Faz mais de uma década desde que Scott Pilgrim vs. the World: The Game conquistou uma legião de fãs ao transformar o universo criado por Bryan Lee O’Malley em um divertido beat ’em up cheio de referências à cultura gamer. Agora, com Scott Pilgrim EX, a franquia retorna aos videogames tentando expandir aquela fórmula que fez sucesso no passado.
Desenvolvido pela Tribute Games, o mesmo estúdio responsável por Teenage Mutant Ninja Turtles: Shredder’s Revenge, o novo título aposta em pancadaria frenética, humor característico e uma avalanche de referências aos videogames clássicos.
Confira agora o que achamos do jogo!
Também leia:
Análise de Resident Evil Requiem
História
A trama apresenta uma aventura inédita dentro do universo da série. Tudo começa quando Scott e sua banda, Sex Bob-Omb, estão ensaiando para uma apresentação importante. A situação muda rapidamente quando um novo vilão, conhecido como Scott de Metal, invade o local e sequestra os integrantes da banda, deixando apenas Scott para trás.
Cada um dos amigos acaba preso em diferentes fendas no espaço-tempo, obrigando o protagonista a explorar uma versão caótica de Toronto em busca de pistas e caminhos para resgatá-los.
A história mantém o mesmo tom leve e bem-humorado que marcou os quadrinhos. Diálogos rápidos, situações absurdas e pequenas piadas visuais aparecem o tempo todo, reforçando aquele clima descontraído que sempre fez parte da identidade da franquia.
Embora a narrativa não seja o foco principal da experiência, ela funciona bem como motivação para avançar pela campanha e descobrir o que está acontecendo por trás dos portais dimensionais espalhados pela cidade.
Jogabilidade
Mesmo que os desenvolvedores descrevam o jogo como uma mistura de ação e aventura, a base de Scott Pilgrim EX continua sendo o clássico beat ’em up de briga de rua.
O jogador avança pelos cenários enfrentando grupos de inimigos, utilizando ataques fracos, golpes fortes e habilidades especiais para criar combos e derrubar adversários. É um sistema simples e direto, mas que funciona bem graças à fluidez dos golpes e à variedade de personagens.
Ao todo são sete personagens jogáveis, cada um com atributos e estilos de combate diferentes. Scott funciona como uma opção mais equilibrada, enquanto outros personagens apresentam especializações específicas em força, agilidade ou resistência.
Entre todos eles, Ramona acaba se destacando bastante. Seus ataques com o martelo gigante são pesados e extremamente satisfatórios, tornando-a uma das opções mais divertidas para experimentar durante a campanha.
Outro elemento importante são os objetos espalhados pelos cenários. Skates, bastões e outros itens podem ser usados temporariamente como armas improvisadas, adicionando mais variedade aos confrontos.
Exploração e progressão
Uma das principais mudanças em relação ao jogo de 2010 é a presença de um pequeno mapa que permite explorar diferentes áreas da cidade.
Em vez de seguir uma sequência linear de fases, agora é possível circular entre regiões dominadas por três gangues principais: Veganos, Robôs e Demônios. Cada área apresenta desafios próprios e missões relacionadas ao resgate dos integrantes da banda.
Apesar da ideia interessante, o sistema de progressão ainda apresenta alguns problemas. Os itens que melhoram atributos são aplicados apenas ao personagem que os coleta. Isso significa que trocar de lutador ao longo da campanha pode acabar sendo desvantajoso, já que alguns personagens ficam naturalmente mais fortes do que outros.
Na prática, isso pode levar o jogador a se concentrar em apenas um personagem ou a gastar um tempo extra coletando moedas para melhorar os demais.
Gráficos e trilha sonora
Visualmente, o jogo é um avanço claro em relação ao seu antecessor. A pixel art é extremamente detalhada e cheia de personalidade, com animações fluidas que reforçam o carisma dos personagens.
O retorno do artista e animador Paul Robertson ajuda a manter a identidade visual que marcou o primeiro jogo, mas agora com cenários ainda mais vivos e cheios de elementos em movimento. A cidade de Toronto parece sempre agitada, seja pelos inimigos, pelos NPCs ou pelos pequenos detalhes espalhados pelas ruas.
Outro destaque importante é a trilha sonora criada pela banda Anamanaguchi. Com seu estilo eletrônico em 8-bit, as músicas acompanham perfeitamente o ritmo frenético das lutas e ajudam a manter a energia da aventura lá em cima. É aquele tipo de trilha que continua na cabeça mesmo depois de desligar o jogo.
Veredito
Scott Pilgrim EX consegue capturar muito bem o espírito irreverente da franquia. A combinação de humor, pancadaria e referências à cultura gamer cria uma experiência divertida que certamente vai agradar fãs antigos e também quem está conhecendo esse universo agora.
Ainda assim, alguns problemas herdados do jogo anterior continuam presentes, especialmente no sistema de progressão e em certas decisões de design que podem desestimular a troca de personagens ao longo da campanha.
Mesmo com esses pontos, o jogo continua sendo uma experiência bastante divertida, especialmente quando jogado com amigos, que é claramente o cenário ideal para esse tipo de aventura.
Pontos positivos
- Combate simples, fluido e divertido
- Personagens com estilos diferentes de jogo
- Pixel art extremamente carismática
- Trilha sonora energética e marcante
Pontos negativos
- Sistema de progressão pouco equilibrado
- Backtracking em alguns momentos da campanha
- Jogabilidade menos confortável para quem joga sozinho
Nota: 8.0 / 10