Os curta-metragens são um formato que muitas vezes acabam sendo subestimados, mas que são capazes de contar grandes e poderosas histórias que não precisam de mais do que alguns minutos. Os curtas ainda podem ser uma boa pedida para quem nem sempre tem muito tempo para se dedicar à um filme mais extenso.
O atual contexto de isolamento social pode acabar gerando ansiedade em muita gente, que não consegue se concentrar para assistir cerca de 2 horas de um filme, por exemplo. Pensando nisso, montamos uma lista de alguns dos melhores curtas-metragens já produzidos no Brasil. Todos possuem, no máximo, 25 minutos de duração, e ainda assim representam uma produção de qualidade a ser consumida.
Confira 5 curtas nacionais que todo brasileiro devia assistir!
O Duplo
Começamos as indicações com a atmosfera de suspense de “O Duplo”, de Juliana Rojas (“As Boas Maneiras”, 2017). Em ascensão no cenário do cinema de horror brasileiro, a diretora consegue, em apenas 25 minutos, despertar um senso de dúvida enorme com a história de Silvia (Sabrina Greve), jovem professora de ensino infantil que passa a encontrar seu doppelganger.
A tensão diante de sua duplicata ser uma alucinação ou não mexe com a mente da professora, assim como a do espectador. Uma boa pedida para quem quer uma rápida escalada de tensão na tela.
No Devagar Depressa dos Tempos
O documentário em curta dirigido por Eliza Capão retrata a vida no interior do Piauí, em Guaribas, cidade piloto do programa Bolsa Família, em 2003. No formato de entrevistas variando entre o dia a dia das mulheres que habitam o local, Eliza busca captar os desejos de cada uma para seus futuros e os de suas famílias na pequena cidade.
Simples e com somente 25 minutos, “No Devagar Depressa dos Tempos” exibe uma realidade de um Nordeste que cresceu não só economicamente, mas viu seus habitantes enxergarem seus sonhos de uma distância menor.
A Mão que Afaga
Mais um nome em ascensão no cinema de gênero no Brasil, Gabriela Amaral de Almeida (“Animal Cordial”, 2017) cria uma atmosfera sufocante nos 19 minutos de “A Mão que Afaga”. A operadora de telemarketing Estela (Luciana Paes) deseja, a todo custo, organizar uma festa de aniversário para seu filho Lucas, que completa 9 anos.
O tom melancólico do curta diante da dúvida se os amigos da escola vão para a festa da solitária criança e se a mesma vai gostar da noite especial que sua mãe tentou construir só aumenta quando os planos não saem como o esperado.
De Castigo
Partindo para uma produção mais leve e cômica, “De Castigo” nos apresenta à Tia Guta (Lilian Blanc), que recebe em seu apartamento seu sobrinho Felipe por alguns dias. A questão neste curta de 20 minutos de Helena Ungaretti é quem de fato está castigo: o adolescente enviado para a casa da tia ou a idosa que precisa conviver com o jovem.
Recife Frio
Fechando a lista com Kleber Mendonça Filho (“Aquarius”, 2016), o curta em formato de documentário ficcional expõe a cidade de Recife, conhecida pelo seu clima tropical, coberta por uma grande nuvem que diminui a temperatura para parâmetros europeus.
A mudança na atmosfera da capital pernambucana gera reviravoltas nunca imaginadas na vida de habitantes, empreendedores e turistas acostumados com o sol constante. O documentário acompanha, com relatos em formato de entrevistas, os efeitos da onda fria na cidade nordestina.
Considerado pela Associação Brasileira de Críticos de Cinema (Abraccine) como um dos melhores curtas da história do Brasil, os 22 minutos de “Recife Frio” marcam também a primeira parceria de Kleber com Juliano Dornelles, diretor de ator que participa como ator da produção. Os dois fariam sucesso juntos na direção do longa “Bacurau”, de 2019.