Veredito de Enola Holmes 2

09/11/2022 - POSTADO POR EM Filmes
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Enola Holmes 2 chegou à Netflix recentemente e, como esperado, está entre os títulos mais vistos da plataforma nos últimos dias. O longa mantém o nível de seu antecessor, o que já é uma boa surpresa, repetindo os acertos e os erros. Confira o que achamos do lançamento, dirigido por Harry Bradbeer.

Enfim um bom mistério

Diferente do 1º longa, em Enola Holmes 2 enfim a investigação recebe todos os holofotes. Enola (Millie Bobby Brown) está com dificuldades para convencer o público de seu talento como detetive na agência que criou, ainda na sombra da fama de seu irmão, Sherlock (Henry Cavill).

Quando finalmente surge um caso para a jovem, os caminhos dos Holmes se cruzam durante a investigação: o desaparecimento da operária Sarah Chapman (Hannah Dodd), que envolve contextos políticos e chantagens, conectando também com o trabalho do Lorde Tewkesbury (Louis Partridge), interesse amoroso de Enola.

Essa linha do mistério associando o “núcleo romântico” aos desafios da investigação é a maior melhora em comparação com o filme de 2020, que ficava meloso em momentos inoportunos. 

O que antes tomava boa parte da história, sobrando pouco tempo para análises da detetive, agora une os dois lados em uma rede maior de influências, dinamizando a narrativa sem quebrar tanto o ritmo. Como é de se esperar de uma produção com a marca “Holmes”.

Imagem de divulgação de Enola Holmes

Vícios ou deslizes?

Os constantes flashbacks e as quebras de 4ª parede continuam irritantes na maioria das vezes. Informações óbvias, exibidas claramente, são verbalizadas e algumas acompanham até desenhos as explicando. Está longe da qualidade que Bradbeer conseguiu na série Fleabag, em que ele dirigiu quase todos os episódios. 

Parece menosprezar a capacidade do espectador de somar 2+2. O que pode ser compreensível, visto que o público-alvo são jovens que desejam apenas assistir algo leve e sem complicações. São vícios conscientes, talvez, em sacrifício de um produto mais próximo para uma geração preguiçosa.

Imagem de divulgação de Enola Holmes

Veredito

A resolução do caso é engenhosa e engajante, embora seja jogada para escanteio no esticado clímax pelo twist do “vilão maior”. Ficou a impressão de que a escolha foi apenas para render um filme derivado com Cavill, cujo personagem ganhou bem mais peso na trama central.

O gancho com a histórica greve de mulheres de uma fábrica de fósforos em 1888, na Inglaterra, é ótimo para reforçar o desenvolvimento de Enola como um símbolo feminista. Além disso, rende mais cenas com sua mãe, interpretada por Helena Bonham Carter, sempre incrível em tela.

Millie Bobby Brown está cada vez mais confiante e leve no papel. Como falei dois anos atrás: é muito legal acompanhar o crescimento natural da sua carreira. Bradbeer inclusive deu mais liberdade para a atriz improvisar em cena, impressionado com seu compromisso e talento desde o 1º filme.

“Eu não podia acreditar que alguém, que tinha apenas 15 anos quando começamos, era tão inteligente e ciente do que o personagem poderia ser, mas ao mesmo tempo completamente vivo no momento. E isso não é algo que as pessoas liguem muito. Você tem atores técnicos e pessoas espontâneas e vivas que podem improvisar. Muito poucos podem girar esses dois pratos. E ela conseguia”, comentou o diretor em entrevista ao portal Deadline sobre a produção de Enola Holmes 2.

A continuação da franquia ainda não foi confirmada, porém, é provável que a Netflix não demore tanto para isso, vide seu sucesso de views na plataforma.

Pontos negativos:

  • Manutenção de constantes flashbacks e as quebras de 4ª parede inoportunas
  • Clímax esticado para sugestão de um possível derivado

Pontos positivos:

  • Foco maior na investigação do mistério principal
  • Segurança no drama e na comédia de Millie

NOTA: 7/10