Entrevista: Carol Costa e sua visão sobre o universo gamer

09/09/2020 - POSTADO POR EM Conteúdo

ATENÇÃO, GAMER! Hoje conversamos com a jornalista Carol Costa, conhecida pelo seu excelente trabalho no IGN Brasil. Em entrevista exclusiva ao Roteiro Nerd, a nossa mina f#da dos jogos fala sobre muitas das suas paixões, desde inspirações para viver bons cosplays até expectativas para nova geração de consoles. Ah… e ela ainda dá indicações incríveis de games para jogar e ser feliz!! Confira tudo agora mesmo! 

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Roteiro Nerd: Como começou sua carreira no jornalismo gamer / nerd? 

Carol Costa: Comecei a trabalhar com jornalismo de games em 2015, em um site junto com amigos. Na época, cursava a faculdade e escrevia para o site mais como um hobby e uma chance de produzir sobre um tema que eu gostava. Ainda em 2015 fui chamada para trabalhar na produção de um programa de TV sobre games, e em 2016 me juntei à equipe do IGN Brasil como repórter e apresentadora do Daily Fix, principal quadro de notícias do canal. Hoje também sou editora-assistente no site e tenho outro projeto por qual eu guardo muito carinho, o IGN Indie. Um quadro especial focado na experiência com games independentes.

R.N: E como surgiu o seu amor por cosplay? Adoramos seu trabalho! 

C.C: Obrigada! 🙂 Tive uma adolescência muito bem acompanhada de eventos de anime hahah. Fiz meus primeiros cosplays com uns 17, 18 anos. Sempre adorei a ideia de se transformar em um personagem com o qual você se reconhece e poder viver um pouco aquela fantasia na pele. Mas surgiu a oportunidade de fazer profissionalmente no IGN quando Horizon Zero Dawn foi anunciado. O pessoal comentava muito nos vídeos do canal que eu devia fazer cosplay de Aloy, a protagonista do jogo (que, por sorte, eu adoro). O diretor do IGN na época, Aydin Sarmadi, amou a ideia e eu topei o desafio. Tudo acabou resultando em um quadro para o IGN que teve uma temporada de cosplays, com parceria com a Agência Joystick. Foi beeeem divertido!

Foto: IGN Brasil

R.N: Durante sua carreira, você já passou algum preconceito por ser mulher? Como podemos diminuir essa intolerância no segmento gamer?

C.C: O preconceito, com seus diferentes alvos, ainda é muito enraizado na sociedade. O que mais tive de lidar por um tempo, especialmente logo que entrei no setor, foi com a descredibilidade de uma pequena parte do público. Ainda existe uma sombra de deslegitimação quando é uma mulher falando sobre games, quadrinhos ou a cultura “geek/nerd” no geral, lidamos constantemente com a necessidade de provar que sabemos do que falamos. Por sorte, no meu caso, foi de fato uma parcela pequena, acho que o segmento tem melhorado aos poucos, conforme naturaliza o fato de que a área é amplamente ocupada por mulheres – que jogam, que falam sobre jogos, que escrevem, que desenvolvem, que ilustram, que consomem. E saber olhar e dar espaço para essas mulheres (e não apenas para falar sobre “machismo nos games” ou “desafios de ser mulher nos games” e sim pelo conteúdo que ela estuda e trabalha diariamente) é uma das formas de incentivar essa evolução no segmento gamer.

R.N:  Apesar dos atrasos provocados pela COVID-19, tivemos o lançamento de grandes jogos, como The Last of Us Parte II e Final Fantasy 7 Remake. Até o momento, qual é o melhor jogo do ano para você? 

C.C: Infelizmente ainda não pude jogar FFVII Remake 🙁 Só joguei a demo na E3 2019 e me apaixonei, mas pela falta de tempo e dedicação a outros games na época ele ficou de lado – ainda vou resolver isso, hehe. No entanto, joguei o TLOU II e acredito que o potencial aí é gigante para GOTY. Tenho minhas críticas e pontos de vista sobre o jogo, mas é inegável que é uma obra excelente e que fez muito barulho neste semestre. Não podemos nos esquecer de Cyberpunk 2077 que está a caminho também. Quem sabe o universo de Night City seja GOTY (se não no The Game Awards, ao menos no coração de muitos hahah).

R.N: Ao analisar a atual geração de console (Nintendo Switch, PS4 e Xbox One), o que você acredita que faltou e precisa melhorar (serviços, multiplayer)?

C.C: Sempre serei a favor de um foco maior em serviços, principalmente os que possibilitam mais conteúdo – ou de forma mais acessível – ao público. Acredito que a Microsoft faz isso muito bem com o Game Pass, por exemplo. Quem sabe na nova geração a Sony foque mais no PlayStation Now, que ainda precisa caminhar um pouco mais e chegar oficialmente a outros países também – quanto mais opções, melhores para nós, jogadores. Quanto ao serviço online do Switch, fico ainda na expectativa e sonho de um Chrono Trigger e Donkey Kong Country 2 e 3 para o catálogo de clássicos do SNES hahaha 😀

R.N:  Quais são suas expectativas para a próxima geração de consoles? Você está ansiosa para algum jogo do PS5 ou Xbox Series X?

C.C: Estou muito ansiosa para Horizon Forbidden West, Ghostwire: Tokyo, Senua’s Saga: Hellblade II, The Medium e adoraria jogar Assassin’s Creed Valhalla e Watch Dogs Legion na nova geração.

R.N:  Em relação ao mercado nacional de jogos, temos visto estúdios lançarem jogos de qualidade e, até mesmo, ganharem reconhecimento internacional, como Celeste e Horizon Chase. Como você analisa esse mercado? 

C.C: Acredito que o mercado de games nacional tem crescido bastante anualmente. Eu sempre vejo até pelo espectro de público mesmo. Cubro a BGS, por exemplo, desde 2015 e de lá para cá vejo como a área reservada aos games nacionais indie tem ficado cada vez mais lotada. Acho que o público brasileiro tem estado mais aberto e curioso para o mercado nacional, deixando de lado alguns preconceitos para de fato aproveitar que tem muuuuita coisa bacana sendo produzida aqui.

R.N: E para finalizar deixe aqui sua sugestão de jogo para todo mundo ficar de boa na quarentena.

C.C: Aproveitei a quarentena e as minhas férias para mergulhar de cabeça em Animal Crossing New Horizons e não podia deixar de recomendar. É um excelente jogo para ficar “de boa” na quarentena justamente porque você viaja pra sua ilha, cria sua vidinha na paz da forma que quiser, visita os amigos online e de quebra fica milionário com o insano mercado de nabos hahahaha. Mas também deixo a dica de Carrion e Katana Zero – dois games indie que não vão te deixar de boa, mas sem dúvidas vão deixar sua quarentena mais divertida 🙂 .