Veredito: Devilman vem para causar e mostrar um bom enredo

08/05/2018 - POSTADO POR EM Animes / Mangás
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No início de 2018, a Netflix confirmou que este seria o ano das animações japonesas e que muitos lançamentos fariam parte de seu catálogo. Logo em janeiro, foi apresentada a readaptação do mangá “Devilman” (1972), muito polêmica pela escolha de seu tema e enredo, deixando as pessoas curiosas sobre como o desenho seria retratado.

Confira com a gente agora o que fez dessa releitura tão controversa.

Humanos e demônios

Por que não começar falando da história do anime? Logo no primeiro episódio, somos apresentados a Akira Fudo, um jovem que desde sua infância era considerado só mais um garoto chorão. Após ser incomodado por alguns valentões, seu amigo de infância, Ryo, aparece como um herói e salva Akira.

Porém, Ryo tem segundas intenções com e acaba levando seu amigo para um passeio; o que Akira não sabia era que Ryo estava levando-o a uma famosa festa onde rolavam boatos sobre pessoas desaparecidas e a distribuição de uma droga que aflorava os sentidos dos participantes.

A partir deste ponto é que a história começa a ficar interessante, pois Ryo explica a Akira que o mundo está infestado de demônios e que eles precisam fazer algo a respeito. Ao chegar na festa, Akira descobre o que o amigo estava querendo dizer e percebe que aquilo não passava de um ritual para que os demônios pudessem possuir pessoas e se alimentar delas.

No meio de todo o caos, o jovem protagonista é possuído por um demônio do alto escalão, chamado “Amon”. Por ser uma pessoa de coração puro, o demônio não consegue possuí-lo completamente, fazendo com que Akira se torne um demônio em corpo humano. Com a força e velocidade sobrenaturais, o garoto decide que irá batalhar pela paz entre humanos e demônios, dando início a uma aventura com muito sangue e batalhas violentas.

Traços obscuros

Desde quando o mangá era lançado nos anos 1970, seus traços já tinham uma personalidade única, permitindo que o anime se destacasse ainda mais na época. Com cenas de violência explícita, a animação na época era o inimigo número um de muitas pessoas por ser politicamente incorreta, o que só contribuiu para a fama do mangá.

Isso tudo só tornou o trabalho de Masaaki Yuasa ainda mais difícil por se tratar de um remake da obra já muito conhecida por seus detalhes únicos. Após a série ser lançada na Netflix, muitos não entenderam o porquê desse traço quase que psicodélico; porém, com o passar dos episódios, o anime evolui junto da história, dando sentido completo ao final. É por isso que no início tudo parece mesmo uma loucura, como se observássemos as cenas por meio do personagem principal. Mais tarde, o traço vai ficando mais sólido e mostrando o amadurecimento de Akira.

Foto: Divulgação

Músicas de arrepiar

Por se tratar de uma animação de terror para maiores de idade, muitos acreditavam que a trilha sonora da animação seria mais tensa, deixando um clima de obscuridade junto ao seu visual.

No entanto, enganam-se ao pensar assim. Com uma pegada bem mais dinâmica, a série optou por uma trilha sonora mais virada para o eletrônico, mais especificamente o “Techno” (músicas produzidas com aparelhos sintetizadores junto de instrumentos). Com essa combinação, eles conseguem te prender às cenas simples de perseguição até às mais elaboradas com batalhas. Isso faz dessa produção uma obra prima em quesito de audiovisual, deixando a animação perfeitamente alinhada com sua trilha sonora.

Um ótimo exemplo para demonstrar esse equilíbrio é a cena da corrida de Akira após ser possuído por “Amon”:

Sociedade alienada

Algo muito legal sobre essa animação são as críticas que mostram como nossa mente pode ser algo traiçoeiro e fundamental ao mesmo tempo. A série dá exemplos de como a pobreza, o abandono e o racismo pesam nas decisões pessoais de hoje em dia.

“Devilman” nos mostra como somos fracos dentro de nós mesmos e como damos oportunidade de algumas energias negativas prevalecer e nos deixar piores do que já nos sentimos, um prato cheio para demônios possuírem alguém.

Uma crítica interessante também presente na animação é o fato de que o “inimigo” tem uma aparência mais sombria e intensa, enquanto seu amigo Ryo tem um semblante quase angelical, deixando na cara que os dois são opostos. Quando o bicho pega, não obstante, cada um mostra sua verdadeira personalidade, provando que nem sempre a aparência diz tudo e que na maioria das vezes literalmente não significa nada.

“Devilman” é uma série que tem introdução bem conturbada, com violência e sexo explícito, mas que com o evoluir da trama percebe-se que tudo pelo que Akira passou era a fim de contribuir para sua evolução e se tornar melhor. Com uma direção de audiovisual impecável, esse é um anime a ser respeitado e que não pode passar despercebido. Portanto, não perca tempo e vá assistir.

Esse é um anime a ser respeitado e que não pode passar despercebido

– Tauan Henrique

Foto: Divulgação