Veredito de X-Men: Fênix Negra

06/06/2019 - POSTADO POR EM Filmes
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A história dos mutantes no cinema tem sido uma jornada e tanto. Desde a primeira aparição em “X-Men: O Filme” (2000), a equipe do professor Xavier passou dos bons títulos iniciais para outros que são melhor esquecidos, como “O Confronto Final” (2006) e os primeiros filmes do Wolverine. Tanto é que grande parte dessa linha foi esquecida com sucesso através do reboot interno promovido por “Dias de Um Futuro Esquecido” (2014).

Depois de um passo em falso com “Apocalipse” (2016), a franquia não vinha inspirando confiança para “Fênix Negra”. Além do fato de a adaptação do arco já ter sido comprometida no filme de 2006, o novo projeto passou por vários adiamentos e refilmagens, além de um burburinho de péssimas exibições de teste. Mas agora que o filme de fato chega ao cinemas, já podemos dizer se é de todo mal ou não. Se liga.

O Nascimento da Fênix

O longa abre em um flashback semelhante ao que já vimos no cinema esse ano: uma criança no banco de trás do carro em movimento é responsável por um acidente fatal entre veículos (Olá, Shazam!). A pequena Jean Grey, agora órfã, recebe a visita de Charles Xavier (James McAvoy), que apresenta-lhe um novo caminho e a conduz para a escola para jovens com habilidades especiais.

Um salto temporal e temos Jean adulta (Sophie Turner) ao lado da equipe que já conhecemos em ação. Comandados pela Mística (Jennifer Lawrence), os X-Men embarcam em sua primeira missão espacial, com o objetivo de resgatar astronautas em perigo prestes a serem atingidos por uma tempestade solar. Não é surpresa que o evento estelar não é apenas isso, e no processo de resgate Jean Grey acaba absorvendo uma força cósmica que a transforma na Fênix Negra.

Perdendo o próprio controle, Jean se torna um risco para seus amigos, que precisam decidir se é tarde demais para trazê-la de volta ou se ela ainda está lá. Em meio a isso, criaturas de uma raça alienígena chegam a Terra atrás do poder da Fênix, representados por Vuk (Jessica Chastain).

Foto: Divulgação

Disputas

Se o foco da película sem dúvidas é Jean Grey, é interessante notar a tentativa de integrar organicamente os outros personagens na trama. O Erik de Michael Fassbender, por exemplo, se encontra em uma colônia com outros mutantes tendo deixado seus dias de vingança pra trás. Mas bastam poucos minutos para que esse desenvolvimento seja jogado de lado e Magneto volte ao modo opressor, expondo um dos pontos fracos do filme: as motivações arbitrárias de seus personagens.

Simon Kinberg é um diretor de primeira viagem. Como roteirista experiente, e há anos na franquia, ele parece entender quem esses personagens são, mas está fadado a repeti-los em um ciclo que faz com que suas evoluções não durem muito. Sua força maior está em trabalhar os temas clássicos da franquia, como a discussão sobre o diferente.

Dessa vez, entram em cena também subtextos importantes de relacionamento abusivo e emancipação feminina. Quando todos os personagens masculinos falham com Jean, querendo controlá-la ou subjugá-la, Vuk surge como uma espécie de aliada – ainda que maligna – e que pela primeira vez entende o processo pelo qual Jean está passando. Chastain deita e rola no papel frio e calculista, ainda que subdesenvolvida.

Foto: Divulgação

Veredito

Se no roteiro Simon deixa a peteca cair, ele compensa com uma direção surpreendentemente confiante e que não economiza. É uma grata satisfação que o filme tenha escolhido ser um thriller de ação. A atmosfera de suspense permeia toda a produção e nivela os altos e baixos até do elenco, que em sua maioria já está confortável na pele destes personagens e faz um bom trabalho.

“Fênix Negra” é um caso perfeito de um filme elevado por sua trilha sonora. Não fosse o trabalho de Hans Zimmer, as falhas nas dobras da produção seriam muito mais aparentes, mas o tom ditado pela música constante estabelece a tensão desde o início e não deixa que ela cesse em momento algum.

Durante as refilmagens, a sequência final foi transferida do espaço para a terra, em um trem em movimento. Com a aquisição da Fox pela Disney, esse provavelmente foi o último sopro da franquia como a conhecemos antes que os mutantes sejam introduzidos de outra forma dentro do Universo Cinematográfico da Marvel (MCU). Com isso em mente, era importante que a equipe da linha do tempo de “Primeira Classe” (2011) estivesse presente em peso no ato final, que fornece um belo espetáculo e relembra o porquê desta saga ter sido tão significativa através dos anos.

Pontos Negativos

  • Personagens com desenvolvimento comprometido à serviço de um roteiro que, apesar de abordar temas relevantes, não os aprofunda

 

Pontos Positivos

  • Trilha sonora eficiente e que guia o filme
  • Boas sequências de ação e efeitos especiais, comandados por uma direção confiante
  • Conclusão decente, preocupada em honrar o legado da franquia

 

Nota: 8