The Last Jedi: Um episódio para se surpreender e amar

19/12/2017 - POSTADO POR , e EM Filmes
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Finalmente vimos “Star Wars VIII – The Last Jedi”! Isso significa duas coisas: chega de matérias da franquia em 2017 e, bem, temos uma resenha. Para entender direitinho tudo o que vai ser lido aqui, sugerimos que você leia as seguintes matérias sobre os personagens Luke, Leia, Finn e Rey, e também nossas expectativas para o filme. Caso já estejam familiarizados com o universo, sigam adiante, e que a Força esteja com vocês!

Lembrando que o texto talvez possa conter spoilers mínimos sobre o enredo e alguns elementos.

Contextualizando

O episódio começa quase que imediatamente após o término de “O Despertar da Força” (2015): Finn (John Boyega) cochilando indefinidamente, Poe (Oscar Isaac) infelizmente pagando o preço por atitudes impulsivas e Rey (Daisy Ridley) em busca de ser treinada por Luke Skywalker (Mark Hamill), o maior mestre Jedi de todos – e também o único. Com certeza esse pode ser definido como um dos “Guerra nas Estrelas com mais guerra” de todos, repleto de situações grandiosas e que não envolvem lutinhas de sabres.

O novo filme da franquia foi dirigido e roteirizado por Rian Johnson. Enquanto no Episódio VII – de J.J. Abrams –  foi mantida a cartilha feita pela trilogia clássica de George Lucas, o moço mudou a forma como estávamos acostumados, trazendo soluções mais “rápidas” para os problemas de cada arco, não esperando o fim do enredo para desenrolar a trama por completo. Nisso, alguns personagens que poderiam ser muito melhor explorados não tiveram sua chance de brilhar, tendo até seu fechamento bastante vazio.

Foto: Divulgação

Imagem e Som

No quesito fotografia, Star Wars nunca deixou a desejar. Entretanto, nesse longa ela está simplesmente ESPETACULAR! Com enquadramentos que ajudam a prender a atenção do espectador e usando muito bem a cartela de cores adequada para cada cena. A narrativa ficou muito mais fluída e teve um maior apoio para ser contada, além de ser um presente para os fãs – Eu (#Rebeca) não me surpreenderia com uma possível indicação ao Oscar. Visualmente, “Os Últimos Jedi” foi um dos episódios mais lindos de se assistir. Cheio de cenas dignas de apenas sentar e admirar de tão bem feitas, desde momentos apenas no vazio do universo até coreografias de batalhas incríveis em cenários chamativos e atraentes.

Alguns planos conseguiram se destacar, não apenas pela beleza, mas pela personalidade. Podemos dizer que este é a primeira vez em que dão profundidade, não apenas à montagem e à trilha, mas também ao roteiro e à fotografia. Temos mudanças de narrativa tão inesperadas e criativas – apesar dos INÚMEROS Deus Ex Machina (quando algo completamente improvável acontece em uma história) – que podemos dizer que finalmente o roteirista fez a lição de casa (dizer que Luke é a encarnação da Jornada do Herói não faz de George Lucas um gênio, cof cof #George).

Apesar de poucas locações, nesse episódio fomos apresentados a outros lugares da Galáxia, como um planeta que funcionava apenas como diversão, uma espécie de cassino, e outro que parecia ser uma base militar abandonada, usado pela Aliança. É nesse momento que é legal destacar uma das metáforas mais bem feitas durante todo o filme: o chão coberto de sal, mas que tem uma camada inferior vermelha. Podemos facilmente fazer uma ligação nessa parte entre o bem e o mal, afinal em Star Wars sempre tem aquele personagem que está travestido de bom (a cor branca do sal), mas por dentro existe um desejo pelo lado “maligno” (a cor vermelha do subsolo).

Foto: Divulgação

Kylo Ren

Sem dúvidas, Kylo Ren (Adam Driver) é o personagem mais complexo da trama, principalmente psicologicamente. Assim como em outras produções, vide o Episódio VII, onde Luke tem um conflito entre o lado negro da Força e o seus ensinamentos Jedi, Ren deseja romper com tudo que aquela forma de ‘comando’ da galáxia. Desse modo, ele deixa de ser apenas a sombra do avô, além da sua vontade de acabar com os Jedi. Isso é mostrado em várias cenas do longa com metáforas visuais.

O fruto de amor de Leia (Carrie Fisher) e Han (Harrison Ford) herdou o temperamento dos homens Skywalker – explosivo e com uma ânsia de revolta constante. O ódio de Ren lembra muito tudo o que Anakin Skywalker (Hayden Christensen) deveria ter sido na trilogia prequel. Além disso vemos momentos em que ele deseja ser superior aos seus antepassados e é aí que entramos no complexo de Édipo. Esse termo vem da tragédia clássica grega de Sófocles. Na obra, Édipo mata seu pai e casa-se com a mãe. Já seguindo a linha psicanalítica de Freud, essa teoria se encaixa na formação do ego do personagem, o qual é egoísta e sonha em conquistar o maior poder possível através do medo. Para Freud, a figura do Pai (encontradas tanto em Han quanto em Luke) é uma energia castradora, que impede o sujeito de progredir ou de desenvolver uma experiência própria enquanto indivíduo.

Foto: Divulgação

Personagens em geral

Essa trilogia nos prepara para uma nova geração de heróis, como Rey – que no episódio VII estava iniciando a sua Jornada do Herói procurando aceitar seu destino perante a Força, e agora aparenta estar mais encaminhada nesse sentido, porém com muito o que evoluir ainda. Seu temperamento continua impetuoso e cru, balançando na corda bamba do lado sombrio, mas Rey vai agregando muito mais personalidade para o universo do que antes. Poe Dameron também deixa sua marca muito mais forte, tomando a liderança em diversas situações e mostrando a que veio – mesmo que precisasse bater de frente com pessoas do mesmo lado. O núcleo do Finn foi bom, apesar de que um pouco menos e seria descartável para o roteiro – foi mais uma ocupação para ele e a introdução da personagem Rose (Kelly Marie Tran).

Na velha guarda galáctica, a maravilhosa Carrie Fisher já nos deixa saudosos e nos legando essa última obra como lembrança da mulher marcante que era, mas nos deixando um pouco com dúvida de como o arco de Leia pode (ou não) ser trabalhado no último filme da saga. Luke é de longe o melhor de todo o longa, mostrando que o tempo realmente só melhora algumas pessoas. No meu (#Jessica) top 3 de melhores cenas de “Os Últimos Jedi”, ele está em pelo menos duas delas. É legal como seu percorrer pelo enredo foi bem linear, até chegar em seus últimos momentos em cena mostrando o porquê dele ser tão incrível como pensam.

Como nem tudo são flores, alguns fãs podem ficar decepcionados com o aproveitamento de alguns personagens. Para evitar spoilers, preferimos não citar o nome de certas pessoas, mas podem esperar para se frustrar bastante! Símbolos do primeiro longa e ídolos de fóruns online foram minimizados ao ponto de suas participações serem risíveis, hehehe. Ao menos algumas teorias furadas puderam ser descartadas! De toda forma, o filme mantém um fluxo bacana com cenas de ação e suspense muito bem elaboradas.

“Os Últimos Jedi” é uma obra que ficará na história (para o bem e para o mal). Aos que têm acompanhado a saga durante esses longos anos, parece que um sopro de juventude foi dado no que dizem ser a Magnum Opus de George Lucas. Que bom que ele deixou sua cria bater asas e voar para longe do ninho.

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