Lançada em 1995, a franquia Toy Story revolucionou o cinema de animação e se tornou uma das propriedades mais amadas da Pixar. Agora, mais de 30 anos depois do primeiro filme, a saga retorna aos cinemas com Toy Story 5, que coloca os brinquedos diante de um novo desafio: competir pela atenção das crianças em um mundo cada vez mais dominado pela tecnologia.
Mas será que o quinto capítulo consegue manter o carisma e a emoção que marcaram a série? Já assistimos ao filme e vamos contar nossas impressões.
Enredo
Bonnie é uma menina tímida e solitária de oito anos, acostumada a brincadeiras analógicas e brinquedos físicos. Ela tenta fazer amigos, mas acaba sendo vista com estranhamento pelas outras crianças. Na tentativa de ajudá-la a se socializar, seus pais decidem comprar um tablet chamado Lilypad. Com a chegada da nova integrante, os brinquedos acabam ficando de lado e passam a lidar com um velho medo: o abandono.
Toy Story 5 apresenta um enredo bastante cativante e utiliza a nostalgia de forma orgânica, sem parecer forçada. Os brinquedos clássicos, especialmente Woody, são inseridos na narrativa de maneira natural e ajudam a conduzir os conflitos levantados pela trama, ao mesmo tempo em que o filme evidencia a passagem do tempo e as marcas deixadas por ela.
A nova personagem também é introduzida de forma interessante, podendo ou não ser encarada como uma vilã. Tudo depende da maneira como o espectador interpreta a relação entre tecnologia e infância.
O longa trabalha com três núcleos narrativos: os brinquedos de Bonnie, um carregamento de bonecos do Buzz e a garotinha Blazer. À primeira vista, eles parecem desconectados, mas o roteiro consegue uni-los de maneira bastante precisa, conduzindo a história até um desfecho satisfatório, sem deixar pontas soltas e ainda abrindo espaço para possíveis continuações.
Curiosidades
Lançado em 1995, Toy Story foi um marco para a indústria da animação por ser o primeiro longa-metragem inteiramente produzido em computação gráfica. O filme custou cerca de 30 milhões de dólares e arrecadou aproximadamente 400 milhões ao redor do mundo. Também recebeu três indicações ao Oscar, incluindo duas pela icônica música You’ve Got a Friend in Me. Seu sucesso foi tão significativo que influenciou diversas áreas do entretenimento, incluindo a indústria dos videogames, que passou a buscar estilos visuais semelhantes.
Em 2010, Toy Story 3 se tornou um fenômeno de bilheteria, arrecadando mais do que os dois filmes anteriores juntos e ultrapassando a marca de 1 bilhão de dólares, tornando-se a animação mais lucrativa da história até ser superada por Frozen em 2014. O longa recebeu quatro indicações ao Oscar, incluindo Melhor Filme, e venceu o Globo de Ouro e o BAFTA de Melhor Animação.
Já Toy Story 4 dividiu opiniões entre crítica e público. Muitos fãs consideraram o filme desnecessário e excessivamente comercial. Sua estreia ficou abaixo das expectativas iniciais, arrecadando cerca de 118 milhões de dólares no primeiro fim de semana, contra os 148 milhões projetados. Ainda assim, a Pixar manteve os planos de dar continuidade à franquia.
Veredito
Toy Story 5 consegue resgatar parte da magia e da nostalgia do primeiro filme e utiliza esse sentimento como ponto de partida para uma nova história. A escolha de discutir a relação entre tecnologia e crianças é extremamente válida e, felizmente, o filme evita tratar o tema de maneira simplista ou unilateral. Isso adiciona camadas interessantes ao enredo e torna a discussão mais rica.
Os personagens continuam apresentando personalidades fortes e distintas, com motivações que justificam suas ações, ainda que algumas sejam propositalmente exageradas. Os diferentes núcleos narrativos também são bem desenvolvidos e conferem maior dinamismo à trama. O mais interessante é observar como todos caminham para a construção de um desfecho bem amarrado, que funciona tanto como encerramento quanto como uma possível porta para novas histórias.
Tecnicamente, a animação impressiona. A qualidade visual supera as expectativas, especialmente no trabalho de texturas, como cabelos e tecidos, que alcançam um nível de realismo impressionante.
Por outro lado, a música escolhida como tema principal, apesar de ser interpretada por Taylor Swift, não consegue se destacar. A canção acaba sendo esquecível e não possui o mesmo impacto emocional que outras músicas marcantes da franquia, destoando de um filme tão bem estruturado e cuidadosamente construído.
Pontos Positivos
- Roteiro
- Personagens
- Plot
- Qualidade técnica da animação
Ponto Negativo
- Trilha sonora
Nota: 9,5 / 10