Por que Doutor Estranho no Multiverso da Loucura é uma decepção?

10/05/2022 - POSTADO POR EM Filmes
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Doutor Estranho no Multiverso da Loucura tem uma direção ruim? Não. Tem atuações ruins? Não. É um filme ruim? Não. Então por que o novo longa do MCU está se mostrando uma decepção para os fãs? Entre altas expectativas, a obrigação de cumprir a agenda da Marvel e fanservices baratos, a produção deixa um gosto amargo no espectador. Veja mais sobre esses motivos abaixo.

ATENÇÃO! O TEXTO A SEGUIR CONTÉM SPOILERS DE DOUTOR ESTRANHO NO MULTIVERSO DA LOUCURA.

Expectativas

Para início de conversa, a decepção com o segundo longa de Stephen Strange (Benedict Cumberbatch) esbarra em um problema para qualquer fã do cinema: a criação de expectativas. Depois de acompanhar o último grande evento da Marvel, AKA Homem-Aranha: Longe de Casa (2021), qualquer coisa que viesse após careceria de brilho. 

Mesmo que o terceiro filme do teioso tenha lá os seus problemas, ele nos oferece tanta euforia, emoção e satisfação, que o que viesse em comparação não poderia ser menos do que isso. Mas foi o que aconteceu.

Logo nos primeiros trailers, Doutor Estranho 2 nos prometeu muito: mostrar como está o mundo pós-Homem-Aranha, apresentar os rumos que Wanda (Elizabeth Olsen) tomou depois de Wandavision (2021), introduzir uma nova heroína e ainda entrar de cabeça no multiverso.

Sem falar que a promessa de um retorno do diretor Sam Raimi ao mundo dos super-heróis também era digna de nota. Ainda mais com a aparência mais sombria que a divulgação nos revelava, aparentando um rumo que a Marvel ainda não havia percorrido nos cinemas: o terror e o suspense

No final, muito pouco dessas expectativas foram cumpridas, deixando a decepcionante sensação de que não chegamos lá.

Imagem: Divulgação

Fanservice

Outra questão que prejudicou o longa ao meu ver e que tem uma relação direta com as expectativas criadas pelo último filme do MCU é o uso do fanservice. Isso por si só é um recurso narrativo inofensivo e que pode causar uma surpresa e euforia momentânea, mas que nem sempre se sustenta na trama.

O filme do teioso conseguiu reunir a satisfação do fanservice com a utilidade narrativa. Doutor Estranho 2 só alcançou a primeira parte. Sim, foi ótimo ver a Capitã Britânia (Hayley Atwell) em carne e osso, além do retorno de Patrick Stewart como Professor X e ainda ter John Krasinski como o Homem-Elástico, uma assumida escolha dos fãs para o papel.

Porém para que serviram as suas participações além de mostrar que a Feiticeira Escarlate tem poder suficiente para derrotar uma equipe a nível Vingadores? Sim, essas participações podem abrir portas no futuro, mas no momento não possuem função narrativa clara. 

Até porque, seria improvável vermos essa matança com os heróis do universo principal, já que marcaria um ponto sem retorno para a personagem, assim sendo uma decisão segura disfarçada de corajosa. O ponto positivo aqui foi trazer cenas de aspecto mais gráfico e criativo, mesmo que de forma higienizada.

Imagem: Divulgação

Arcos narrativos

E falando em função narrativa, essa poderia muito bem ser a justificativa para a realização desse filme: um meio para um fim dentro do MCU. O filme basicamente foi estabelecido para levar os personagens do ponto A ao B. E, sim, isso é a definição de narrativa, porém ver as engrenagens tão claramente tende a ser desconfortável.

Pense em todos os filmes que já assistiu, provavelmente alguns deles tinham tramas previsíveis, mas nem por isso precisa estar consciente desse fato durante o acompanhamento da trama. As melhores narrativas são aquelas que conduzem você pela história sem que seja preciso sentir tanto as etapas e chegue a uma conclusão satisfatória.

Doutor Estranho 2 é muito básico nesse sentido, o filme parece se apoiar em algumas coisas a serem cumpridas: ele deve apresentar America Chavez (Xochitl Gomez), ele deve fazer Stephen superar seu antigo amor, ele deve transformar Wanda em uma vilã e ele deve estabelecer os conceitos de multiverso. É quase como uma lista de tarefas

Mesmo que elevado pela brilhante direção de Sam Raimi, que realmente faz o filme se destacar entre outros tantos do MCU, o longa não escapa da responsabilidade de ter que fazer o universo completo da Marvel avançar, deixando pouco espaço para outras coisas além disso.

Seria interessante ter se aprofundado mais no ponto de vista da Feiticeira Escarlate, pois mesmo que entendamos as suas motivações, a justificativa de “ela foi corrompida pelo mal” ainda é muito básica para convencer sobre a mudança na personagem. Stephen tem seu arco narrativo, ilustrado principalmente pela introdução de Clea (Charlize Theron) na cena pós-créditos e que deve ser seu novo interesse amoroso, mas não sai tanto do lugar como poderia, além de que seria positivo dar mais tempo de tela para ele e America, uma boa combinação dentro do longa.

No final, Doutor Estranho no Multiverso da Loucura termina com a sensação de que poderia ser mais. Mais aprofundado. Mais marcante. Mais emocionante. Longe de ser um filme ruim, ele peca apenas por não ser bom o suficiente

Imagem: Divulgação