Veredito de Evangelion: 3.0+1.0: A Esperança

21/08/2021 - POSTADO POR EM Animes / Mangás E Filmes
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Neon Genesis Evangelion (1995-1996) está no hall de melhores animes da história, disso não há dúvidas. Os remakes/reboots em forma de filmes vieram para expor uma outra visão de seu criador, Hideaki Anno

26 anos depois do lançamento da série original, a história dos EVA enfim chega ao seu capítulo final em Evangelion: 3.0+1.0: A Esperança. O longa está disponível no catálogo da Amazon Prime Video e você confere nosso veredito abaixo.

ATENÇÃO! O TEXTO A SEGUIR CONTÉM SPOILERS DOS FILMES ANTERIORES DE EVANGELION.

Uma folga em meio ao caos

Após os impactantes – e confusos – acontecimentos de Evangelion: 3.0 You Can (Not) Redo, uma necessária pausa no núcleo central da história mostra as consequências do Quase Terceiro Impacto – fim de Evangelion: 2.0 You Can (Not) Advance – na cidade de Tokyo-3 e o que se tornou a vida de seus sobreviventes durante esses 14 anos. Explicações que deveriam estar presentes no 3º filme, o mais fraco da série Rebuild, e que resgatam o lado mais humano dos personagens.

Shinji, Asuka e Rei têm o tempo aqui para descansar e refletir sobre suas próprias motivações através do choque de realidade exposto pelos amigos Toji, Kensuke e Hikari. Agora adultos, todos buscaram restabelecer uma vida derrubada pelos conflitos entre a Seele e a Nerv, que não hesitavam em pôr os cidadãos em risco em meio às batalhas contra os Anjos.

Porém, o mais afetado, como sempre, foi Shinji. O garoto viu a morte de Kaworu ao seu lado e ganhou outro trauma para carregar. A lenta recuperação do piloto, influenciada por Asuka, dá espaço para entendermos as aflições dos protagonistas como os jovens que são, não apenas como instrumentos de luta de robôs gigantes.

Esses momentos de fôlego, assim como nos melhores momentos da série original e do Rebuild, são a base emocional do aguardado combate final contra Gendo, pai de Shinji.

Imagem: Divulgação

Enfim, o crescimento

Os 90 minutos restantes do longa viram a chave para a ação e retomam a perseguição de Misato a Gendo e a Fuyutsuki para evitar um possível Quarto Impacto. Diferente de seu antecessor, 3.0 + 1.0 é bem resolvido visualmente durante as frenéticas lutas entre os EVA, sem uma nauseante exibição exagerada do nível da animação.

Aqui, acompanhar Asuka e Mari em seus robôs é prazeroso pela dinâmica mais controlada da perspectiva de combate, criando as melhores cenas de guerra dos Rebuild.

Depois da oportuna explicação de Gendo sobre seu objetivo – um Impacto Adicional para destruir os campos físicos, emocionais e espirituais definitivos dos seres vivos -, finalmente Shinji assume seu livre-arbítrio de pilotar o EVA 01 para ajudar os outros sem precisar de um empurrão de terceiros. Uma alteração bem-vinda a um protagonista tão criticado, que se desenvolveu ao ponto de questionar os traumas do vilão como esposo e pai.

Essas facetas do passado de Gendo, expostas ao estilo de rabiscos, são elementos que se aproximam à essência visual e ao estudo de personagem presentes em End of Evangelion, por meio de um experimentalismo que Anno domina como poucos, provando o crescimento tanto da obra quanto do criador.

Imagem: Divulgação

Veredito

3.0+1.0 consegue aliar muito bem as discussões da psique de seus personagens com as lutas de EVAs em larga escala. Embora dê voltas confusas sobre sua mitologia, exigindo paciência do público, sabe se ater à sua essência como série que foi revisada e alterada, ainda respeitando a original e tirando o melhor dos dois lados em uma conclusão marcante.

Não é o melhor da série dos Rebuild, com o 2.0 um pouco superior, mas ajeita o terreno devastado pelo 3.0, o mais fraco dos quatro.

Evangelion não precisava de remakes nem de reboots. Entretanto, é gratificante ver, ao fim dos quatro filmes, um saldo positivo após tantos problemas nesses 14 anos até chegarmos ao capítulo final.

O adeus definitivo a este universo é mais esperançoso que em End of Evangelion. A preferência pelas versões vai de cada um. O interessante é a autodescoberta junto aos protagonistas ao longo da série.

Pontos positivos

  • Melhor resolvido visualmente da série Rebuild
  • Clímax semelhante a End of Evangelion

Pontos negativos

  • Efeito de Vale da Estranheza com o CGI em alguns momentos
  • Confusão pela torrente de informações novas perto do clímax

NOTA: 8