Atenção, fãs da Nintendo! Hoje trazemos aqui um papo super interessante com uma das personalidades mais importantes do universo gamer: o Rodrigo Coelho, dono do canal Coelho no Japão e apresentador do Final Level Cast.
Em entrevista exclusiva ao Roteiro Nerd, o produtor de conteúdo conta como começou a sua paixão pela Big N e traçou a sua trajetória de sucesso nas principais redes sociais, como YouTube e Spotify. Quer mais? Ele ainda comenta sobre o futuro da Nintendo no Brasil e dá boas dicas de jogos para quem quer ingressar no Nintendo Switch. Confira tudo agora!
Veja também:
> ENTREVISTA: CAROL COSTA E SUA VISÃO SOBRE O UNIVERSO GAMER
> ENTREVISTA: LEON E NILCE FALAM DA TRAJETÓRIA DE SUCESSO NO YOUTUBE
Roteiro Nerd: Como nasceu a ideia de criar o canal Coelho no Japão?
Rodrigo Coelho: Enquanto morando no Japão, queria compartilhar minha vida com meus amigos, e também as coisas diferentes de videogames que encontrava por lá. Nunca achei que tivesse tempo pra ter um canal do YouTube, então comecei criando vídeos e postando em grupos de amigos mesmo. Videos de unboxing ou até mesmo vlogs. Editados por mim, no mesmo formato que um canal de YouTube, mas postado no Facebook ou em Whatsapp.
Um amigo me perguntou se poderia colocar os vídeos de games no pequeno canal de 300 inscritos dele, chamado “É Nintendo ou Nada”. Eu disse que sim. Até que um belo dia a Nintendo anunciou seu novo grande videogame, o Nintendo Switch, e anunciaram que fariam um evento aberto ao público em Tokyo e Nova Iorque. Não poderia perder essa!
Então fui ao evento e fiz um vídeo já na fila, mostrando como estava e exibindo alguns brindes que a Nintendo distribuiu. Para facilitar o compartilhamento do vídeo, postei no “É Nintendo ou Nada” usando o 4G do meu celular mesmo. E fiz a mesma coisa uma vez que entrei no evento.
Para minha surpresa, estes videos no pequeno canal de 300 inscritos explodiram! Pegando milhares de visualizações em pouco tempo. Descobri que eu era o único brasileiro filmando o evento, tendo acesso a testar com minhas próprias mãos a maior novidade do momento.
Continuei postando os videos no “É Nintendo ou Nada” e acabei percebendo como eu não precisava ter um trabalho maior do que eu já tinha editando meus vídeos para os amigos nos grupos de Facebook se eu tivesse meu próprio canal. E como as pessoas começaram a me conhecer por causa do evento do Nintendo Switch, muitas dúvidas surgiram e muita gente quis seguir, mas eu não tinha uma conta oficial minha.
Então, criei o canal Coelho no Japão. Este nome era porque não falaria apenas de games, mas também faria vlogs sobre meus outros interesses pessoais e minha vida no Japão! Deu tão certo e descobri que amo tanto fazer isso, que hoje, 3 anos e 170.000 inscritos depois, esta se tornou minha profissão.
R.N: No início do Canal do YouTube, você dava muitas dicas de como viajar para o Japão e conseguir se manter no país. Então, como surgiu a necessidade de mudar o foco e abordar mais sobre o mundo gamer?
R.C: Na verdade, o foco maior sempre foram os games, mas também postava muito sobre dicas, pois as pessoas me perguntavam muito. Sempre fui fazendo os vídeos que as pessoas mais me pediam. Eventualmente, fui sanando a maior parte das dúvidas sobre minha ida ao Japão, e custos de vida etc, mas as novidades sobre games não paravam, então naturalmente o foco do canal foi se direcionando principalmente a games mesmo. Foi uma transição natural.
R.N: E agora a gente quer saber: porquê focar apenas na Nintendo? Comenta aqui a sua relação afetiva com a Big N.
R.C: Pois é! Nintendo foi sempre minha paixão desde pequeno. Sempre fui o “diferentão” da família, pois gostava muito mais de videogame do que meus irmãos e primos, e especificamente era apaixonado pelo universo da Nintendo.
Sou o caçula de 3 irmãos. Sempre tivemos videogames, às vezes da Nintendo, às vezes de outras marcas em casa, como o Master System e o Sega Saturno. A gente ia vendendo um para comprar outro! Mas os videogames eram sempre dos meus irmãos, eu era muito novinho e já tinha feito besteira quebrando partes dos games, então meus irmãos não gostavam tanto assim de deixar eu jogar hehehe aí já viu a briga né!
Acredito que esta paixão tenha se iniciado quando o meu pai comprou por uma pechincha o videogame velho do meu primo para me dar.. este seria o meu videogame! Acontece que não era um videogame qualquer! Era o Nintendinho! E vinha com a fita dourada de The Legend of Zelda.
Nossa, eu amei. Como era muito novo, por volta de 6 anos, não via diferença entre ele ou os videogames mais novos. Joguei e explorei muito aquele mundo mágico de The Legend of Zelda, assim como Super Mario Bros, Super Mario Bros. 3 e, principalmente, Duck Hunt.
Foi incrível e os anos foram passando até que em 1998 comecei a acompanhar a revista Nintendo World, de André Forastieri, que contava com textos de pessoas como Pablo Miyazawa e Eduardo Trivella. Estas pessoas, o Pablo em especial, me inspiraram muito a escrever meus próprios textos e análises sobre os games da Nintendo em pequenos blogs em que participava.
