Análise de Marvel’s Wolverine

POSTED BY Daniel Costa 04/10/2026 in Jogos
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Marvel’s Wolverine chega ceio de expectativas. Depois do trabalho da Insomniac com os jogos de Spider-Man, era natural esperar que o estúdio conseguisse transformar o mutante em uma experiência marcante, aproveitando tudo aquilo que torna Logan um personagem tão particular dentro da Marvel.

A proposta também parecia interessante. Wolverine permite uma abordagem mais agressiva, violenta e pessoal, com espaço para explorar seu passado, seus relacionamentos e os conflitos que fazem parte da sua trajetória.

No começo, a experiência funciona. Depois, a sensação muda e surge uma pergunta que passa a acompanhar boa parte da jornada: quando isso vai acabar?

Uma história que não aproveita Wolverine

É na narrativa que minha maior frustração aparece.

Wolverine possui uma trajetória enorme dentro da Marvel. Existe espaço para falar sobre memória, violência, relações, perdas, culpa e tudo aquilo que torna Logan muito mais complexo do que simplesmente um personagem com garras. Por isso, esperava uma história que realmente explorasse esse lado.

A escolha de trabalhar a relação de Wolverine com Mística e Dente de Sabre poderia render situações interessantes, principalmente pela história que esses personagens carregam juntos. Porém, a maneira como essa relação é construída não conseguiu me envolver como eu esperava.

A história também toma decisões relacionadas ao passado de Logan que, para mim, não funcionam tão bem.

Não tenho problema com a ideia de apresentar uma nova interpretação para a origem do personagem. O que incomoda é a falta de força emocional. Uma história de origem deveria ajudar o jogador a entender melhor quem é Wolverine e por que determinadas situações são tão importantes para ele.

Aqui, muitas dessas informações não conseguem causar esse impacto.

Jean Grey também poderia ter muito mais espaço

Jean Grey é outra personagem que poderia ter sido melhor aproveitada.

Estamos falando de alguém com uma presença enorme no universo dos X-Men e com uma relação importante com Wolverine. Por isso, esperava que sua participação tivesse mais peso dentro da campanha.

Ela está presente, mas não sinto que o jogo consiga extrair todo o potencial da personagem.

Isso acaba se repetindo com outros nomes importantes da história. O jogo apresenta personagens que poderiam gerar conflitos muito mais interessantes, mas nem sempre desenvolve essas relações de maneira suficiente.

E isso prejudica a própria narrativa.

Uma campanha que fica cansativa

Ser linear não é necessariamente um defeito. Existem excelentes jogos construídos dessa maneira, com uma história bem conduzida e momentos capazes de manter o jogador interessado até o final. O problema de Marvel’s Wolverine é que a campanha não consegue aproveitar essa estrutura.

Como existe um caminho definido para seguir, a qualidade de cada trecho se torna ainda mais importante. Não há tanta liberdade para deixar uma atividade de lado e fazer outra coisa quando determinado momento começa a cansar.

Você precisa continuar.

E, conforme a campanha avança, isso pesa.

A segunda metade é especialmente problemática nesse sentido. A vontade de descobrir o que acontecerá com Wolverine vai diminuindo, enquanto a repetição dos confrontos começa a tomar conta da experiência. Em determinados momentos, a sensação não é mais de expectativa pelo próximo acontecimento, mas de querer chegar logo aos créditos.

Para uma aventura protagonizada por Wolverine, isso é bastante frustrante.

O combate funciona, mas a repetição atrapalha

Controlar Wolverine é divertido. As garras, a força física e a possibilidade de partir para cima dos adversários combinam muito bem com o personagem. O problema aparece quando olhamos para quem está do outro lado.

Durante boa parte da campanha, os mesmos tipos de inimigos aparecem novamente. As batalhas mudam de cenário, mas nem sempre mudam o suficiente em sua estrutura. Depois de algumas horas, o jogador já sabe o que esperar de muitos confrontos.

