Veredito de Street Fighter

POSTED BY Andressa Camile 30/10/2026 in Filmes
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Após mais de 15 anos longe das telonas, Street Fighter ganha uma nova adaptação cinematográfica com a promessa de inaugurar uma franquia de sucesso para o clássico jogo de luta da Capcom dos anos 90. Dirigido por Kitao Sakurai (Bad Trip) com roteiro assinado por TJ Fixman (Bagagem de Risco), o projeto conta com nomes de peso no elenco, reunindo Andrew Koji, Noah Centineo e Jason Momoa para reimaginar o universo que já foi estrelado por Jean-Claude Van Damme no passado.

O Torneio Mundial

A trama acompanha Ken Masters (Noah Centineo) como uma estrela em ascensão nos ringues de luta livre. Após anos de treinamento rigoroso e o impacto da morte violenta de seu antigo mestre, o lutador decide usar suas habilidades para buscar fama e dinheiro, especialmente depois do sumiço repentino de seu parceiro Ryu (Andrew Koji).

Receoso de virar motivo de piada no circuito, Ken enxerga uma grande virada quando Chun-Li (Callina Liang) surge com o convite para um novo Torneio Mundial. O evento surge como a chance perfeita para ele conquistar o título de campeão e, ao mesmo tempo, reencontrar seu melhor amigo nos ringues.

Por trás dos bastidores, Chun-Li executa uma missão secreta para vingar o assassinato de seu pai contra o império militar da Shadaloo, liderado por M. Bison (David Dastmalchian). Com o objetivo de expor a organização criminosa, a agente reúne competidores habilidosos de vários cantos do planeta no famoso torneio clandestino de artes marciais.

Enquanto Ken busca a glória sob uma postura otimista, Ryu tenta se isolar, carregando o fardo de pesados conflitos internos. No momento em que as conspirações da Shadaloo vêm à tona, os guerreiros precisam deixar antigas rivalidades de lado para conter a ameaça letal comandada por Bison.

Imagem de Street Fighter
Imagem de Street Fighter

A Estética e o Espírito dos Anos 90

Embora a trama pudesse funcionar em qualquer contexto temporal, a escolha de ambientar tudo com a atmosfera dos anos 90 enriquece a proposta do longa. Ao abrir mão de uma seriedade excessiva, o filme abraça os clichês clássicos da ação física: pancadaria franca, sangue, diálogos peculiares e a tradicional sensualidade caricata dos fliperamas, criando uma experiência divertida justamente pelo seu descompromisso.

Ao evitar o uso exagerado de telas verdes e cortes rápidos na montagem, a coreografia entrega embates viscerais e fáceis de acompanhar. Andrew Koji brilha no combate corpo a corpo de Ryu, imprimindo força e precisão aos golpes icônicos como o Hadouken, além de manter excelente entrosamento com Noah Centineo, recriando a relação de irmandade entre os protagonistas. Callina Liang impressiona pela agilidade física ao desferir os chutes característicos de Chun-Li, enquanto David Dastmalchian constrói um Bison teatral, megalomaníaco e intimidador, honrando a histórica atuação de Raul Julia.

O design de produção merece destaque ao reproduzir a identidade vintage do jogo original. Os figurinos conseguem emular o visual clássico dos consoles sem parecer fantasias amadoras. Paralelamente, a trilha sonora de Leo Birenberg e Zach Robinson (Cobra Kai) combina temas originais retrô com sucessos marcantes da época.

Outro ponto alto surge nas sequências pontuais de animação 2D usadas nos momentos de lembrança do passado. A decisão de produzir esse material sem ferramentas de Inteligência Artificial reforça a autenticidade artística e fisga o espectador pelo apelo nostálgico.

Imagem de Street Fighter

Nem Tudo São Flores

No empenho de agradar a base de fãs, a narrativa inclui dezenas de lutadores célebres da franquia, como Guile, Balrog, Dhalsim, E. Honda, Dan Hibiki, Akuma e Blanka. Com tanta gente em tela, vários combatentes acabam restritos a pequenas pontas ou viram apenas alívios cômicos momentâneos.

Além disso, se os embates práticos impressionam pela fisicalidade, os efeitos digitais apresentam certas oscilações técnicas. A computação gráfica utilizada para transformar Jason Momoa em Blanka e para recriar as rajadas de energia do Psycho Power de Bison nem sempre atinge o acabamento ideal.

O roteiro cumpre o padrão esperado para adaptações de videogame: uma narrativa simples e direta, cujo foco principal é o entretenimento nas salas de cinema.

Imagem de Street Fighter
Imagem de Street Fighter

Veredito

Street Fighter não tenta se vender como uma obra dramática profunda nem disfarça suas origens nos jogos eletrônicos. Trata-se de uma aventura vibrante, empolgante e totalmente consciente dos absurdos do seu próprio universo. Com boas coreografias, respeito ao material original e um elenco entrosado, consolida-se como a transposição em carne e osso mais divertida da marca até hoje.

Com excessos calculados, resolução ágil de conflitos e foco em diversão despretensiosa, o filme encontra seu público e diverte com louvor. Vale a pena permanecer até o fim para acompanhar a cena pós-créditos, que fecha a exibição com bom humor e audácia.

Pontos Positivos

  • Coreografias e cenas de ação
  • Direção segura
  • Atuações e química do elenco
  • Trilha sonora vibrante
  • Figurinos fiéis ao material original
  • Qualidade das sequências em animação

Pontos Negativos

  • Roteiro raso com excesso de personagens
  • Oscilações na computação gráfica (CGI)

Nota: 9 / 10