Veredito de Sicario: Dia de Soldado

29/06/2018 - POSTADO POR EM Filmes
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“Sicario: Dia de Soldado”, que estreou ontem, 28, nos cinemas, é o filme que tenta dar continuidade a obra aclamada e questionadora de “Sicario: Terra de Ninguém” (2015), dirigida por Denis Villeneuve. A sequência, que não conta com o mesmo diretor, nem com parte da equipe de seu antecessor, aposta no protagonismo de Josh Brolin e Benicio Del Toro em mais uma trama policial envolvendo a sangrenta guerra de cartéis na fronteira entre Estados Unidos e México.

Até onde se está disposto a ir

Na nova história do universo, o foco é direcionado a Graver (Josh Brolin), que recebe a missão de realizar uma operação secreta que visa dar início a uma guerra entre os cartéis de droga mexicanos, que têm facilitado a entrada de terroristas nos Estados Unidos pela fronteira.

A ideia é forjar o sequestro da filha de um dos chefões desses cartéis por um cartel rival, desencadeando uma guerra entre eles, com o intuito de enfraquecê-los. Missão que acaba saindo do controle e levando um rumo turbulento, onde Alejandro Gillick (Del Toro) precisa lutar para sobreviver, acompanhado de Isabelle (Isabela Moner).

Foto: Divulgação

O legado de seu antecessor

Em seu primeiro filme, Terra de Ninguém, dirigido pelo fantástico Denis Villeneuve, Sicario nos apresenta uma ambientação densa com tons pesados e fortes discussões, que evidenciam os personagens e suas motivações, elevando a obra para além de um mero filme de ação. Proposta que seu antecessor, dirigido por Stefano Sollima, não é tão bem trabalhada, pois um pouco dessa essência se dissipa por trás de cenas de ação e uma narrativa mais focada e direta, desprendida das questões que fazem o primeiro ser excepcional.

É, ainda, perceptível a diferença de escolhas técnicas e visuais entre os filmes. O primeiro nos entrega uma direção mais artística e sensível, com ótimos cortes e uma fotografia primorosa (digna da indicação ao Oscar que recebeu). Enquanto isso, na sequência, a ausência da dupla Villeneuve e Deakins é evidente, uma vez que se constata uma direção mais objetiva, com poucos enquadramentos artísticos e sem grandes destaques visuais.

Apesar disso, o filme tem um roteiro amarrado, com fortes elementos do primeiro filme, que conseguem segurar a atenção do público, além de contar com as fortes atuações de Brolin e Del Toro, que retornam à franquia com seus personagens tão emblemáticos e poderosos. Há, ainda, uma grande surpresa vinda da novata Isabela Moner, que, apesar da pouca idade, entrega uma performance marcante no papel da filha de um dos chefões das drogas.

Veredito

Por fim, “Sicario: Dia de Soldado”, mesmo não alcançando seu excepcional antecessor, é um filme que se constrói com uma boa ideia e um roteiro seguro. Sem passos muito ousados, se compõe como uma obra sóbria, adulta e atual, trazendo bons elementos e personagens. Não diria que é uma continuação necessária, mas razoável, mostrando-se, até, uma estreia relevante.

Foto: Divulgação