Veredito de “The Midnight Gospel”

26/04/2020 - POSTADO POR EM Séries

Atenção amantes de “Hora de Aventura” (2010 – 2018): acaba de estrear na Netflix a mais nova animação produzida pelo mesmo criador, Pendleton Ward. Intitulada “The Midnight Gospel” a série animada é um tanto inconvencional, mostrando todo potencial criativo do americano. Se você pensava que o universo do primeiro desenho já era completamente diferente e único, prepare-se para ser surpreendido por este novo lançamento. Embarcamos no universo animado, conferimos tudo e vamos contar nossas impressões.

Enredo

Clancy é um jovem que tem um podcast chamado “The Midnight Gospel”. Ele viaja pela galáxia utilizando avatares nada convencionais entrevistando convidados bem peculiares sobre diversos assuntos, como política, humanidade, existencialismo, drogas, sexo, espiritualidade e muitos outros de uma maneira bem nonsense e com várias críticas.

Os planetas visitados por Clancy estão em processo de destruição, mostrando o tom bem apocalíptico da série. Logo no primeiro episódio, temos um planeta que está enfrentando um ataque zumbi, sendo um lugar claramente inspirado nos Estados Unidos e um dos personagens fazendo alusão ao presidente Donald Trump.   

Cada episódio trata de um assunto específico, sendo oito episódios que podem funcionar de forma independente. Tudo é baseado em um podcast real apresentado pelo comediante Ducan Trussell chamado “Ducan Trussell Family Hour” e que está disponível no Spotify, apenas em língua inglesa. Assim como na animação, os episódios do podcast exploram o multiverso e outros temas relacionados a esse meio com um toque bem existencialista.

Imagem: Divulgação

As Críticas

Assim como em a “Hora da Aventura”, aqui temos um trabalho visual maravilhoso como plano de fundo para as metáforas, porém de uma forma bem mais adulta e com um grau de explicitude bem elevado. Enquanto as aventuras de Finn e Jake tinham inúmeras camadas, estas eram apenas sugestivas, permitindo ao espectador ficar apenas na primeira sem causar prejuízos para a apreciação dos episódios. Em “The Midnight Gospel”, porém, já na camada inicial ele mostra seu objetivo, que é tratar de assuntos polêmicos de forma nada preocupada com o ‘family friendly’.

A série se mostra bem atual ao tocar em assuntos pertinentes ao dia-a-dia de qualquer pessoa. Violência e sangue são elementos que o criador não tentou evitar e abusou desses recursos para enfatizar os temas. As entrevistas começam de uma forma nada pretensiosa, porém à medida que os episódios vão avançando os diálogos ficam mais complexos e profundos; se você não prestar atenção nas conversas, infelizmente perderá o que há de mais importante.

O tom pessimista do seriado não é algo colocado à toa. É praticamente impossível que alguém não tenha tido um pensamento mais triste ou até mesmo niilista com os acontecimentos atuais. O fato do protagonista visitar mundos que estão se destruindo dá esse toque triste a série, além de ser uma crítica escancarada à vida que levamos na Terra e a forma degradante que cuidamos do planeta.

Imagem: Divulgação

Veredito

Como já dito acima, a qualidade visual da animação beira a perfeição. As cores fortes e berrantes ajudam a contar a narrativa e chamar atenção para os assuntos apresentados. Nada ali foi colocado por acaso, tudo está milimetricamente no seu devido local, pensado de forma cuidadosa e quase cirúrgica. Os oito episódios de cerca de 20 minutos funcionam muito bem e chamam bastante atenção.

Na narração original, foram escolhidas pessoas que tem toda propriedade para falar sobre, por exemplo no episódio que aborda alcoolismo, drogas, depressão, religião, temos uma escritora e ativista desses temas, a americana Anne Lamott, o que ajuda a dar um toque de realidade e ajudar o espectador a se conectar melhor com a narrativa.

Quanto ao roteiro, temos algo que não é clichê e nem tão expositivo. Apesar de não estar mastigadinho e entregue de mãos beijadas para o espectador, é possível entender bem o que está sendo tratado e levar à reflexão. Ou seja, temos um roteiro bem construído e com doses de humor ácido que não é escrachado, tornando a série única e diferenciada entre outras animações para adultos.

Pontos Positivos:

  • Roteiro sagaz e interessante
  • Boa direção de arte
  • Exploração de temas relevantes de forma única

Pontos Negativos:

  • Não é uma série para qual público, é preciso estar disposto a pensar
  • Poucos episódios, podendo ter mais e não ficaria cansativo.

Nota: 9,8