Isso tira impacto do combate.

A repetição não acontece apenas algumas vezes para preencher determinados trechos. Ela se torna uma característica constante da campanha e, com o passar das horas, começa a deixar a jogabilidade previsível.

Seria interessante encontrar adversários capazes de exigir abordagens diferentes, criando situações que fizessem o jogador repensar a maneira de usar Wolverine. Em vez disso, muitos confrontos acabam seguindo uma fórmula parecida.

O resultado é uma mecânica que funciona bem, mas que não consegue se renovar durante a jornada.

As ações não parecem ter consequências

Outro ponto que me incomodou foi a maneira como o jogo trabalha as consequências dos acontecimentos.

Existem situações que deveriam provocar mudanças significativas nos personagens ou na história, mas muitas delas simplesmente parecem passar.

Wolverine toma decisões, enfrenta determinados conflitos e passa por acontecimentos importantes, mas nem sempre sentimos que aquilo realmente alterou alguma coisa.

Esse aspecto é importante porque uma boa história não depende apenas de apresentar acontecimentos. É preciso mostrar como eles transformam os personagens.

Quando isso não acontece, determinadas cenas perdem força.

E, novamente, fica a sensação de que havia potencial para construir uma narrativa muito mais emocionante.

Os desafios não resolvem o problema da narrativa

O jogo também utiliza desafios espalhados pela campanha para apresentar informações adicionais sobre o passado e o universo de Wolverine.

A ideia é interessante para quem gosta de explorar e descobrir detalhes extras, mas considero que esse conteúdo deveria funcionar como complemento, não como uma forma de compensar aquilo que falta na história principal.

Quero me envolver com a trajetória de Wolverine enquanto estou jogando, e não depender de textos desbloqueados depois de concluir determinados desafios para conhecer melhor aspectos importantes do personagem.

Esses conteúdos ajudam a ampliar o universo, mas não resolvem a falta de impacto da narrativa principal.

Bons gráficos, mas nada extraordinário

Visualmente, Marvel’s Wolverine é um jogo bonito.

Os personagens são bem construídos, os cenários possuem bons detalhes e a produção aproveita bem o PlayStation 5. Há momentos visualmente interessantes e a qualidade técnica está dentro do esperado para uma produção desse porte.

Mas também não considero que os gráficos sejam suficientes para colocar o jogo em outro patamar.

É uma produção tecnicamente competente, mas não fiquei com aquela sensação de estar diante de algo visualmente revolucionário.

E, no fim, esse aspecto acaba tendo menos importância diante dos problemas que encontrei na campanha.

Veredito

Marvel’s Wolverine é um bom jogo, mas não é a grande experiência que eu esperava para o personagem.

A Insomniac conseguiu criar uma versão de Wolverine divertida de controlar e entregar uma produção tecnicamente competente. Porém, a campanha sofre com inimigos repetitivos, uma estrutura linear que não consegue sustentar o interesse e uma história que deixa passar oportunidades importantes.

O maior problema não está em uma mecânica específica. É o conjunto.

A partir da metade, a repetição começa a pesar e a história não oferece motivos suficientes para continuar empolgado. O jogador segue em frente porque quer descobrir o final, mas não necessariamente porque está aproveitando cada etapa da jornada.

Wolverine merecia uma aventura mais emocionante, personagens melhor aproveitados e uma história capaz de deixar marcas depois dos créditos.

Prós

  • Combate divertido e agressivo
  • Wolverine funciona muito bem na jogabilidade
  • Bons gráficos
  • Boa qualidade técnica
  • Alguns momentos de ação funcionam muito bem

Contras

  • Repetição excessiva de inimigos
  • História abaixo do potencial de Wolverine
  • Poucas consequências para acontecimentos importantes
  • Estrutura linear pesa quando o conteúdo começa a se repetir
  • Preço elevado para o que oferece

Nota: 6.0/10