Impulsionado pelo sucesso das adaptações teen no cinema nacional, chega às telonas o emocionante As Dez Vantagens de Morrer Depois de Você (2026). Baseado no livro homônimo de Fernanda de Castro Lima, que também assina o roteiro sob a direção de Diego Freitas, o longa é protagonizado por Any Gabrielly e Giulia Be. Mas será que a obra consegue ir além do clichê dramático ou fica presa aos tropos das produções juvenis? Confira nossa crítica completa!
O Enredo: Uma Jornada de Luto, Desafios e Superação
A trama gira em torno de Júlia (Giulia Be) e Gabriela (Any Gabrielly), amigas inseparáveis desde a infância que compensam suas personalidades opostas. Enquanto Júlia é extrovertida, espontânea e movida à energia, Gabriela é centrada, dedicada aos estudos e a voz da razão na amizade.
O mundo de Gabriela vira de ponta-cabeça quando um trágico acidente tira a vida de sua melhor amiga. Confrontada com o vazio da perda, a jovem descobre que Júlia deixou para trás uma série de cartas contendo dez missões que ela precisará cumprir.
Um Drama Adolescente Feito para Emocionar
As Dez Vantagens de Morrer Depois de Você aborda sem rodeios temas sensíveis como luto, depressão e a dor de perder um amigo durante a juventude, uma experiência devastadora e pouco retratada com essa crueza no cinema nacional. Prepare o lenço: a carga emocional é garantida.
O roteiro busca tratar esses assuntos com delicadeza, refletindo com fidelidade a devastação de quem encara a morte pela primeira vez. No entanto, a direção tropeça em alguns excessos de literalidade. Tentativas de inovar visualmente acabam caindo em clichês conhecidos do gênero, como metaforizar crises de depressão por meio de afogamentos ou usar câmeras tremidas e silêncios bruscos para reforçar a tensão.
O Contraste Entre o Elenco Adulto e o Jovem
O elenco adulto conta com nomes experientes como Sheron Menezzes, Leo Jaime e Regiane Alves. A bagagem desses atores eleva a profundidade dos diálogos e confere densidade dramática às cenas mais pesadas da narrativa.
Contudo, essa força acaba evidenciando a oscilação de desempenho do núcleo jovem. Como a trama se dedica majoritariamente aos adolescentes, o contraste de atuação se torna perceptível quando os dois elencos compartilham a tela. Embora compreensível pela diferença de estrada profissional, a discrepância na entrega emocional pode soar um pouco desconectada e gerar momentos de distração.
Roteiro com Estética Americanizada
Se por um lado a história acerta ao retratar com fidelidade a revolta e a dormência do luto juvenil, por outro peca pela excessiva influência “Hollywoodiana”. A ambientação tenta se situar em São Paulo, mas flerta constantemente com o estilo de cidadezinhas americanas genéricas.
Elementos como ameaças de ir para um “colégio militar”, acampamentos na beira do lago com monitores de bermuda cargo e uma dinâmica escolar onde todos parecem se conhecer distanciam o espectador da realidade brasileira. Apesar de incluir cenários icônicos como a Avenida Paulista e o bairro da Liberdade, a sensação de que o filme foi formatado para uma fácil exportação ou dublagem internacional compromete parte do seu charme local.
Trilha Sonora Subaproveitada
Mesmo contando com duas cantoras de destaque no papel das protagonistas, o aspecto musical do filme deixa a desejar. A trilha sonora aposta majoritariamente em faixas autorais interpretadas por Giulia Be e Any Gabrielly, mas que se revelam genéricas e sem grande apelo. Já as poucas faixas não autorais parecem descoladas do contexto emocional das cenas, perdendo a oportunidade de enriquecer a atmosfera do longa.
Vale a pena assistir?
Apesar das inconsistências de tom e do roteiro por vezes aculturado, As Dez Vantagens de Morrer Depois de Você entrega o que se propõe a fazer: uma jornada emocionante, sensível e altamente capaz de cativar seu público-alvo.
Any Gabrielly entrega uma interpretação tocante e honesta da dor do luto, enquanto Sheron Menezzes brilha como uma âncora de maturidade no papel da mãe de Gabriela. Para quem busca uma história sobre amizade, superação e um bom romance adolescente, o charme do clichê se mantém intacto e garante um entretenimento envolvente.
Pontos Positivos:
- Sensibilidade temática: Tratamento delicado e realista sobre luto e depressão na juventude.
- Elenco de apoio: Atores veteranos trazendo peso e profundidade às cenas de maior impacto.
- Conexão emocional: Momentos tocantes que capturam com fidelidade a dor da perda.
Pontos Negativos:
- Ambientação americanizada: Perda de identidade nacional em prol de clichês teen estrangeiros.
- Trilha sonora fraca: Pouco aproveitamento do talento vocal das protagonistas.
- Literalidade visual: Direção apela para metáforas batidas em momentos de crise.
Nota: 6 / 10