Rotten Tomatoes: Você não pode julgar filmes sozinho

22/11/2017 - POSTADO POR EM Filmes

Todo mundo tem aquele site para usar como referência sempre que um filme novo vai sair, não é? Aquele, que dependendo do que ele acha, pode decidir se você vai gastar tempo e dinheiro pra sair de casa e ir assistir algo. Existe um site que provavelmente influencia todos esses outros que acompanhamos, e que não só nós como os estúdios de cinema também usam como guia – e ainda é usado de forma errada.

O Rotten Tomatoes é um website americano, agregador de críticas de cinema e televisão – e atualmente é considerado a ferramenta mais confiável sobre o assunto. Criado em 1998 por Senh Duong para, a princípio, juntar em um site só todas as críticas de filmes do ator Jackie Chan – sim, é isso mesmo. Como era uma novidade, logo ganhou inúmeros acessos e se tornou bem popular, sendo comprado em 2004 pelo IGN. Logo depois, a rede social Flixster comprou em 2010, seguido pela Warner Bros. em 2011, até que em 2016, seu atual dono o comprou, a rede de ingressos online Fandango.

Como ele funciona?

Ele é um site que junta críticas em um lugar só, classificando-as em boas e ruins. Então, por um certo período, com as cinco melhores críticas positivas dos melhores críticos, ele cria um algoritmo que então classifica os filmes em três tipos: “Fresh” – quando 60% das críticas são positivas, “Rotten” – para 59% ou menos, e “Certified Fresh” – quando mais de 75% são positivas. Esse resultado é chamado de “tomatômetro”, e funciona como uma nota otimizada de todas as críticas publicadas no site. Simples, né?

Foto: Divulgação

Por quê ele é tão influente?

Desde 2016, o Rotten Tomatoes é da rede de ingressos online Fandango. Quando você, jovem, acessa o site deles e clica em “Reviews”, já mostra de cara o tal do “tomatômetro”. Assim você é levado a crer que filme x é muito bom com um “tomatômetro” de 93% ou que filme y é uma desgraça com 46%.

Os estúdios em si perceberam que esse mecanismo visual do Rotten é bastante influente. Tanto que pediram um estudo para mostrar a influência do site, e descobriram que a cada dez pessoas, sete disseram estar menos interessadas em ver um longa que marque de 0 a 25%, e que o site tem mais influência em espectadores até 25 anos. Por isso, os estúdios começaram a colocar em suas peças publicitárias o tal do “tomatômetro”.

A obra “Em Ritmo de Fuga” (2017)  – que temos uma matéria sobre aqui –  já colocava em seu trailer de lançamento os 100% no Rotten Tomatoes. Quando ele  atingiu essa marca – atualmente com 93% -, produções como “Kong: A Ilha da Caveira” (2017), com 76%, e Caça-Fantasmas (2016), com 74%, estamparam em suas peças promocionais o “tomatômetro” como peça de orgulho.

Foto: Divulgação

E quando o filme vai mal no Rotten?

Bom, quando um filme vai mal, a bilheteria afunda. Exemplos como: “A Torre Negra” (2017), com 16%, e “Emoji: O Filme” (2017), com 9%, são filmes que se deram mal na bilheteria em fim de semana de lançamento, graças ao Rotten Tomatoes – segundo os estúdios, claro, pois sempre a culpa não é deles. Atualmente, o longa “Liga da Justiça” (2017), com 40%, até se saiu bem no Brasil, mas lá fora pode ainda dar um “pequeno” prejuízo nos cofres da Warner.

Vários estúdios como a Sony e a Fox atrasaram o embargo de críticas até o final de semana de lançamento, com medo de que graças a possíveis (ou previsíveis) críticas negativas ao seus lançamentos, o Rotten não afundasse suas bilheterias.

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Tomatômetro x Nota média

Esse tempo todo, eu mencionei o tal do “tomatômetro”, mas, se eu te disser que esse mecanismo visual distorce as coisas?

No site, tem lá o “tomatômetro” gigante que indica a tal da percentagem que já foi mencionada. Porém, apenas na versão de desktop, logo abaixo tem uma coisinha chamada “Average Rating”. O que é isso? Essa é a nota média das críticas do filme que você viu. Por exemplo: “Thor: Ragnarok” (2017) que conta atualmente com 92% tem uma nota média de 7,5 de 10. Enquanto isso, “Liga da Justiça” conta com 40% e 5,3 de 10. Viu a diferença?

Dos 287 filmes de 2016 que eram elegíveis para ter uma nota “Certified Fresh” – acima de 75% -, 142 marcaram mais de 80% no “tomatômetro”. Isso são quase metade de todos os lançamentos. Mas, quando chega na nota média, apenas 27 deles possuem nota 8 de 10 ou maior – ou seja, menos de 10% dos lançamentos!

Filmes como “Moonlight” (2017), “Mogli: O menino lobo” (2016) e “Thor: Ragnarok” passam dos 90%, mas apenas “Moonlight” tem uma nota média maior que 9.

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Como fazer para não ser influenciado pelo Rotten?

Tenha críticos de confiança, e pessoas com a opinião parecida em partes com a sua, e que você respeite, principalmente. Eu (#Bob), pessoalmente acompanho alguns como o Pablo Villaça, Marcelo Hessel e Grace Handolph – por concordar com a maioria de suas críticas. Converse com amigos que já viram o filme – esses são os que você mais deve escutar. O Rotten é um site que traz tantas críticas distintas, que um longa médio é levado a crer como espetacular por que várias pessoas concordaram que ele é assim, e quando você vai ver é apenas uma produção média. Então, forme sua própria opinião. Seja crítico.

Se você quer ver um filme, vá ver, não espere uma nota criada por um algoritmo por um site. Claro que não é errado, ele não possui esse alcance todo por nada. Mas, assista tudo que puder, e discuta sobre eles baseado no que você viu, não só em uma nota. Vale lembrar que o Roteiro Nerd não se baseia nas críticas do Rotten Tomatoes!

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