Quarto filme solo do teioso dentro do MCU, o longa Homem-Aranha: Um Novo Dia (2026) chega aos cinemas com grandes expectativas depois do sucesso que foi Homem-Aranha: Sem Volta para Casa (2021). Nós conferimos a produção e vamos contar nossas impressões.
Enredo
Agora que todos desconhecem sua identidade secreta como Homem-Aranha e até sobre quem ele é, Peter Parker (Tom Holland) precisa enfrentar os desafios de ser um herói solo, assim como uma pessoa solitária.
Afundado no trabalho e acompanhando a vida de seus antigos amigos (e de seu amor) apenas de longe, Peter começa a perceber mudanças preocupantes na sua mutação. E elas aparecem na pior hora, bem quando uma ameaça misteriosa parece estar controlando a mente dos cidadãos de Nova York, colocando-os em perigo.

Solidão
Iniciar a vida como jovem adulto já é uma complicação por si só, mas fazer isso quando você não tem amigos ou família, está em um trabalho altamente estressante e passando por mudanças corporais que mexem com a sua cabeça, aí é a receita certa para um colapso.
Pela primeira vez no MCU, estamos presenciando um Homem-Aranha verdadeiramente no limite. Ele está só em muitas das situações, o que levou até à inserção de uma inteligência artificial para ficar conversando com o garoto e demonstrar mais sobre o que ele está passando.
Isso não é necessariamente ruim e tem um embasamento no contexto do filme, mas acredito que o carisma de Holland brilha ainda mais quando ele está acompanhado de outros atores. Basta ver as cenas em que interage com o Justiceiro (Jon Bernthal), Ned (Jacob Batalon) ou MJ (Zendaya).

Herói relacionável
Nesse momento atual, Peter parece só entender o seu valor como pessoa apenas como o Amigão da Vizinhança. Fora o manto do herói, ele está um caco, sem nenhum tipo de apoio. E isso se torna um gatilho para várias questões envolvendo sua mutação aranha.
Acredito que, por colocar seu protagonista em uma situação tão humana (fora o problema com os poderes), esse é um filme em que é muito fácil se identificar e ter empatia por ele.
Peter Parker não é mais aquele garoto debaixo da asa do Tony Stark (Robert Downey Jr.); agora é preciso se virar sozinho.

Alguns excessos
O filme aposta em um ritmo mais cadenciado, às vezes até com um excesso de situações. Acredito que Homem-Aranha: Um Novo Dia se beneficiaria de cortar algumas de suas tramas paralelas para focar mais no problema principal.
Além disso, alguns dos personagens têm uma inserção que soa mais artificial na trama. A aparição do próprio Bruce Banner (Mark Ruffalo), por exemplo. Ela tem uma justificativa, mas poderia ter sido contornada de outra forma para deixar a narrativa mais enxuta. Parece mais uma questão de checklist do longa, para ter a participação de mais heróis, e também porque a Marvel não pode usar o personagem em projetos solo por uma questão de direitos.
Outra que poderia ter sido melhor utilizada é a personagem de Sadie Sink. Que aparece meio que como uma “falsa vilã”, na revelação menos surpreendente do mundo (se você estava acompanhando as especulações na internet, já sabe do que estou falando). É interessante, e a atriz está ótima como sempre, mas não acho que foi a melhor introdução para ela aqui. Não nesse momento.
Veredito
Homem-Aranha: Um Novo Dia é um filme emocionante, com um protagonista extremamente relacionável. Se você gostou dos longas anteriores do personagem no MCU, é provável que curta bastante do que vemos nesse novo capítulo.
As cenas de ação conseguem apresentar toda a extensão dos poderes do Homem-Aranha; aqui ele usa as teias de uma forma mais inventiva. A direção de Destin Daniel Cretton, o mesmo diretor de Shang-Chi e a Lenda dos Dez Anéis (2021), chega como um frescor para o microcosmos do teioso, focando tanto nas habilidades acrobáticas como de porradaria do herói.
O longa tem um tom mais sério no geral, até pela situação em que o herói se encontra, mas mantendo espaço para o bom-humor característico do Homem-Aranha. Ele consegue, com isso, trazer um crescimento excelente para o personagem, e que abre muitas possibilidades de futuro para ele dentro dos filmes da Marvel.
Pontos positivos:
- Elenco carismático
- Cenas de luta empolgantes
- Bom desenvolvimento de personagem
Pontos negativos:
- Excesso de tramas paralelas
- Personagens secundários pouco aproveitados
NOTA: 8/10