Westworld: Segunda temporada atravessa labirinto

01/07/2018 - POSTADO POR EM Séries
Post thumbnail

Após um ano e meio espera, a segunda temporada de “Westworld” finalmente foi ao ar. Pudemos conhecer o Shogun World e o que aconteceu após o parque entrar em colapso. Mas e aí, valeu a pena a espera? Confira a seguir o nosso veredito.

* Atenção: Este texto contém spoilers de “Westworld”

Caos-sequências

Assim como “Game of Thrones”, sua companheira de emissora, “Westworld” tem a habilidade de flutuar entre diversos núcleos narrativos simultaneamente. A diferença aqui é que, pra complicar, muitas vezes não sabemos em que período da linha do tempo aquilo está acontecendo. E ainda sim não conseguimos desviar o olhar. Além das grandes atuações (Evan Rachel Wood merece estar no Emmy), os aspectos técnicos seguem impecáveis, com episódios primorosamente dirigidos e filmados.

Na segunda temporada acompanhamos o parque em ruínas, numa espécie de “apocalipse robô” após alguns anfitriões estarem conscientes de que são peças em uma narrativa. No centro disso está Dolores (Evan Rachel Wood), responsável pelo final sangrento da primeira temporada. Agora a anfitriã mais antiga do parque assume um tom autoritário e busca o que ela considera ser o lugar de direito dos robôs – o mundo real dos humanos.

Foto: Divulgação

Por falar em humanidade…

Curiosamente, numa série abarrotada de andróides, muitos dos momentos mais humanos acabam vindo de personagens que não são feitos de carne e osso. Acompanhamos Maeve (Thandie Newton), que mesmo consciente das programações feitas – escolhe amar uma criança que lhe foi designada como filha e protegê-la a todos os custos.

Essa jornada nos leva ao tão aguardado Shogun World, versão do parque situada em um japão feudal repleto de gueixas e samurais. Apesar de esses episódios terem sido bastante satisfatórios e impressionantes por serem falados majoritariamente em japonês e trazerem uma ação diferenciada, em retrospecto eles não foram o ponto alto da temporada.

De uma forma até surpreendente, um dos episódios que mais ressoou emocionalmente foi o que contou a história do anfitrião Akecheta (Zahn McClarnon), da Nação Fantasma. Com um mergulho na cultura indígena do parque, pudemos acompanhar uma bela história de amor e perda que se conectou com a jornada de Maeve e sua filha trazendo resultados altamente significativos.

Foto: Divulgação

O quê que tá acontecendo aqui?

É normal para os espectadores de Westworld estarem um pouco perdidos em relação ao que está acontecendo na tela. Estamos acostumados a não entender o como, o quando e o porquê de algumas cenas. Se a primeira temporada nos mantinha assistindo devido a todo o mistério da coisa, a segunda investe mais nos personagens e parece não ter medo de criar uma confusão, algo que pesa nos episódios iniciais.

Mesmo começando de uma maneira menos complicada, as linhas do tempo começam a ficar mais intrincadas entre passado, presente e futuro, temos novos personagens em novos mundos com ações questionáveis e parece que por alguns momentos estamos andando em círculos. No fim, percebemos que muito disso contribuiu para a evolução de personagens, com destaque para Lee Sizemore (Simon Quarterman) – no início desprezível e irresponsável, mas que acaba restaurando um pouco da fé na humanidade.

O Homem de Preto (Ed Harris) se torna cada vez mais obcecado pelo jogo de Ford (Anthony Hopkins), buscando chegar ao fim de um labirinto que ele não sabe o que reserva. Para ele, qualquer um que cruza seu caminho foi implantado ali pelo fundador do parque com o intuito de provocá-lo e testá-lo. Essa paranoia chega ao extremo quando o Homem atira em sua própria filha e começa a questionar se ele mesmo é humano ou não – algo que ficou mais misterioso na cena pós-créditos da finale. Seria William um andróide? Desde quando? Sua filha está viva? Seguimos atentos.

Foto: Divulgação

Novo Mundo

Concluindo a temporada, tivemos o encontro de todas as linhas narrativas do parque. Em uma sequência emocionante que se assemelha ao êxodo bíblico, vemos os anfitriões se dirigindo para uma fenda aberta em meio ao deserto que os guia para a “terra prometida”. O confronto moral entre duas personagens centrais, Maeve e Dolores, é acentuado quando a segunda fecha o portal, decidindo que os andróides terão mais do que essa terra.

Ao longo desta temporada, Dolores estava consciente – porém mais robótica do que a anterior. Presa no modo ditadora, ela não fazia reféns e determinava que nem todos os andróides mereciam ir para o Novo Mundo, chegando até mesmo a dar uma de viúva negra e alterar o seu querido Teddy (James Marsden). Somente quando ele caiu em si e tirou a própria vida na frente da amada foi que ela abriu os olhos para o que estava fazendo, e que aquela talvez não fosse a melhor maneira de resolver as coisas.

No último episódio da temporada, tivemos um desfecho apropriado. Toda a aparente confusão anterior se mostrou um caos controlado que levou à um final espetacular. Algo que podia até ser esperado, mas que aconteceu de forma imprevisível. Em uma jogada inteligente auxiliada pelo confuso Bernard (Jeffrey Wright), Dolores foi a única a escapar, na forma de um andróide-clone de Charlotte Hale (Tessa Thompson). A série agora sai do parque e chega ao mundo real. Mal podemos esperar pelo que vem a seguir. Tudo indica que Westworld volta apenas em 2020. Enquanto isso, seguiremos teorizando.

Foto: Divulgação