Veredito do livro O Desaparecimento de Stephanie Mailer

02/07/2020 - POSTADO POR EM HQs/Livros

As tramas de mistério e suspense estão atraindo cada vez mais o público, como é o caso do livro “Território Lovecraft” (2020). Dessa vez, vamos falar de um suspense policial da editora Intrínseca, “O Desaparecimento de Stephanie Mailer” (2018), de Jöel Dicker, conhecido por “A Verdade Sobre o Caso Harry Quebert” (2012). Então preparem-se e vamos embarcar juntos para desvendar esse mistério

Um misterioso desaparecimento 

Jesse Rosenberg é um detetive muito respeitado por ter resolvido todos os casos em que trabalhou. Em 1994, ele foi chamado para solucionar uma chacina na qual quatro pessoas foram mortas na pequena cidade de Orphea, que fica na região dos Hamptons, em Nova York. Na noite fatídica, a maior parte dos moradores da cidade estava na inauguração do primeiro festival de teatro, o cenário perfeito para um crime. Na tragédia, o prefeito e sua família foram mortos. 

Vinte anos depois, em 2014, Jesse estava em sua festa de despedida da polícia de Nova York quando foi confrontado pela jornalista Stephanie Mailer, afirmando que ele não tinha conseguido resolver o seu caso mais famoso: os homicídios em Orphea. O culpado continuava solto.

Stephanie desaparece sob circunstâncias misteriosas logo após o confronto com Jesse. O detetive fica transtornado e resolver sair em busca do real culpado. Ele procura a ajuda de seu antigo parceiro, o sargento Derek Scott

Depois de tanto tempo, Jesse e Derek passam a ter inúmeras dificuldades para solucionar o caso. Pistas sumiram, testemunhas morreram, e como conseguir solucionar o antigo e o novo caso ao mesmo tempo? A assistente do chefe de polícia de Orphea passa a cooperar com a dupla de detetives.

Foto: Divulgação

Texto intrigante 

Os textos policiais são uns dos mais complexos, praticamente não existe meio termo, ou são bons ou ruins. Além de ser muito fácil de conquistar o leitor, por não se tornar uma narrativa complexa e cheia de pontas soltas.

Jöel Dicker soube construir um livro longo, complexo por ter vários personagens, mas bem acessível. Sua forma de escrever prende o leitor, mesmo depois do susto das quase 600 páginas da obra. Isso só é possível por tocar em assuntos atuais, como a corrupção, além de ter uma pitada de feminismo.

O que mais chama atenção no livro é como ele é narrado. Aqui temos um texto relatado em primeira pessoa e em terceira. Apesar de parecer bem estranho e ser um caminho fácil para o fracasso, talvez esteja aqui o maior destaque da trama: o leitor não se sente perdido com as trocas.

Jöel construiu um texto no qual conseguimos distinguir quem é quem, além do respeito que ele tem com cada personagem na hora de o abordar, sem colocá-los em clichês ou estereótipos. As trocas não são bruscas, mas você consegue sentir o momento. Isso é possível através das personalidades bem construídas, até para os que são secundários.

“O Desaparecimento de Stephanie Mailer” tem muitos personagens, porém você pode consultar uma espécie de guia/perfil no início do livro. São 30 personagens, entre principais e secundários, e logo nas primeiras páginas você tem uma descrição bem rápida de cada um.

“Nós o apelidamos de ‘Capitão 100%’, por ter resolvido todas as investigações de que participou, o que faz dele um investigador único.”

“O Desaparecimento de Stephanie Mailer”, página 18.

Quem é Jöel Dicker 

Jöel Dicker é um autor sueco conhecido pelos seus romances policiais. Suas narrativas são cheias de suspense e mistério. Formado em Direito e com um mestrado na mesma área, sugere que sua graduação ajuda na hora de escrever seus textos.

Apesar de ser francês, os romances de Dicker se passam nos Estados Unidos. Isso poderia soar forçado, porém não é. A riqueza de detalhes que o autor usa é incrível porque ele procura pesquisar ao máximo o lugar que usará como cenário da trama.

Com 33 anos, ele já publicou quatro romances, todos publicados no Brasil pela Intrínseca. Em 2012, ele ficou conhecido pelo livro “A Verdade Sobre Harry Quebert” (2012), vencedor de dois prêmios: Grande Prêmio do Romance da Academia Francesa e o Prêmio Goncourt des Lycéens.

Foto: Divulgação

Veredito 

No começo o livro pode te assustar pela quantidade grande de personagens e de páginas, o que acaba passando a impressão de ser leitura prolixa e nada fluida, principalmente por se tratar de um romance policial que faz uso de termos técnicos.

Porém se engana quem fica com essa sensação. As quase 600 páginas se tornaram uma leitura de fácil compreensão, alguns trechos podem necessitar de releitura, mas nada que gere problema ou atrapalhe a fluidez.

A narrativa é gostosa e os enigmas apresentados deixam o leitor com vontade de resolvê-los. A grande quantidade de personagens não é um problema. Você vai conseguindo lembrar quem é quem só pelo que é apresentado.

Se você procura um livro para te relaxar antes de dormir, talvez “O Desaparecimento de Stephanie Mailer” não seja uma ideia, já que ele gera uma certa ansiedade no leitor para saber o que vem depois. Mas atenção: você precisa ter muita atenção na leitura. Os fatos funcionam como fio e quando se deixa passar algo você pode não entender bem a imagem do todo no final.

Em resumo, o livro tem um pouco de Harlan Coben, misturado com Agatha Christie e uma pitada do Sir Arthur Conan Doyle.

Pontos positivos

  • Narrativa fluída;
  • Enigmas que fazem sentido;
  • Personagens com personalidade;
  • Narrativa amarrada, sem pontas soltas.

Pontos negativos

  • O enredo pode parecer estranho para quem não tem costume de ler livros policiais;
  • O livro exige que o leitor esteja bem atento, caso contrário muitas pistas passam despercebidas.

NOTA: 9,5