Veredito de Cruella

02/06/2021 - POSTADO POR EM Filmes

Cruella é o mais novo filme da Disney que apresenta uma releitura de uma das suas animações clássicas, sendo dessa vez baseado na icônica vilã de 101 Dálmatas (1961), a famosa Cruella de Vil. O longa chegou recentemente a alguns cinemas e também no Disney+ por meio do Premier Access. 

A direção ficou por conta de Craig Gillespie (Eu, Tonya), com roteiro de Tony McNamara (A Favorita) e Dana Fox (Megaromantico). Além disso, na produção executiva encontra-se a atriz ganhadora do Oscar Glenn Close, que já deu vida à personagem no live action de 1996. Nós conferimos esse lançamento e agora trazemos o veredito para vocês.

Gênio incompreendido e solitário

O filme é narrado pela própria Cruella (Emma Stone), ou Estella (Sim, a vilã tem um nome comum como todos nós), desde o seu nascimento até os dias atuais. Criada no campo com uma boa mãe, que colocou nela o apelido de Cruella em momentos de mau comportamento, a protagonista desde jovem já mostra que tinha sensibilidade para a moda. Por conta disso, diversas vezes não era muito bem compreendida pelos colegas.

Depois de uma série de acontecimentos, mãe e filha decidem se mudar para Londres. Porém, antes disso, um acidente acontece que deixa a pobre Estella órfã e ainda se culpando pelo destino trágico da progenitora. Ela abandona tudo, levando consigo apenas o seu filhote de estimação e tentando deixar as lembranças ruins para trás.

O destino a faz encontrar Horácio (Paul Walter Hauser) e Jasper (Joel Fry), e ainda criança, eles a ensinam tudo o que há para saber sobre como sobreviver nas ruas de Londres roubando. Os anos passam, mas Estella nunca esqueceu sua inclinação para a moda. Até que um dia, ela consegue uma chance de ouro no ateliê da Baronesa Von Hellman (Emma Thompson ), responsável por uma das Casas de Moda mais conceituadas da capital inglesa. 

A garota se agarra a essa chance com unhas e dentes, querendo deixar seu passado para trás e disposta a ficar num futuro brilhante e criativo… Até ela vê algo que ofusca qualquer foco, mudando todas as suas perspectivas para um único objetivo: vingança.

Imagem: Divulgação

Tá bom, tá favorável

Cruella tinha tudo para ser um excelente longa. Os personagens são interessantes, a história é bem adaptada, o cenário é favorável, e ainda trás uma vilã, não reformada, mas com uma atitude renovada e jovem que estávamos sentindo falta. Mas existem sim falhas que o fazem cair no conceito, porém nunca deixando de ser um bom filme. 

Enquanto Emma Stone rouba a cena de uma forma espetacular e Emma Thompson exibe uma versão icônica e próspera para a Baronesa. Mas os demais atores acabam não encaixando no ritmo do filme e são engolidos pela presença das duas protagonistas. O auge do longa são as cenas em que ambas estão juntas, não importando qual especificamente, já que todas são dignas de nota.

Contudo, também é bom pontuar que durante o filme um terceiro protagonista surge, que é a própria Moda. O figurino é IMPECÁVEL. Trabalhando contexto, roteiro, personagem… Tudo. Por isso, em Cruella não são apenas as atuações que farão você se prender nas cenas, mas a Moda é peça fundamental para a produção.

Uma pena que em contrapartida, o estúdio resolveu não inovar nos efeitos especiais, presentes principalmente, e mais nitidamente, nos animais. Mas pelo menos ele se esforçou na parte das referências à obra original, como outra forma de entreter o público. Há diversos personagens e locais em Cruella que podemos nos lembrar também em 101 Dálmatas.

Imagem: Divulgação

Veredito

Ao contrário do que se acreditava, o filme não vem com o intuito de trazer uma redenção para a vilã de uma forma tão explícita, e nem é tão traumático quando se trata de animais. Ele nos mostra, por fim, uma garota que passou por muita coisa e cansou da opinião alheia… Apesar de haver sim a retratação, mesmo que sutil.

Cruella é divertido, mesmo que algumas vezes caótico (e que sim, nós sabemos, foi proposital). Isso acontece pois ele consegue remeter ao contexto punk londrino dos anos 70, ao mesmo tempo que vai resolver um drama familiar, misturado ao humor ácido presente na personagem. Outro ponto positivo é a sua trilha sonora, que é completamente nostálgica e inglesa, trabalhando com cada cena de maneira bem encaixada.

Interessante também ver como a inclusão é trabalhada na produção. Temos o personagem Artie (John McCrea), que trabalha num brechó, conhece bastante de moda e não se importa com as opiniões da sociedade, e Anita Darling (Kirby Howell-Baptiste), uma repórter negra que escreve sobre moda no maior jornal da cidade.

Por fim, Cruella pode pecar quanto ao ritmo de atuação, mas dificilmente perde qualidade quando o assunto é entreter. Há muito o que se gostar no filme, além de sua cena pós-créditos.

Pontos positivos

  • Moda e figurino
  • Trilha sonora
  • Emma Stone e Emma Thompson
  • Referências à obra original

Pontos negativos

  • Ritmo de atuação
  • Personagens secundários engolidos e esquecíveis

NOTA: 7.8