Desde o anúncio, a cinebiografia de Michael Jackson despertou curiosidade e dividiu opiniões. Parte do público ficou receosa, principalmente por conta do envolvimento do produtor Graham King, responsável por Bohemian Rhapsody (2018), que teve recepção controversa. Mas, afinal, Michael (2025) entrega um bom resultado? Confira nossas impressões.
Enredo
Ainda criança, Michael Jackson (Juliano Valdi / Jaafar Jackson) tem sua vida transformada quando seu pai, Joe Jackson (Colman Domingo), decide formar uma banda com os filhos. O projeto dá certo, e os Jackson 5 rapidamente se tornam um fenômeno nos Estados Unidos.
Com o tempo, o talento de Michael se destaca acima dos demais integrantes. Seguindo um caminho diferente do planejado pelo pai, ele constrói uma carreira solo de enorme sucesso nas décadas de 70 e 80, tornando-se um dos maiores artistas do mundo.

Abordagem superficial
O filme aborda apenas um recorte da vida do cantor e tenta explicar como ele se tornou um ícone global, além de destacar a ausência de uma infância tradicional. A proposta é humanizar uma figura frequentemente tratada como inalcançável. No entanto, ao ignorar polêmicas e conflitos mais profundos, o roteiro acaba reforçando uma visão idealizada do artista.
Os personagens secundários sofrem com essa abordagem superficial. Katherine Jackson (Nia Long), por exemplo, tem participação mínima e pouco acrescenta à narrativa. Isso contraria algumas entrevistas dadas por Michael, nas quais fala da importância da mãe na sua vida. O mesmo acontece com La Toya (Jéssica Sula), também uma cantora, cuja presença parece meramente para cumprir tabela.

Roteiro óbvio
O roteiro insiste em traçar um paralelo direto entre Michael Jackson e Peter Pan, personagem infantil de um menino que nunca cresce. O roteiro coloca o cantor como alguém que foi forçado a crescer tão rápido que sua mente não acompanhou e, assim, ele se tornou um adulto ingênuo, que se relaciona muito melhor com animais e crianças.
Apesar de interessante, essa construção é apresentada de forma excessivamente explícita e pouco sutil. Em vez de aproximar o público, a abordagem acaba soando artificial e, em alguns momentos, até caricata.
A narrativa mostra que, por conta dessa ingenuidade, o cantor teve problemas e demorou muito para se livrar da ganância e truculência do seu pai. Há uma tentativa clara de gerar empatia por meio da fragilidade do personagem, mas o efeito nem sempre funciona.
Apesar de não ter tanto êxito em montar um perfil psicológico, o filme acerta ao abordar o vitiligo de Michael, uma doença não contagiosa que causa a despigmentação da pele. Essa condição marcou a vida do artista e gerou inúmeras controvérsias. No entanto, o tema é tratado de maneira rápida, sem o aprofundamento que merecia.

Veredito
Michael é um filme com boas intenções, mas execução irregular. O roteiro reúne ideias interessantes, porém falha ao desenvolvê-las de forma consistente. A tentativa de humanizar o cantor resulta em uma representação superficial, que oscila entre a idealização e a vitimização.
Por outro lado, os atores que interpretam Michael são o grande destaque. Juliano Valdi impressiona ao retratar a infância do artista com sensibilidade, enquanto Jaafar Jackson (sobrinho do cantor) chama atenção pela dedicação aos detalhes. Ele parece ter estudado até os mínimos trejeitos do tio, além de dançar de forma quase impecável.
As cenas que exploram o processo criativo do cantor são envolventes e conseguem transmitir um pouco do perfeccionismo, genialidade e autenticidade do artista. Já os coadjuvantes, em geral, permanecem pouco relevantes, com construções simplificadas. Especialmente Joe Jackson, retratado como um vilão maquiavélico e caricato, teria valido a pena suavizar toda a forma como foi construído.
Ponto positivo:
- Os atores que interpretam Michael
Pontos negativos:
- Roteiro irregular
- Personagens pouco desenvolvidos
- Idealização excessiva do protagonista
NOTA: 5/10