O isolamento social tende a inspirar diversas histórias para as telonas com alguma relação à pandemia de Covid-19. Em #Alive, da Coreia do Sul, a “quarentena” é ponto importante na trama, junto ao estopim de outro surto: zumbis.
O novo longa bateu o recorde de público no fim de semana de estreia em seu país de origem, após a recém abertura dos cinemas no fim de junho. A produção entrou no catálogo da Netflix no começo de setembro e vem chamando a atenção no Brasil. Será que vale a pena? Confira nosso veredito!
A horda na metrópole
Assim como diversos filmes de zumbi, #Alive não se preocupa em explicar como a infecção iniciou. O protagonista Oh Jun-u (Yoo Ah-in) de repente é alertado do curioso fato, abre a janela do apartamento e se depara com uma multidão desesperada na rua de Seul, lutando contra os famintos semimortos.
Sozinho em casa e sem notícias de sua família – que saiu enquanto ele dormia, o jovem não tem muitas opções a não ser manter-se em um isolamento sem previsão de término. O drama pelo desconhecido gatilho das transformações e a falta de informação sobre uma cura causam ansiedade em Jun-u, que procura (sem sucesso) se distrair em jogos online, uma espécie de mecanismo de fuga que se assemelha à realidade de alguns durante a quarentena no mundo real.
Imagem: Divulgação
A esperança mora ao lado
Com comida e água acabando, zumbis aguardando do lado de fora e sem sinal da família, o isolamento no 1º ato do filme não inova, até pelo reduzido espaço de ação no apartamento. A narrativa evolui com a introdução de outra sobrevivente: Kim Yu-bin (Park Shin-hye), vizinha de rua de Jun-u, que inicia contato com o jovem do prédio da frente.
A interação entre os dois é ponto alto do longa. Ambos se ajudam com suprimentos e conversas depois de tantos dias sem ver um rosto humano. Uma relação genuína e que tira a monotonia da história. Pena que o momento é tão curto.
Imagem: Divulgação
Veredito
Em sua estreia no comando de um longa, o diretor Il Cho não decepciona na administração dos poucos 90 minutos. Tira o melhor dos atores principais e é eficiente nas pequenas cenas de combate com os zumbis. Surpresa positiva para a fotografia de Sohn Won-ho, capaz de aproveitar bem a profundidade dos limitados espaços dos apartamentos e corredores dos prédios.
O roteiro de Matt Naylor tenta inovar com o elemento do isolamento social mas acaba caindo no marasmo que os filmes do sub-gênero naturalmente já possuem. A conclusão desaponta pela ação na incoerente luta contra os zumbis, em um fechamento sem originalidade alguma.
O último ato – SPOILERS a seguir – ainda frustra ao apresentar um momento no mínimo preguiçoso com a introdução de um terceiro sobrevivente e de sua esposa. Poucos anos depois do ótimo Invasão Zumbi, #Alive é um potencial desperdiçado e entra para a vasta lista de filmes rasos que usam do recurso “morto-vivo” para fisgar um público fiel.
Pontos negativos
- Inúmeros clichês aumentam a previsibilidade da trama
- Ato final “forçado”
Pontos positivos
- Boa química entre Yoo Ah-in e Park Shin-hye
NOTA: 4,5