Veredito de X

01/05/2022 - POSTADO POR and EM Filmes
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Dentre a enxurrada anual de novos filmes de terror, é difícil listar uma dezena que realmente seja de alta qualidade

É um bom sinal que o interesse audiovisual pelo gênero vem crescendo, como mostra esse infográfico criado pelo analista de dados No McCready, em 2018. Nele, é possível ver a curva subindo para o gênero de terror nos últimos anos, o que aumenta também a concorrência por um destaque de bilheteria e entre a crítica.

X, dirigido por Ti West, é um daqueles que deve pintar entre as listas de melhores filmes de terror em 2022 por várias razões. Vamos entendê-las aqui.

Lugar errado, caminho certo

Primeiro, à história: um grupo se hospeda em uma casa no Texas a fim de gravar um filme pornô. Porém, o casal de idosos donos do local desconfiam das intenções dos jovens, que mentiram sobre a verdadeira razão de sua estadia. Cenário clássico para uma noite de desastres. 

Não é preciso muito para fazer um bom filme de slasher. Um ritmo equilibrado, mortes impactantes e gore de qualidade já bastam para um conteúdo decente. E X entrega tudo isso com segurança. Do “twist” erótico ao destino de alguns personagens, vários momentos são previsíveis, mas emplacam sequências memoráveis no bom e no mau sentido.

Imagem: Divulgação

Prepare o estômago 

West surpreende ao ousar, no clímax do longa, expor uma linda mas traumática cena de sexo – sem mais comentários -, quebrando a expectativa de um caminho conhecido no subgênero de slasher para algo ainda mais perturbador.

Quem mais se destaca aqui é Mia Goth, filha de brasileira e neta da atriz Maria Gladys (Os Fuzis). A jovem é o foco inicial do filme, embora seja arrastada do miolo para voltar apenas no final ao estilo final girl. Jenna Ortega (Pânico) vem construindo uma boa carreira no horror, sendo peça fundamental na obra. 

Imagem: Divulgação

Veredito

Em uma era de remakes, reboots, sequels, requels, etc, é refrescante assistir um slasher criativo e conciso que promete e entrega entretenimento. West, também produtor e editor, não inova visualmente, fazendo piscadelas para clássicos como Psicose, Massacre da Serra Elétrica e O Iluminado. O diretor coloca o manual embaixo do braço e está tranquilo com isso.

Muitas vezes, forçar uma hiperestilização de uma obra para entregar um saldo baixo no final é menos divertido do que emular uma atmosfera já batida e seguir um rumo desembestado. Não há nada de errado em fazer o simples. Que os dois pesos fiquem na mesma balança.

Pontos positivos:

  • Ritmo equilibrado
  • Clímax ousado
  • Conciso e seguro de si

Ponto negativo:

  • Protagonista “esquecida” em boa parte

Nota: 8