Todo Dia: um romance adolescente pra te fazer pensar

13/01/2018 - POSTADO POR EM HQs/Livros
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Em algum momento da vida, pensamos sobre ser alguém diferente, ter uma história nova, talvez mais fácil. Essa proposta é apresentada em “Todo Dia” (2013), que ganhará uma adaptação cinematográfica em 23 de fevereiro nos Estados Unidos. Escrito por David Levithan, o livro trata de assuntos como identidade, construção da história pessoal, gênero e relacionamentos, o final pode não ser aquilo que você imaginou, mas vai te surpreender positivamente.  

Quem somos nós?

Pode parecer estranho, mas o personagem principal “A” tem o poder de acordar todo dia em um corpo diferente, e tem de viver como se fosse ele ou ela por 24 horas. Essa é toda a existência que “A” conhece, dessa maneira criou regras para sua própria segurança, nunca se envolver ou interferir na rotina de quem está habitando. Isso funcionou por 16 anos, até que o jovem conhece a namorada de Justin, um desses corpos, e se apaixona por ela.

Esse é o máximo de explicações que o livro dará. O autor David Levithan não se foca tanto em desenvolver uma mitologia para o personagem principal, tampouco discutir como e porque de sua condição, ou se há outros que vivem da mesma maneira. A história de alguém como “A” desenvolvendo um romance é um pano de fundo para levar os leitores a refletir sobre identidade de gênero.

Uma relação incomum

O protagonista “A” pode ser interpretado como uma alma vagante, está lá apenas para viver um dia após o outro e não tem exatamente um objetivo futuro, pois sabe que vivenciará inúmeras experiências a partir dos corpos que habita. O que o tira de sua rotina é Rhiannon, após passar um dia romântico com ela na pele de seu namorado, “A” é tomado pelo desejo de revê-la. Ambos conseguem achar uma maneira fixa de se comunicarem e passam a buscar um ao outro todo dia.

Rhiannon é uma adolescente comum que vive um relacionamento decadente com o namorado Justin, esse não lhe dá carinho ou atenção o suficiente e ela só percebe isso depois de ser muito bem tratada por “A”. Sua história fantástica a assusta no início, mas a personagem se mostra corajosa ao aceitar a situação e embarcar nesse novo romance.

Cenas de “Todo Dia”, que estreia em 23 fevereiro nos EUA. (Foto: Divulgação)

Veredito

“A” é o nome que nosso protagonista dá para si mesmo, habitando corpos que não são seus, essa é a única maneira de identificá-lo, o que torna a leitura um pouco confusa em alguns momentos. Estamos acostumados com personagens que sabemos quem são, qual a sua trajetória e que podemos distinguir como homem ou mulher. Nosso estranhamento pode ser refletido no próprio par romântico de”A”, Rhiannon, ela tem dificuldades para aceitar a natureza dessa pessoa que a cada dia que se encontrarem terá um rosto diferente do anterior.

Porém, é importante ressaltar que embora “A” habite um novo corpo a cada 24 horas, o fato de esses serem de garotos ou garotas não incomoda Rhiannon, o que mostra uma visão positiva de aceitação. O livro é bastante sensível sobre o relacionamento dos dois, temos os momentos de felicidade que eles conseguem compartilhar e também as muitas dificuldades que a condição de “A” apresenta.

Em breve nos cinemas

No filme “Todo Dia”,  que estreia em 23 de fevereiro nos Estados Unidos (sem data ainda para o Brasil), Rhiannon será interpretada pela atriz Angourie Rice e  “A” teremos, claro, vários atores diferentes, entre eles Justice Smith, Lucas Jade Zumann e Katie Douglas. O trailer já está disponível no YouTube, mas você também pode conferir abaixo, e aparenta estender os momentos entre Rhiannon e “A”, seguindo a linha dos longas de romance.