Veredito de Algum Lugar Especial

17/06/2021 - POSTADO POR EM Filmes

Adoção como tema principal no mundo do cinema é algo bem raro, principalmente quando o background do enredo mistura doença terminal e abandono. É com este cenário que o filme baseado em fatos reais Algum Lugar Especial chega aos cinemas hoje, dia 17 de junho. Conferimos a produção dirigida e roteirizada por Uberto Pasolini e vamos contar nossas impressões.

Preparando-se para partir

John (James Norton) é um homem de 34 anos que foi diagnosticado com uma doença terminal. Ele precisa sustentar seu filho pequeno Michael (Daniel Lamont), trabalhando como limpador de janelas. A mãe da criança abandonou o menino quando ele ainda tinha poucos meses de vida.

Ao descobrir a doença e seu pouco tempo de vida, John passa a buscar desesperadamente um lar adotivo para Michael, porém a escolha não é nada fácil para nenhum dos dois. Com a ajuda da assistente social Shonda (Eileen O’Higgins), eles passam a visitar e entrevistar diversas famílias que estão à espera de uma criança.

John e Michael levam uma vida simples, principalmente por causa das dificuldades financeiras. Porém, o pai tenta fazer até o impossível para criar o filho da melhor forma possível, dando atenção e carinho ao máximo, sendo até superprotetor em alguns momentos para evitar o sofrimento da criança após a sua partida.

Imagem: Divulgação

Um filme sensível

Os ingredientes presentes no enredo podem colaborar para uma trama pesada e extremamente triste, mas não é o caso de Algum Lugar Especial. James Norton consegue, com suas expressões corporais e diálogos, fazer com que o espectador tenha empatia pelo personagem e pela situação. Além disso, o pequeno Daniel Lamont fez um trabalho excepcional, com seus olhares meigos e suas falas curtas, é quase impossível não lembrar de uma criança conhecida.

O tema morte é sempre rodeado de tabus e, muitas vezes, com um tom melancólico demais. No longa, as explicações sobre a questão se aproximam de uma visão mais próxima de um evento inevitável e que se trata apenas de uma passagem. É  claro que o filme emociona e muito, sendo praticamente impossível não chorar.

É interessante observar como a adoção é abordada na narrativa, já que temos desta vez um pai em busca de uma família para seu filho e não uma criança abandonada em um orfanato ou mesmo pais em busca de adotar um bebê. Talvez, a história funcione porque aconteceu de verdade, o que intriga o espectador e o faz pensar o que ele faria se estivesse no lugar de John.

Imagem: Divulgação

Veredito

Uberto fez escolhas interessantes em seu roteiro, como não se alongar demais para contar sua história, enfatizando o que é mais importante e impactante e sem apelar para a “choradeira” desenfreada.

Algum Lugar Especial é um filme curto, apenas 1h 33 minutos, por isto ele não “enrola” e vai logo direto ao ponto. Apesar disso, o roteiro é extremamente sutil e escolhe trocar alguns diálogos expositivos por cenas que exigem atenção de quem está assistindo. Às vezes, mostrar algum objeto vale muito mais que um longo diálogo.

A direção escolheu closes no rosto de Norton para vermos bem o avanço do tempo, a evolução da doença e a urgência da escolha de John. Além disso, as emoções são exploradas de forma muito realista, de modo a parecer uma espécie de montanha russa, onde varia alegria, preocupação, tristeza e raiva. Isso também aumenta a veracidade e aproximação do personagem.

Apesar disso, o ritmo um pouco lento do filme pode assustar alguns espectadores que estão mais acostumados com cenas com diálogos expositivos e de ação. Talvez, um momento em especial do filme poderia ser retirado sem comprometer a trama, mas sua presença também não é nenhum problema.

Pontos positivos

  • Roteiro simples e inovador
  • Ótimas atuações
  • Diálogos inteligentes
  • Direção interessante

Pontos negativos

  • Narrativa um pouco lenta

NOTA: 9