Fazendo a retrospectiva assim, acho que foi bem natural o caminho de ter me apaixonado pela Nintendo e hoje trabalhar com isso. Mas a verdade, juntamente com pessoas incríveis, temos um outro projeto onde falo também sobre Playstation e Xbox: O Final Level Cast. Começamos este ano e já se tornou o 2º maior podcast de games do Spotify Brasil, batendo 200 mil downloads em 32 episódios. Neste projeto, nós não falamos apenas de Nintendo, mas cobrimos a indústria dos games como um todo.
R.N: Recentemente, a Nintendo oficializou seu retorno ao Brasil com o lançamento do Nintendo Switch. O que o consumidor brasileiro ganha com isso?
R.C: Agora temos uma forma oficial de comprar o videogame no Brasil! Antes, a nossa única opção era o mercado cinza (videogame e jogos importados). Eles fazem muito pelos fãs de Nintendo no Brasil, uma vez que a empresa não oferece seus produtos no país e, mesmo agora, não tem jogos em mídia física. Mas não podem oferecer garantia oficial, por exemplo, e tem os seus preços muito dependentes da variação do dólar ou dos preços cobrados por fornecedores no Paraguai.
Agora, os fãs podem comprar em lojas de grande varejo, com garantia e assistência técnica oficial e preço em real! Além disso, podemos contar com promoções oficiais em datas comemorativas, como a Black Friday. A empresa também está se aproximando do mercado, fazendo comunicação direta com os fãs em canais oficiais no Facebook, Instagram e até comerciais na TV!
Já para o lado de quem acompanha publicações e canais sobre Nintendo, agora eles tem relações públicas diretamente para o Brasil, permitindo que as pessoas tenham acesso a análises de games antecipadamente feitas por nós e um conteúdo de melhor qualidade. Com tudo isso, a empresa também promete que com isso dando certo, no futuro eles querem traduzir seus games para Português do Brasil também. Mas ainda faltam muitas coisas.
O valor do videogame ainda é caro para a realidade do brasileiro, e não é possível ainda comprar jogos em mídia física e além das traduções, faltam uma série de serviços da Nintendo que são oferecidos no resto do mundo. Apesar disso, já é um começo e uma boa notícia! Esperamos por mais novidades.
R.N: Devido ao Coronavírus, tivemos um ano muito atípico para Nintendo, com poucos lançamentos de peso pro Switch, principalmente se comparada à 2019. Para 2020, você acredita que algum grande jogo ainda será anunciado, como o Hyrule Warriors: Age of Calamity?
R.C: Acredito que sim. Pense comigo: Em setembro tivemos Super Mario 3D All Stars, que provavelmente será o lançamento do fim de ano com maior vendagem. Em outubro, teremos Pikmin 3 Deluxe e a última DLC de Pokémon Sword & Shield, enquanto em novembro teremos Age of Calamity.
Existem muitos games bons sendo lançados, mas da própria Nintendo, dezembro ainda é uma grande incógnita. Estamos nos 35 anos de Mario e…. Super Mario Odyssey não teve DLC. Já pensou se eles lançam um Super Mario Odyssey 2? O Tempo dirá.
R.N: No final deste ano, a nova geração de consoles já estará disponível para o público, trazendo aparelhos como PlayStation 5 e Xbox Series X. Como você acha que a Nintendo vai lidar com essa concorrência “indireta”?
R.C: Eles vão lidar da mesma forma que tem lidado nos últimos anos: ignorando totalmente e fazendo seu próprio negócio independente. A Nintendo não está muito preocupada com o Playstation e Xbox. Eles tem hoje o videogame mais barato no mercado (Switch e Switch Lite), que oferece uma proposta única de jogar grandes jogos tanto na TV quanto em modo portátil.
Nenhum outro grande concorrente oferece estes valores atualmente, a proposta da concorrência é diferente e isso coloca a Nintendo em uma situação relativamente confortável. O que eles vão fazer pra combater é aproveitar que eles estão na frente em números de videogames vendidos e enquanto os outros estão apenas começando, garantir muitos parceiros para publicarem jogos de qualidade para o Switch, enquanto a própria Nintendo faz seus games que todo mundo ama.
No futuro ainda temos Zelda Breath of the Wild 2 para Switch (sendo que o primeiro é cotado como um dos jogos mais bem avaliados da história), Metroid Prime 4 e muito mais.
R.N: E para finalizar deixe aqui sua sugestão de jogos essenciais para quem acabou de comprar um Switch.
R.C: Definitivamente, as pessoas não podem deixar de jogar The Legend of Zelda: Breath of the Wild. É uma das experiências mais únicas e incríveis que qualquer game poderia ter. Para os mais novinhos, Super Mario 3D All Stars ou Odyssey, é uma excelente pedida. Mas acho que é importante ter também um jogo para jogar com os amigos, e alguns jogos indies. Recomendo Mario Kart 8 Deluxe ou Super Smash Bros Ultimate para o multiplayer.
E nos indies, o game Celeste não decepciona, Ori and the Blind Forest também não! Assim como o recente Spiritfarer. Jogos indies baratos e legais para jogar com amigos são Cuphead ou Streets of Rage 4. O Switch também tem uma série de jogos gratuitos, recomendo muito Rocket League, Ninjala, Warframe, Spellbreaker, Fortnite e Brawlhalla!
Temos uma playlist no canal para as melhores recomendações de games no Nintendo Switch:
E para as melhores dicas sobre o console: