Análise de Obsessão

15/05/2026 - POSTADO POR EM Filmes

Já em cartaz nos cinemas desde 14 de maio, Obsessão, novo filme da Blumhouse dirigido por Curry Baker, chega cercado de expectativas. O longa de terror teve sua estreia no Festival Internacional de Cinema de Toronto 2025, onde conquistou o segundo lugar no prêmio do público, reforçando o bom momento do estúdio dentro do gênero. Mas será que o filme faz jus à expectativa? Já assistimos e contamos nossas impressões.

Enredo

Bear (Michael Johnston) é apaixonado por sua amiga Nikki (Inde Navarrette), mas nunca teve coragem de revelar seus sentimentos. Certo dia, ele entra em uma loja de produtos místicos e encontra um artefato capaz de realizar desejos. Sem pensar duas vezes, pede que Nikki se apaixone perdidamente por ele. Bear finalmente conquista aquilo que sempre quis — mas logo percebe que as coisas não saíram exatamente como imaginava.

Obsessão tem um roteiro muito bem escrito. Apesar de não tentar reinventar o gênero, o filme aposta em uma narrativa curta, direta e eficiente, sustentada por personagens complexos e importantes para a trama. Mesmo com inúmeros jumpscares, a história flui muito bem. Além disso, as cenas desconfortáveis não dependem apenas de sustos ou violência explícita; muitas vezes, são os próprios diálogos que causam incômodo e deixam o espectador angustiado.

Os personagens cumprem papéis importantes dentro da narrativa, mas não se resumem apenas à função dramática. Todos possuem personalidade e complexidade. O grande destaque é Bear, um protagonista que intriga o espectador por sua mistura de ingenuidade, audácia e arrependimento. Há algo de muito visceral em sua construção, o que gera empatia genuína e faz o público torcer para que tudo termine da melhor maneira possível em meio ao caos.

Relacionamento tóxico

Obsessão funciona como uma alegoria poderosa sobre relacionamentos amorosos tóxicos, marcados por obsessão, ciúmes e perda de identidade. O filme traduz essas características de forma inteligente, com cenas que realmente incomodam e conseguem provocar um desconforto quase físico.

O roteiro mostra, aos poucos, como os personagens vão perdendo suas próprias personalidades — algo que costuma ser muito mais evidente para quem está de fora da relação. Junto disso vem o isolamento social, que preocupa aqueles ao redor e torna ainda mais difícil romper esse tipo de vínculo.

Transformar essa temática em um filme de terror foi uma escolha certeira. O gênero potencializa o incômodo e levanta questionamentos relevantes, especialmente porque o tema é tratado com maturidade, sem recorrer a estereótipos ou soluções fáceis, além de apresentar boas quebras de expectativa.

Imagem de Obsessão

Veredito

Obsessão é um ótimo filme. Seu plot facilmente poderia cair na galhofa ou se tornar repetitivo, mas o roteiro evita essas armadilhas ao fugir de obviedades e conduzir a história com inteligência. O início é um pouco lento e poderia introduzir a proposta de maneira mais dinâmica, mas isso não compromete o resultado final.

O desenvolvimento dos personagens também merece destaque. Todos os arcos são relevantes para a trama e recebem atenção suficiente, com começo, meio e fim bem definidos, sem serem deixados de lado durante a narrativa.

A direção de Curry Baker é corajosa e mostra como uma nova geração de cineastas está pensando o terror: sem exageros ou grandes firulas, mas cheia de boas ideias e sem vícios narrativos.

Pontos positivos:

  • Plot
  • Roteiro
  • Direção

Ponto negativo:

  • Começo lento

Nota: 9/10