Veredito de tick tick… BOOM!

30/11/2021 - POSTADO POR EM Filmes
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O 1° longa dirigido por Lin-Manuel Miranda é ao mesmo tempo um sopro de vida e um murro na juventude sonhadora.

A produção da Netflix homenageia um dos maiores nomes da história da Broadway, Jonathan Larson, personificado por um Andrew Garfield, que surpreende no vocal. Confira nosso veredito sobre tick, tick… BOOM!

O trabalho de uma vida

Antes de contar a sinopse, é importante explicar o contexto da obra. Jonathan Larson dedicou grande parte de sua curta vida – morreu em 1996, aos 36 anos – à composição de musicais em busca de uma chance na tão sonhada Broadway

O nome do filme de 2021 é o mesmo de uma peça autobiográfica criada por Larson para expor seus sentimentos quanto à vida de um compositor em ascensão em Nova York na década de 90.

A fama de Larson disparou com a estreia de Rent, um dos musicais mais prestigiados da história e que, infelizmente, seu autor não pôde assistir no palco. Ele faleceu um dia antes da obra estrear.

Imagem: Divulgação

Degrau a degrau

Agora para a trama em si: Larson (Andrew Garfield) está prestes a completar 29 anos e corre para terminar sua primeira peça musical, Superbia, a fim de conseguir o investimento de grandes produtores e enfim crescer na indústria.

Um sonho trabalhado por oito anos por um talentoso e elétrico compositor, que não vê a hora de sair do seu minúsculo apartamento e de não ter mais dívidas.

O prazo para o workshop em que deve apresentar a obra para possíveis produtores se aproxima e, com ele, crises em amizades de décadas e no relacionamento com a namorada. 

Uma estrutura clássica de uma difícil superação para galgar novos patamares, mas com várias canções entrelaçadas.

Imagem: Divulgação

Prazer, Garfield

Embora já tenha vencido um Tony – equivalente ao Oscar no teatro estadunidense -, Garfield ainda não havia mostrado todo o seu potencial musical no cinema.

Em tick, tick… BOOM!, há tempo de sobra para o ator unir perfeitamente músicas engajantes – “Swimming”, “30/90” – e outras mais delicadas – “Johnny can’t decide”, “Why”, “Louder than words” – com uma energia contagiante, mesmo nos piores contextos dentro da história.

As potentes presenças de Joshua Henry, Robin de Jesus, Alexandra Shipp e de Vanessa Hudgens fortalecem as vozes coadjuvantes em uma jovem equipe que orbita Garfield

Destaque para as duas últimas citadas, que protagonizam um dos melhores momentos do filme no dueto “Come to your senses”.

Imagem: Divulgação

Veredito

Nem tudo é tão divertido e se encaixa como deveria aqui. Há uma sequência fantasiosa em “Sunday”, com uma camada referencial que apenas um público muito específico vai captar, que parece exagerada e deslocada do ritmo que estávamos acompanhando.

Em “Therapy”, o paralelismo da narração cantada por Garfield e Hudgens confunde pelo tom de humor/sarcasmo em contraste com uma das cenas mais importantes e duras do longa. O impacto do momento é prejudicado pela constante quebra da cena, voltando à fraca canção. 

tick, tick… BOOM! é uma obra maravilhosa para os amantes do teatro musical e que já conheciam a figura de Larson. Para quem não conhecia, é divertido e uma ótima apresentação à vida de um ícone. 

Não tem tantas canções que passarão dias repetindo na cabeça do público, mas é o suficiente para marcar presença na temporada de premiações.

Pontos positivos

  • Andrew Garfield em plena forma musical
  • Ritmo e tensão crescentes

Pontos negativos

  • Focado em um nicho específico demais, dificultando a experiência total
  • Algumas canções que prejudicam a linha que vinha sendo seguida

NOTA: 6,5