Veredito de Shang-Chi e a Lenda dos Dez Anéis

08/09/2021 - POSTADO POR EM Filmes
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O 1º filme solo de um herói asiático do MCU chegou com muitas expectativas para a 4ª fase desse universo e como a certeza de uma aposta certeira no mercado chinês. Financeiramente, já está sendo um sucesso, mas será que Shang-Chi e a Lenda dos Dez Anéis faz jus ao peso que foi posto em suas costas? Confira nossa visão sobre o longa.

Ode aos clássicos

Shang-Chi aproveita bem, logo no início, a liberdade que poucos filmes da Marvel possuem: não precisa se conectar a nenhum outro do MCU para fazer sentido, apenas apresentar sua própria história com calma.

A abertura narrada por Jiang Li (Fala Chen) sobre a ascensão do longínquo império de Wenwu (Tony Leung) e o confronto entre os dois, ao melhor estilo O Tigre e o Dragão (2000), dão esperanças de uma produção diferente para a famosa “fórmula Marvel”. Uma abordagem mais artística e menos funcional da ação, com momentos de contemplação, para além de apenas explodir tudo com CGI.

Com a breve apresentação da rotina de Shaun/Shang-Chi (Simu Liu) e sua melhor amiga Katy (Awkwafina) como manobristas na Califórnia, mais um momento para alegrar os amantes do cinema de artes marciais. A sequência de combates no ônibus em movimento lembra a melhor fase de Jackie Chan: ritmo de luta frenético, poucos cortes, uso dos elementos ao seu redor como instrumentos na luta corpo a corpo. 

As sequências em Macau não ficam para trás. Tanto no ringue, com Shaun versus sua irmã Xialing (Meng’er Zhang) – tão habilidosa quanto ele -, quanto na fuga pela estrutura externa de um enorme prédio destacado à noite por luzes neon, há um incrível senso espacial nas acrobacias contra os capangas dos Dez Anéis, comandado por Wenwu, pai do protagonista.

Aliás, o verdadeiro Mandarim aqui se torna um dos vilões mais marcantes dos mais de 20 filmes do estúdio, muito pela excelente escolha de Tony Leung para interpretá-lo. Lenda do cinema de Hong Kong pelos seus trabalhos com o icônico cineasta Wong Kar-wai, Leung intimida por sua presença charmosa e força ao portar os anéis do poder.

Tudo isso em menos de uma hora de longa, firmando Shang-Chi como um dos melhores começos de uma obra do MCU. Pena que a hora restante não seja do mesmo nível.

Imagem: Divulgação

Do vibrante ao cinza

Até o seu terceiro ato, Shang-Chi despontava como dono das melhores cenas de ação da Marvel desde Capitão América e o Soldado Invernal (2014) e mais belo visualmente desde Pantera Negra (2018), ao também integrar o caráter cultural em seu conflito principal (busca pelo equilíbrio do herói, princípio filosófico e religioso do taoísmo, tradicional da China).

Ao integrar esses pontos ao crescimento de Shang-Chi, como nas cenas de treinamento, o longa confia em uma resolução, à primeira vista, em pequena escala contra o vilão, incapaz de superar seu passado trágico e aceitar sua família como ela é.

Porém, como quase todo filme da Marvel, o ato final tem que ser na maior escala possível e, de preferência, com o máximo de CGI que o dinheiro puder investir. Infelizmente, a estética colorida dá lugar a um campo acinzentado com tantos elementos ao redor de um novo monstro que fica difícil acompanhar e desfrutar da ação na conclusiva batalha. Uma escolha estilística que sempre parece vir de cima e quebrar o que estava sendo construído pelo diretor, no caso aqui, Destin Daniel Cretton, e por sua equipe.

Imagem: Divulgação

Veredito

Shang-Chi passa rapidamente de um ponto fora da curva visual no MCU para mais do mesmo em seus minutos finais. Porém, isso não anula tudo de interessante que construiu em seus 130 minutos.

A expansão desse já vasto Universo para enfim abranger o lado oriental do mundo humano demorou e correspondeu tematicamente, sem abusar dos alívios cômicos em horas desnecessárias, como nos últimos dois filmes do estúdio. 

Apesar de Simu Liu perder os holofotes várias vezes para Tony Leung e para Awkwafina – impressionante como a atriz atrai qualquer cena para si pelo carisma -, o sino-canadense tem tudo para virar uma das peças cruciais no enorme quebra-cabeça do MCU, como antecipado pela 1ª cena pós-créditos. 

Pontos negativos

  • Queda de qualidade visual devido ao exagero de CGI no ato final

Pontos positivos

  • Liberdade dentro do MCU para estilo próprio no início, sem depender de outros filmes

NOTA: 7,5