A nova adaptação do livro “Mulherzinhas” (1869) de Louisa May Alcott chegou aos cinemas brasileiros no dia 9 de janeiro. Essa não é a primeira vez que a obra é adaptada para as telonas, além de versões para o teatro, televisão e ópera. Dessa vez ela é dirigida por Greta Gerwig, responsável por “Ladybird: A Hora de Voar” (2017) e “Frances Ha” (2012), e traz um elenco de peso com nomes como Timothée Chalamet, Saoirse Ronan e Emma Watson. Fomos conferir o filme e vamos contar o que achamos.
Quatro irmãs na guerra
Durante a Guerra Civil Americana (1861 – 1865), quatro irmãs com personalidades bem diferentes, cresciam em uma casa no interior. Meg March (Emma Watson) é uma garota doce, que por ser a primogênita tinha direito de ir aos bailes e a responsabilidade de cuidar das suas três irmãs mais novas: Jo (Saoirse Ronan), Beth (Eliza Scanlen) e Amy (Florence Pugh). Jo March é uma aspirante a escritora, que acredita em valores como a liberdade feminina e a arte como forma de expressão.
Amy é aquela com um gênio difícil e que gosta de pintar, enquanto a caçula Beth é tímida e tem paixão por música. As moças foram criadas pela mãe, Mary (Laura Dern), e não tinham o pai por perto devido à guerra. Elas eram pobres e passavam por problemas financeiros, viviam de maneira humilde, porém sempre ajudavam aqueles que mais precisavam enquanto esperavam o retorno do pai.
Foto: Divulgação
As adaptações
A primeira adaptação, chamada de “As Quatro Irmãs”, foi para o cinema em 1933. Dirigida por George Cukor, trazia a grande estrela Katharine Hepburn como a personagem Jo March e foi indicado a três Oscars, incluindo o de Melhor Filme e ganhou o prêmio de Melhor Roteiro Adaptado.
“Quatro Destinos” foi o título da segunda adaptação, em 1949. Dessa vez contou com a direção de Mervyn LeRoy e novamente trouxe um grande nome hollywoodiano no elenco, com Elizabeth Taylor no papel da doce Amy. Aqui também foi uma aposta certeira, sendo indicada a dois Oscars, vencendo na categoria de Melhor Direção de Arte.
Em 1994, “Adoráveis Mulheres” foi o título para a versão de Gillian Armstrong, que colocou Winona Ryder como Jo e Kirsten Dunst no papel da caçula Amy, além de Christian Bale interpretando o jovem Laurie. O filme recebeu três indicações ao Oscar, mas não venceu em nenhuma categoria.
O segredo para tantas adaptações está na forma como assuntos tão pesados, como a guerra e a pobreza, são abordados de maneira emocionante, além dos laços familiares bem explorados, que é quase uma fórmula certa para conquistar o público. O filme aborda o feminismo de uma forma muito lúdica, passando uma mensagem para as mulheres de “seja você mesma e lute por aquilo que acredita”.
Foto: Divulgação
Versão atual
Gerwig fica responsável tanto pela direção quanto pelo roteiro dessa nova adaptação. O filme segue de maneira bastante fiel a história já conhecida por muitos, com algumas pequenas mudanças. Nós somos convidados a acompanhar de perto os sonhos e dificuldades de quatro incríveis jovens, cada uma com seus desejos e ambições. Porém vemos com mais destaque a personagem de Jo March, que aspira utilizar sua escrita para sustentar a família em necessidade, e tenta fazer isso em uma época em que mulheres não tinham muitas formas de se sobressair.
O filme traz de forma genial e sutil a discussão do papel da mulher na sociedade do século XIX, assim como quais as suas atribuições hoje. Nos deparamos com todas as cobranças e proibições da época, separação de escolas para meninos e outra para meninas, casamentos como forma de seguridade financeira, tudo isso diluído como plano de fundo de uma história sobre adoráveis mulheres tentando sobreviver e trazer felicidade aos que estão próximos.
Foto: Divulgação
Veredito
Tudo no filme funciona, a direção e o roteiro são incríveis. Os diálogos são maravilhosos, muitas vezes pincelados em um tom romântico, outras vezes beirando o absurdo. Meryl Streep como Tia March, apesar do pouco tempo de cena, é como sempre um show à parte. Todos os atores estão excepcionais.
A fotografia, essa sim, merece aplausos. Assistir esse filme agrada tanto à alma quanto aos olhos, é difícil não se apaixonar pelo que vemos aqui. Tanto no figurino e cores utilizados, quanto nas paisagens em ambientes abertos e ensolarados.
De maneira geral “Adoráveis Mulheres” é uma produção imperdível, e é definitivamente uma das melhores adaptações de uma obra literária para o cinema. O filme traz uma mensagem inspiradora para meninas e mulheres, mas também deixando ensinamentos para o público masculino e serve para nos lembrar que a luta por igualdade ainda continua viva e importante.
Pontos Positivos:
- Elenco incrível
- Direção e Roteiro bem executados por Greta Gerwig
- Fotografia
- Adaptação fiel à obra original
- Figurino fiel a época retratada
Pontos Negativos:
- História já adaptada várias vezes no cinema, apresentando pouca novidade
NOTA: 9,5