nº1), o personagem de um jogo que não aceita seu destino (Detona Ralph), o óculos que permite enxergar outra realidade (Eles Vivem), entre outras referências mais escondidas e outras bem na cara, ligadas com a identidade gamer da produção.

Forçando a vista, podemos até enxergar leves pinceladas de tratados filosóficos usados à exaustão no cinema: Alegoria da Caverna (Platão), Eterno Retorno (Nietzsche) e Simulacros e Simulações (Baudrillard).

Isso não torna o filme “cabeça”, pois nem chega a arranhar a superfície do entretenimento. Apenas traz conceitos familiares ao público, por já terem sido revisitados diversas vezes. Assim, o longa fica mais palatável para uma audiência que não conhece o universo dos jogos online; porém, fica manjado para quem já entende as referências.

Imagem: Divulgação

Veredito

Quando comprometido com a ação e comédia, Free Guy: Assumindo o Controle é eficaz nas piadas, na aventura e na ambientação fiel dos jogos online. As referências que trazem elementos de outras produções pop são bem inseridas para captar a atenção (e o riso) do público. 

E mesmo em classificação etária mais acessível, os embates físicos têm seu impacto. O uso do cenário na aventura aproveita as possibilidades que um game pode trazer, não economizando nos efeitos especiais.

Para soar familiar, clichês na identidade dos personagens e ingredientes narrativos manjados são também usados sem economia, o que estagna o potencial inovador do filme. Certas decisões dos personagens que, a princípio, parecem ser fundamentais, na verdade são bastante dispensáveis. No fim, o filme soa bastante agradável por sua veia cômica e ação contagiante, mesmo sem surpreender na história.

Pontos positivos

  • Comédia absurda característica de Ryan Reynolds
  • Efeitos especiais fiéis ao cenário gamer
  • Eficiência em revelar o enredo

Pontos negativos

  • Construção narrativa repetitiva
  • Personagens pouco convincentes em situações de conflito
  • Atuações cômicas forçadas além do ponto
  • Momentos dispensáveis para o objetivo final

NOTA: 6.5