Veredito da 5ª parte de La Casa de Papel – Volume 1

10/09/2021 - POSTADO POR EM Séries
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O fenômeno La Casa de Papel (2017-2021) tem servido como modelo para as produções estrangeiras da Netflix por seu estrondoso sucesso nos últimos quatro anos. Esse legado nunca será esquecido. Agora, é fato que a série já não tem mais a criatividade de outrora e se alonga de maneira exagerada para seu aguardado final.

O Volume 1 da 5ª parte da série estreou na última semana, com o Volume 2 marcado para dia 3 de dezembro. A obra dará a volta por cima em sua conclusão ou terminará como decepção? 

ATENÇÃO: ESSE TEXTO CONTÉM SPOILERS DA SÉRIE LA CASA DE PAPEL.

Poucas mudanças

A estrutura permanece idêntica às duas temporadas passadas: estabelece um enorme cliffhanger ao final de uma parte, o resolve em pouco tempo no começo da próxima, recheia com flashbacks, introduz uma nova problemática ao roubo e fecha tudo com outro impacto, de preferência literalmente explosivo

Antes, essa fórmula bastava por seu dinamismo e sincronia entre os vários personagens. E ainda funciona, de certa forma, pelo aspecto técnico sempre em alto nível, garantindo uma escala de destruição crescente à obra.

Embora os cinco episódios deste Volume 1 passem voando, é cansativo do ponto de vista narrativo. O charme de La Casa de Papel é sua capacidade criativa de encontrar soluções e virar o jogo de uma hora para outra. Aqui, isso não ocorre no mesmo ritmo devido à mente principal da operação, o Professor (Álvaro Morte), virar refém da antiga inspetora Alicia Sierra (Najwa Nimri).

Tirar de cena o líder estratégico do assalto foi um tiro no próprio pé da série por quase quatro episódios. É difícil se sustentar apenas com tiroteios que parecem não levar a lugar nenhum.

Imagem: Divulgação

Dificuldade de superação

Um dos elementos repetidos na estrutura da série citados anteriormente é usado de modo questionável nesse volume: os flashbacks são bons recursos para justificar pontos que já foram ou ainda serão abordados por uma obra. Entretanto, La Casa de Papel insiste em mostrar novas cenas do passado de Berlim (Pedro Alonso), assim como na quarta temporada. 

Essa incapacidade de deixar de lado um dos personagens mais carismáticos da série atrapalha o desenvolvimento de quem importa de fato: os que permanecem vivos. A impressão que fica é: com o Professor inoperante e a consequente confusão dos assaltantes, trazer de volta alguém que o público gosta para enrolar por quase 50 minutos é uma solução válida.

E o curioso é que a nova cena – envolvendo um antigo roubo com seu filho Rafael (Patrick Criado) – é uma das melhores da temporada. É La Casa de Papel “na veia”. Entretanto, se não for conectada com os fatos no assalto ao Banco da Espanha, não servirá para absolutamente nada à trama principal. Caberia muito bem como um episódio spin-off para matar a saudade do público enquanto novos episódios não chegam. 

Por outro lado, os flashbacks aumentam o peso de Tóquio (Úrsula Corberó), antes afastada dos holofotes da história. Acompanhar seu desenvolvimento amoroso anterior a Rio (Miguel Herrán) e como isso a motiva diante dos obstáculos no roubo são bem-vindos depois de incessantes sequências de ação. 

Apesar da maneira como esse conteúdo foi exposto deixar claro o destino fatal de uma das estrelas da produção, ele é importante dramaticamente para inflamar o restante de seus companheiros, semelhante ao que houve com Nairóbi (Alba Flores).

Imagem: Divulgação

Veredito

Os constantes improvisos de La Casa de Papel para alongar uma história de forma desnecessária novamente culminaram em uma temporada, ainda que incompleta, pouco interessante e até enfadonha. Visualmente continua um espetáculo, fazendo jus ao gigante volume de dinheiro investido. 

Para quem esperava o fim da saga do assalto ao Banco da Espanha, é um desgosto acompanhar a perda de controle inventiva com a trama mor. Quando soube, antes dar play nesse Volume 1, que ainda seriam lançados cinco episódios em dezembro, revirei os olhos pois percebi que coisa boa não poderia vir. Infelizmente, essa projeção está se confirmando. Faltam cerca de 250 minutos de série para eu me convencer do contrário.

Pontos negativos

  • Repetidas maneiras de desviar da trama principal
  • Queda criativa 

Pontos positivos

  • Manutenção do alto nível técnico

NOTA: 4,5