Veredito de Boa Sorte, Leo Grande

27/07/2022 - POSTADO POR EM Filmes
Post thumbnail

Comédia romântica é sempre uma coisa que divide o público, ou ela é amada ou odiada, mas com certeza é o tipo de filme que tem mais chances de conquistar o público. Boa Sorte, Leo Grande é o novo longa do gênero que acaba de chegar aos cinemas. Conferimos o filme em uma sessão especial e vamos contar nossas impressões.

Como começar a viver novamente?

Nancy Stokes (Emma Thompson) é uma recém-viúva solitária. Ela sempre teve uma vida pacata e monótona, vivendo para os filhos, marido e o trabalho como professora. Decidida a finalmente descobrir os prazeres que nunca experimentou, ela contrata os serviços de um jovem garoto de programa, Leo Grande (Daryl McCormack). Porém, como era de se esperar, os dois acabam se envolvendo mais do que deveriam.

O roteiro do filme é bem simples, com poucas mudanças de ambiente e rápida introdução de personagens. Durante a esmagadora maioria do longa, apenas vemos Nancy e Leo em tela. Além disso, o momento do primeiro encontro dos dois acaba sendo bem monótono, com um longuíssimo diálogo, coisa que mostra o quão complicado é para aquela mulher se entregar a uma aventura

Outra particularidade interessante do roteiro é a sutileza em demonstrar o quão duro é para uma mulher envelhecer, como a autoestima é afetada e como ela fica perdida após cumprir suas obrigações. Poderia ser muito fácil pecar nesses detalhes e colocar tudo a perder, mas não é o caso aqui.

Imagem: Divulgação

O envelhecimento feminino

Ser mulher não é fácil. Somos marcadas a vida inteira pelo machismo e vistas como aquelas que cuidam do outro. Quando crianças e adolescentes somos ensinadas o tempo inteiro a nos comportar para “arrumar um marido”, até os 40 anos precisamos estar casadas e com pelo menos um filho para sermos consideradas bem-sucedidas. Depois disso, perdemos a utilidade para a sociedade.  

Aquelas mulheres que decidem subverter essa ótica e não seguir essas etapas, acabam sendo mal-vistas. Pior ainda para as que decidem colocar os seus desejos como prioridade. De uma maneira ou de outra, ser mulher significa ser julgada o tempo inteiro. 

Sim, é difícil ser mulher, mais difícil ainda é envelhecer. Quando um homem envelhece, ele pode assumir seus cabelos brancos e as rugas, ainda ser visto como um galã e namorar pessoas mais jovens. Está tudo bem, aliás, é algo admirável. Já as mulheres aprendem desde cedo que é preciso esconder os sinais da idade e que se relacionar com alguém mais jovem é motivo para ser julgada e até execrada.

Imagem: Divulgação

Veredito

Boa Sorte, Leo Grande é um filme leve, mas que nos faz pensar muito sobre como nossa sociedade é hipócrita. Apesar de ser uma comédia romântica, talvez você não ria tanto, aliás, são poucos os momentos que são engraçados, mas eles existem e foram criados da maneira mais genial possível.

A atuação de Emma Thompson é cirúrgica. Ela consegue colocar em tela toda a timidez e pudor de uma mulher madura que quer apenas viver de uma forma que jamais viveu por ter sido tão reprimida. A melhor parte aqui é que são dispensados os clichês e estereótipos para a personagem.

A direção foi bem inteligente ao colocar em tela apenas os encontros, sem encher linguiça e mostrar outras coisas que não seriam tão importantes para o filme. O único ponto negativo está na duração, talvez mais 10 minutinhos conseguisse mostrar alguns detalhes que ficamos curiosos sobre os dois juntos.

Pontos positivos

  • Direção
  • Atuação de Emma Thompson
  • Roteiro

Pontos negativos

  • Faltou esclarecer alguns detalhes da dinâmica entre os dois

NOTA: 9,5