Análise de Resident Evil Requiem

04/03/2026 - POSTADO POR EM Jogos

Ser fã de Resident Evil é, inevitavelmente, viver entre expectativa e cautela a cada novo lançamento. Ao longo de quase três décadas, a franquia da Capcom passou por diferentes fases, algumas extremamente marcantes, outras mais controversas. Por isso, quando Resident Evil Requiem foi anunciado, minha reação foi uma mistura de curiosidade e receio.

Como alguém que acompanha a série há anos, existe sempre aquela esperança de reviver o terror que definiu a franquia, mas também a consciência de que nem todas as tentativas de inovação funcionaram no passado. Requiem surge justamente nesse meio-termo: um jogo que tenta respeitar a identidade clássica da série, enquanto busca novas formas de contar sua história e estruturar sua jogabilidade.

Confira agora o que achamos do jogo!

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História

A narrativa acompanha Grace Ashcroft, uma agente do FBI que investiga uma série de mortes misteriosas ligadas a sobreviventes do desastre de Raccoon City. A investigação rapidamente ganha um peso pessoal quando surgem pistas relacionadas ao assassinato de sua mãe, a jornalista Alyssa Ashcroft.

O caso leva Grace ao Hotel Wrenwood, um lugar carregado de segredos e que funciona como o ponto central da trama. A partir daí, o jogo começa a revelar conexões com antigos eventos da franquia e com experimentos biológicos que permaneciam escondidos há anos.

Para quem acompanha a série há bastante tempo, algumas dessas ligações são interessantes justamente por trazerem ecos do passado sem depender totalmente da nostalgia. Ao mesmo tempo, o roteiro tenta expandir o universo da franquia com novos personagens e uma conspiração maior envolvendo projetos secretos.

Em determinado momento da história, Grace acaba cruzando caminho com Leon S. Kennedy, um dos personagens mais icônicos da série. A presença dele funciona como uma ponte entre gerações da franquia, embora o jogo tente evitar que ele roube completamente o protagonismo da nova personagem.

No geral, a trama mantém o interesse durante boa parte da campanha, mas alguns antagonistas acabam ficando menos desenvolvidos do que poderiam. É uma história que funciona, mas que talvez tivesse mais impacto com um pouco mais de aprofundamento em certos personagens.

Imagem de Resident Evil Requiem

Jogabilidade

Uma das decisões mais interessantes de Requiem está na forma como ele divide sua jogabilidade entre duas abordagens diferentes.

Com Grace, o jogo assume um ritmo muito mais próximo do survival horror clássico. Os recursos são limitados, os corredores são apertados e a sensação de vulnerabilidade está sempre presente. É aquele tipo de experiência em que cada bala conta e qualquer encontro inesperado pode virar um problema sério. Esse foi um dos aspectos que mais me agradou, porque lembra muito o tipo de tensão que definiu os primeiros jogos da série.

Já as partes protagonizadas por Leon seguem um caminho mais voltado para ação, algo que inevitavelmente lembra o estilo popularizado por Resident Evil 4 e refinado mais recentemente em Resident Evil 4 Remake.

Isso cria um contraste interessante dentro da campanha. Em alguns momentos você está explorando ambientes escuros e silenciosos com cuidado extremo; em outros, o jogo assume um ritmo mais acelerado e focado em combate.

Essa alternância funciona bem na maior parte do tempo, mas também acaba gerando um pequeno desequilíbrio na segunda metade da campanha, quando as sequências de ação começam a aparecer com mais frequência.

Imagem de Resident Evil Requiem

Gráficos e trilha sonora

Tecnicamente, Requiem mantém o alto padrão que a franquia vem apresentando nos últimos anos. A RE Engine continua sendo uma das ferramentas mais impressionantes da Capcom, principalmente quando se trata de iluminação e construção de atmosfera.

Os cenários carregam um peso visual muito forte: corredores destruídos, áreas abandonadas e ambientes que parecem ter histórias próprias. Mesmo revisitando elementos familiares do universo da série, o jogo consegue criar uma sensação constante de tensão.

O trabalho de som também contribui muito para isso. Em vez de apostar em trilhas exageradas o tempo todo, o jogo prefere usar silêncio, ruídos distantes e sons ambientais para aumentar o desconforto do jogador. Em um jogo de terror, esse tipo de detalhe faz bastante diferença.

Imagem de Resident Evil Requiem
Imagem de Resident Evil Requiem

Veredito

Resident Evil Requiem não é uma revolução dentro da franquia, mas também está longe de ser apenas mais do mesmo. Ele tenta equilibrar diferentes fases da série, o terror mais lento dos jogos clássicos e a ação mais intensa das entradas modernas.

Como fã de longa data, é fácil reconhecer momentos que funcionam muito bem e outros que poderiam ter sido mais trabalhados. Ainda assim, o jogo mostra que a franquia continua buscando maneiras de evoluir sem abandonar completamente suas raízes.

Pontos positivos

  • Atmosfera de terror bem construída
  • Alternância interessante entre estilos de gameplay
  • Visual e ambientação muito bem trabalhados
  • Conexões com a história da franquia

Pontos negativos

  • Ritmo irregular na segunda metade
  • Alguns antagonistas pouco desenvolvidos

Nota: 9/10